Teste de segurança fracassado levou à explosão do reator 4 em Chernobyl, mobilizou pilotos, bombeiros e liquidadores soviéticos, provocou evacuação permanente e expôs a Europa ao maior acidente nuclear civil da história
Há 40 anos, na madrugada de 26 de abril de 1986, o reator número 4 da usina nuclear de Chernobyl explodiu durante um teste de segurança, provocando incêndio, liberação maciça de radiação e uma corrida urgente para evitar o colapso dos demais reatores da central.
O acidente ocorreu quando um teste de segurança saiu do controle, destruindo o reator 4 e expondo o núcleo, criando ameaça direta aos outros três reatores operacionais.
A gravidade do episódio exigia contenção rápida, pois um novo colapso poderia ampliar drasticamente a liberação radioativa, com impactos imprevisíveis para regiões além do entorno imediato.
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Momentos após a explosão, bombeiros de toda a região foram mobilizados para combater o incêndio, atuando sem trajes apropriados e desconhecendo a intensidade real da radiação presente.
Mesmo aqueles que tinham alguma noção do perigo receberam ordens para permanecer em silêncio ou omitir informações, refletindo o rígido controle estatal da então União Soviética.
Decisão aérea diante da ineficácia inicial
Com o fracasso das tentativas iniciais, cerca de 36 horas depois decidiu-se empregar helicópteros, estratégia sugerida por Valery Legasov, vice-diretor do Instituto de Energia Nuclear de Kurchatov.
As aeronaves deveriam despejar areia, argila, boro e chumbo diretamente sobre o reator exposto, tentando apagar o fogo e reduzir a liberação de radiação.
Enquanto helicópteros eram deslocados, milhares de moradores de Chernobyl e cidades vizinhas foram evacuados, dando origem à chamada zona de exclusão permanente.
Somente os chamados liquidadores, mais de 600 mil soviéticos envolvidos na contenção, tinham permissão para acessar a área altamente contaminada.
Início de uma das operações aéreas mais arriscadas
Para pilotos civis e militares, começava uma das missões mais perigosas da aviação, com voos repetidos sobre um reator aberto e instável.
A operação exigia precisão extrema, resistência física e aceitação de riscos pouco compreendidos naquele momento crítico da crise.
Helicópteros empregados e limites técnicos
Durante a emergência, foram usados vários modelos, com destaque para o Mi-8 e o Mi-26, este considerado fundamental pela capacidade de carga.
Cada aeronave precisava operar em ar contaminado, despejando material diretamente sobre o núcleo ainda em combustão ativa.
O trabalho era feito lentamente, quase a conta-gotas, para evitar que o impacto do material comprometesse a estrutura restante da usina.
O Mi-26 despejava apenas 3.000 kg por voo, apesar de suportar até 20 toneladas, evitando colapso estrutural dos demais reatores.
Procedimentos iniciais improvisados
Nos primeiros dias, sacos de contenção eram lançados manualmente pelas portas laterais abertas, expondo ainda mais os tripulantes à radiação intensa.
Posteriormente, para reduzir riscos, as cargas passaram a ser transportadas em suportes externos, diminuindo o contato direto das equipes.
Diferenças operacionais entre Mi-8 e Mi-26
O Mi-8 precisava lançar cargas em movimento, pois não conseguia pairar pesado, o que reduzia significativamente a precisão dos lançamentos.
Já o Mi-26 conseguia pairar sobre o reator, aumentando a precisão, porém prolongando perigosamente a exposição dos tripulantes.
Milhares de voos até o controle do incêndio
Foram necessários mais de 4.000 sobrevoos até que o incêndio fosse controlado, resultado alcançado apenas em 10 de maio de 1986.
Nesse período, mais de 5.000 toneladas métricas da mistura química foram despejadas diretamente sobre o reator destruído.
Imagens registradas mostram pilotos usando apenas máscaras simples, sem roupas específicas contra radiação, em condições consideradas hoje pertubadoras.
O calor intenso fazia alguns voarem apenas de calças, enquanto adaptações com chapas de chumbo surgiram somente mais tarde.
Os helicópteros também lançaram agentes de contenção ao redor de Chernobyl, criando uma barreira para limitar a propagação radioativa pelo solo.
Essa etapa ampliou a contaminação das aeronaves, que acumulavam resíduos perigosos após cada missão realizada.
Contaminação extrema e abandono das aeronaves
Relatos indicam que, ao pousar, a grama ao redor dos helicópteros amarelava rapidamente devido à radiação residual acumulada.
As tripulações só podiam voar por três dias, e as aeronaves acabaram abandonadas por riscos excessivos de limpeza.
Durante as missões, um Mi-8 colidiu com cabos de aço de um guindaste próximo ao reator, caindo e matando seus quatro tripulantes.
O acidente reforçou o nível extremo de perigo enfrentado diariamente pelas equipes envolvidas na contenção aérea.
Retirada dos helicópteros: Transição para ações terrestres
No fim de maio, a radiação caiu para níveis relativamente mais seguros, permitindo o início de operações terrestres mais intensivas na usina.
Ainda assim, os riscos permaneceram elevados para todos os envolvidos nos trabalhos posteriores.
Sem a atuação desses pilotos e suas arriscadas operações, a radiação poderia ter se espalhado por grande parte da Europa e Ásia.
O esforço aéreo foi decisivo para conter o desastre e evitar consequências ainda mais amplas.
Sacrifício humano e legado duradouro
A coragem e o sacrifício dos pilotos marcaram um capítulo crítico da história nuclear, com efeitos sentidos por décadas.
A operação permanece como exemplo extremo de resposta emergencial diante de uma catástrofe tecnológica sem precedentes.
Com informações de CNN.
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