Encerramento industrial expõe impacto das importações asiáticas sobre empregos, produção local e estratégia da Michelin no Brasil, com desligamento coletivo, negociação sindical e reorganização da estrutura fabril da companhia no país.
A Michelin América do Sul confirmou que encerrará as atividades industriais de sua fábrica em Guarulhos, na Grande São Paulo, com o desligamento de cerca de 350 trabalhadores.
A empresa informou que a decisão foi tomada no primeiro semestre e que o fechamento ocorre de forma gradual, com manutenção das operações durante a fase de transição e previsão de conclusão até dezembro.
De acordo com informações divulgadas pela própria companhia e repercutidas por veículos de imprensa, a unidade paulista é dedicada principalmente à produção de câmaras de ar para pneus de motos e bicicletas.
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O parque industrial também fabrica pneus industriais e itens semiacabados utilizados em outras etapas da cadeia produtiva da empresa.
A planta de Guarulhos representa uma parcela limitada do total de empregados da Michelin no país.
Segundo dados da empresa, o grupo mantém cerca de 8 mil funcionários no Brasil, dos quais aproximadamente 350 estão vinculados à unidade que será desativada.
Importações asiáticas e concorrência no mercado brasileiro
No comunicado sobre o encerramento, a Michelin atribuiu a decisão ao aumento da entrada de produtos importados da Ásia no mercado brasileiro.
Segundo a empresa, esses itens chegam em grandes volumes e, em muitos casos, com preços inferiores ao custo de produção local, o que teria gerado um cenário de supercapacidade no setor.
Esse contexto, conforme a fabricante, afeta de maneira mais direta o segmento de câmaras de ar para motos e bicicletas, principal linha produzida em Guarulhos.
A companhia afirma que a pressão sobre preços reduziu a competitividade da unidade e limitou as alternativas para manter a operação em funcionamento.

Em nota, a Michelin declarou que avaliou diferentes possibilidades antes de decidir pelo fechamento.
Segundo o comunicado, “nesse contexto, infelizmente, nenhuma das opções analisadas se mostrou factível ou sustentável para a continuidade das operações”, e o encerramento teria sido adotado como último recurso.
Demissões, acordo sindical e transição operacional
Para viabilizar o encerramento das atividades, a empresa informou que negociou com o sindicato local um acordo para a rescisão dos contratos de trabalho.
A Michelin não detalhou publicamente os termos do pacote acordado, mas afirmou que o processo buscou garantir suporte aos empregados durante a transição.
Ao comentar a decisão, o CEO da Michelin América do Sul, Hervé Le Gavrian, afirmou que o fechamento não está relacionado ao desempenho das equipes da unidade.
“Quando tomamos decisões difíceis como esta, reafirmamos nosso valor de respeito às pessoas”, disse o executivo em declaração divulgada pela empresa.
O CEO também destacou, segundo a nota, o envolvimento dos trabalhadores ao longo do processo de transição.
“Neste momento, gostaria de destacar o incontestável engajamento da equipe de Guarulhos, em todas as suas funções”, afirmou Le Gavrian.
Ainda conforme a Michelin, a companhia pretende manter canais de diálogo e oferecer apoio interno aos funcionários impactados durante todo o processo.
A empresa também informou que seguirá atendendo seus clientes e cumprindo contratos enquanto a fábrica permanecer em operação.

“Nós também garantimos o cumprimento de nossos compromissos com todos os nossos clientes neste momento de transição”, acrescentou o executivo ao tratar da continuidade das entregas.
Reorganização das fábricas da Michelin no Brasil
Com o encerramento da unidade de Guarulhos, a Michelin passará a operar com três fábricas no Brasil.
As unidades industriais restantes estão localizadas em Campo Grande, no Rio de Janeiro, em Resende, também no estado fluminense, e em Manaus, no Amazonas.
A sede corporativa da empresa no país permanece no Rio de Janeiro.
Além da atuação industrial, a Michelin mantém no Brasil iniciativas ambientais, como a Reserva Ecológica Michelin, situada no sul da Bahia.
Embora a planta paulista continue operando durante o período de transição, o fechamento ocorre em um contexto de aumento da concorrência internacional no segmento de componentes ligados ao mercado de duas rodas.
A empresa não informou se haverá transferência de produção específica de Guarulhos para outras unidades nem se equipamentos ou linhas produtivas serão realocados.
A Michelin também não detalhou impactos adicionais sobre sua estratégia industrial no país, limitando-se a afirmar que as demais fábricas seguem operando normalmente.
Durante o período final de atividades, trabalhadores, fornecedores e clientes acompanham a execução do cronograma de encerramento e o cumprimento do acordo negociado.
Campo Grande é MS e nao RJ… E No mapa se encontra destacada em Mato Grosso do Sul…. foto acima 👆👆👆
Como competir com a indústria chinesa? E a nossa indústria tendo que suportar uma pesada carga tributária para suprir o buraco negro das contas públicas
Uma correção em relação à arte do mapa: A unidade do bairro Campo Grande, no RJ, deveria ser apontada nesse estado e não no estado do MS ( cuja capital tb se chama Campo Grande).