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Muito antes da NASA: cometa Halley teria sido identificado por um monge no século XI

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado el 31/01/2026 a las 16:12
Pesquisa sugere que a periodicidade do cometa Halley foi identificada por um monge inglês no século XI, séculos antes de Edmond Halley.
Pesquisa sugere que a periodicidade do cometa Halley foi identificada por um monge inglês no século XI, séculos antes de Edmond Halley.
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Nova pesquisa acadêmica indica que o cometa Halley pode ter tido sua periodicidade identificada no século XI por um monge inglês, com base em observações realizadas em 989 e 1066, mais de 600 anos antes dos cálculos orbitais publicados por Edmond Halley em 1705

O cometa Halley, conhecido por seu retorno periódico entre 72 e 80 anos, pode ter tido sua órbita recorrente reconhecida ainda no século XI por um monge inglês, mais de seis séculos antes dos cálculos formais publicados em 1705 pelo astrônomo britânico Edmond Halley, segundo nova pesquisa acadêmica.

Um nome consagrado, mas uma descoberta anterior

O cometa Halley recebeu esse nome em homenagem a Edmond Halley, que em 1705 reconstruiu sua órbita com base em observações próprias e registros históricos, identificando um ciclo aproximado de 75 anos. Esse trabalho permitiu prever o retorno do cometa em 1758.

Pesquisas recentes, no entanto, indicam que Halley não foi o primeiro a reconhecer o caráter periódico do objeto. O estudo sugere que o monge inglês Eilmer, também conhecido como Aethelmaer, de Malmesbury, pode ter associado duas aparições do cometa observadas com um intervalo de cerca de 77 anos.

As observações de Eilmer em 989 e 1066

De acordo com relatos históricos, Eilmer observou um cometa cruzar os céus da Inglaterra em 989, quando ainda era menino. Décadas depois, em 1066, ele testemunhou uma nova aparição do mesmo fenômeno e teria conectado os dois eventos como sendo do mesmo corpo celeste.

Essa interpretação é apresentada por Simon Portegies Zwart, astrônomo da Universidade de Leiden, na Holanda, em um livro recente. Segundo o autor, o relato sugere que Eilmer compreendeu que se tratava de um fenômeno recorrente, algo notável para o conhecimento astronômico da época.

O relato preservado por Guilherme de Malmesbury

A principal fonte sobre Eilmer é o historiador do século XII Guilherme de Malmesbury. Segundo ele, ao ver o cometa em 1066, Eilmer teria exclamado que fazia muito tempo desde a última aparição e que agora o astro parecia anunciar a ruína de sua pátria.

Naquele ano, a Inglaterra vivia uma grave crise sucessória após a morte do rei Eduardo, o Confessor. O cometa também foi registrado visualmente na Tapeçaria de Bayeux, que retrata a invasão normanda liderada por Guilherme, o Conquistador, após a aparição do astro sobre a Bretanha e as Ilhas Britânicas em abril de 1066.

Um monge entre o voo e a astronomia

Eilmer é lembrado não apenas por suas observações celestes, mas também por uma tentativa pioneira de voo humano. Inspirado pela mitologia grega, ele teria construído asas e saltado de uma torre no final da década de 990 ou início dos anos 1000.

Segundo Guilherme de Malmesbury, o monge planou por cerca de 200 metros antes de cair e quebrar as duas pernas, após uma rajada de vento interromper sua descida. Além desse episódio, Eilmer mantinha grande interesse por astrologia e astronomia, áreas centrais de seus estudos.

O cometa Halley na história registrada

O cometa Halley foi o primeiro a ser reconhecido pelos astrônomos como periódico. Sua órbita altamente elíptica ao redor do Sol faz com que ele se aproxime da Terra a cada 72 a 80 anos, deixando um rastro luminoso de poeira visível no céu.

O registro mais antigo provável do cometa data de 239 a.C., em uma crônica chinesa. Desde então, ele foi observado dezenas de vezes e frequentemente interpretado como presságio. Em 66 d.C., o historiador Flávio Josefo associou sua aparição à queda de Jerusalém.

O reconhecimento tardio e o debate atual

Edmond Halley relacionou com precisão as aparições de 1531, 1607 e 1682, prevendo corretamente o retorno em 1758, embora tenha morrido em 1742, antes de ver sua previsão confirmada. Seus cálculos foram considerados notáves para a época.

Portegies Zwart argumenta, contudo, que o mérito inicial de reunir informações sobre as aparições do cometa séculos antes deveria ser atribuído a Eilmer.

Essa tese foi apresentada em um capítulo escrito com Michael Lewis, do Museu Britânico, no livro Dorestad and Everything After: Ports, Townscapes and Travelers in Europe, 800-1100, publicado em 2025.

A próxima passagem visível do cometa Halley está prevista para o final de julho de 2061, quando o fenômeno poderá novamente ser observado da Terra.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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