Dólar perde valor desde 6 de novembro de 2024, emergentes sobem até 16,38% e yuan avança 3% enquanto moeda americana ainda concentra 56% das reservas globais
O dólar vem perdendo valor global de forma mais acentuada desde a eleição de Donald Trump, em 6 de novembro de 2024, impulsionando alta de até 16,38% em moedas emergentes e reacendendo o debate sobre a hegemonia da moeda nas reservas e transações internacionais.
A desvalorização do dólar está associada à aceleração da política de reindustrialização dos Estados Unidos, que demanda uma moeda mais fraca para funcionar.
Além disso, ruídos institucionais e tensões diplomáticas contribuíram para a diversificação de investimentos fora da moeda americana.
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Dólar perde espaço e emergentes registram valorização expressiva
Levantamento da consultoria Quantum, a pedido da Forbes, analisou o período de 1º de novembro de 2024 a 18 de fevereiro de 2026. Os dados mostram que, frente ao dólar, o peso mexicano valorizou 16,38%.
No mesmo intervalo, o real subiu 10,37%, o rand da África do Sul avançou 9,83% e o yuan chinês registrou alta de 3%.
O movimento evidencia a busca por diversificação de ativos em meio à perda de força da moeda americana.
Parte da desvalorização do dólar também é atribuída a questionamentos da Casa Branca sobre a independência de órgãos como o Banco Central dos EUA, além da preferência por leis que evitam votações no Congresso e da criação de um estado policialesco com o ICE.
Há ainda afrontas às alianças históricas dos Estados Unidos com outros países. Esse conjunto de fatores ampliou a migração de recursos para mercados emergentes, fenômeno visível desde a eleição presidencial.
Yuan avança com controle e busca status de reserva global
Apesar de ser a moeda da segunda maior economia do mundo, o yuan avançou apenas 3% frente ao dólar no período analisado.
O governo chinês teme que uma valorização excessiva prejudique as exportações e afete as condições financeiras internas.
Por isso, utiliza mecanismos para conter movimentos abruptos. O Banco Popular da China adota fixação diária da taxa de câmbio, sinalizando preferência por oscilações controladas e desestimulando apostas unilaterais durante a desdolarização global.
Victoria Mio, chefe de ações da Grande China e gestora da Janus Henderson Investors, afirma que o yuan evolui de moeda comercial administrada para ativo financeiro com relevância estratégica. Segundo ela, o status de reserva depende de estabilidade e confiança ao longo do tempo.
Recentemente, Xi Jinping defendeu publicamente que o yuan se torne moeda de reserva global, indicando que a internacionalização deixou de ser apenas ambição técnica e passou a prioridade estratégica.
Mesmo assim, controles de capital e instrumentos regulatórios seguem firmes, evitando que fluxos externos sobrecarreguem a moeda, mesmo com maior conversão de dólar por exportadores e renovado interesse estrangeiro.
Hegemonia da moeda ainda domina reservas e transações
Apesar do avanço de outras moedas, o domínio do dólar permanece amplo. A moeda representa 56% das reservas cambiais globais, cerca de 89% das transações cambiais e mais de 50% dos pagamentos internacionais.
Além disso, aproximadamente 99% das stablecoins estão atreladas ao dólar, reforçando seu papel em liquidações, garantias e finanças digitais.
Em comparação, a presença global do yuan ainda é limitada por controles de capital parciais e liquidez restrita no exterior.
Matheus Spiess, analista da Empiricus, destaca que dificuldades jurídicas relacionadas a contratos e diferenças culturais empresariais dificultam a consolidação de um ordenamento baseado no yuan no curto prazo.
Para ele, o investimento continua sendo feito no dólar, apenas em proporção menor do que antes. Uma eventual mudança estrutural levaria muito tempo e pode nem ocorrer.
Sistema multipolar, ouro em alta e cenário futuro do dólar
Victoria Mio avalia que uma transição completa do dólar para o yuan é improvável. O cenário mais realista seria um sistema monetário multipolar, no qual o yuan ganhe importância sem substituir a moeda americana.
Nos últimos dois anos, o ouro acumulou valorização constante e recordes históricos de preço. Parte desse movimento decorre da desvalorização de moedas fiduciárias e da percepção de falta de credibilidade fiscal dos governos.
Em alguns aspectos, o ouro teria mais força para substituir o dólar do que o yuan, por funcionar como ativo neutro, sem emissor estatal. Contudo, não pode assumir funções como emissão de faturas comerciais ou criação de crédito.
O cenário de baixa do dólar perdeu parte da intensidade recente. Analistas do Morgan Stanley afirmam que o crescimento dos EUA segue resiliente e que cortes de juros pelo Fed devem ocorrer mais tarde do que o previsto.
Com crescimento externo robusto e rendimentos sustentados fora dos EUA, a divergência positiva de juros a favor do dólar diminuiu. Ainda assim, o banco mantém expectativa modesta de queda da moeda americana nos próximos meses.
Com informações de Forbes Brasil.
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