Expedição arqueológica retomada em 2023 após 12 anos de interrupção identificou vários naufrágios a cerca de 100 metros de profundidade perto da antiga cidade grega de Ptolemaida, na Líbia. O conjunto de destroços, localizado a quatro quilômetros da costa, sugere sucessivas tentativas fracassadas de navios que tentavam alcançar um porto que acabou submerso por mudanças ambientais e atividade sísmica
Pesquisadores identificaram vários naufrágios a cerca de 100 metros de profundidade no fundo do mar próximo à antiga cidade grega de Ptolemaida, no nordeste da Líbia. A descoberta ocorreu durante escavações arqueológicas retomadas em 2023 após uma pausa de 12 anos.
A investigação foi conduzida por arqueólogos da Universidade de Varsóvia, que voltaram à região após a interrupção causada pela guerra civil.
O trabalho envolveu pesquisas em terra e no mar e revelou um conjunto significativo de vestígios arqueológicos ligados à antiga cidade.
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Os naufrágios foram encontrados a aproximadamente quatro quilômetros da costa. Os primeiros indícios surgiram a partir de uma dispersão de ânforas em águas rasas, que serviram como trilha para os pesquisadores seguirem até fragmentos de carga, acessórios de embarcações e, finalmente, os destroços.
Conjunto de naufrágios indica repetidos acidentes ao longo dos séculos
Segundo os arqueólogos, a área apresenta não apenas um naufrágio isolado, mas um conjunto de embarcações que afundaram ao longo do tempo.
A concentração desses naufrágios sugere que diversos navios enfrentaram dificuldades semelhantes ao tentar alcançar o porto da antiga cidade.
De acordo com o arqueólogo-chefe Dr. Piotr Jaworski, os naufrágios provavelmente ocorreram em diferentes períodos históricos.
Ele aponta que várias embarcações podem ter sido incapazes de atravessar a passagem marítima até o porto devido às mesmas condições perigosas de navegação.
Esse cenário indica uma sequência de tentativas frustradas de chegada à costa. Ao longo dos séculos, navios que buscavam acessar o porto de Ptolemaida teriam enfrentado obstáculos semelhantes e terminado no fundo do mar.
Objetos recuperados ajudam a compreender a atividade marítima
Durante as escavações, os pesquisadores encontraram diversos objetos associados aos naufrágios e à atividade marítima da região.
Entre eles está um equipôndio de bronze, um fragmento de balança romana preenchido com chumbo e moldado no formato de uma cabeça feminina.
Também foram recuperadas várias ânforas, utilizadas no transporte de mercadorias na antiguidade. Uma delas continha vinho cristalizado, que atualmente está sendo analisado pelos pesquisadores para compreender melhor o conteúdo e o contexto histórico do material.
Esses artefatos ajudam a reconstruir aspectos do comércio marítimo e das atividades econômicas ligadas ao antigo porto. A presença das ânforas indica que as embarcações transportavam cargas comerciais quando ocorreram os naufrágios.
Estruturas submersas confirmam existência de antigo complexo portuário
Entre 2024 e 2025, arqueólogos subaquáticos identificaram extensões do antigo porto, incluindo colunas, estradas, âncoras e instrumentos utilizados para medir a profundidade do mar. Essas estruturas reforçam a interpretação de que o local funcionava como um importante centro portuário.
Segundo os pesquisadores, o complexo portuário acabou submerso devido a mudanças ambientais ao longo do tempo. Entre os fatores apontados estão a elevação do nível do mar e a ocorrência de atividade sísmica na região.
A descoberta dessas estruturas complementa o cenário revelado pelos naufrágios e indica que a área possuía infraestrutura marítima significativa durante o período em que Ptolemaida estava em atividade.
Escavações terrestres revelam novos vestígios da antiga cidade
Enquanto Jaworski coordenava as escavações subaquáticas, o arqueólogo Szymon Lenarczyk liderava as pesquisas em terra. Durante a investigação, a equipe identificou uma estrada destinada a veículos com rodas que levava até a cidade localizada no topo de uma colina.
Ao atravessar os portões de Ptolemaida, os arqueólogos também encontraram uma inscrição grega datada do século III d.C. Além disso, foram descobertos vestígios de um antigo bairro residencial, incluindo a área de entrada de uma residência pertencente a um alto funcionário do Estado.
Entre os objetos encontrados fora da casa estavam uma máscara representando um rosto humano e diversos recipientes de pedra. A presença desses itens chamou a atenção dos pesquisadores, que ainda buscam entender por que eles estavam posicionados no exterior da residência.
Atualmente, conservadores trabalham na restauração de mosaicos de parede, pinturas e um raro relógio de sol de disco duplo que havia sido descoberto anteriormente pela equipe em 2010.
Com a retomada das escavações, os arqueólogos iniciam uma nova fase de pesquisas em um centro histórico ainda pouco explorado.

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