Formações em Marte intrigam cientistas e indicam circulação de água no subsolo do planeta vermelho ao longo de sua história geológica
Uma paisagem incomum observada em Marte vem chamando a atenção da comunidade científica e do público em geral. Vista do espaço, a região lembra uma vasta rede de “teias de aranha” espalhadas pela superfície marciana, um padrão geométrico raro que levanta novas questões sobre o passado do planeta. As imagens foram analisadas pela NASA, que passou a monitorar a área com o robô explorador Curiosity, em operação no planeta há mais de uma década.
Essas estruturas misteriosas reforçam uma hipótese cada vez mais aceita entre os cientistas: Marte pode ter abrigado água líquida subterrânea por longos períodos, mesmo após a superfície ter começado a secar. A descoberta ajuda a reconstruir a transição do planeta de um ambiente potencialmente habitável para o deserto frio e árido que conhecemos hoje.
A informação foi divulgada inicialmente pelo portal R7.com, com base em dados e imagens oficiais da agência espacial americana, que vem acompanhando o fenômeno há cerca de seis meses por meio de observações orbitais e análises de campo feitas pelo Curiosity.
-
Por mais de 400 anos, marinheiros relataram cruzar um oceano que brilhava no escuro como neve, sem ondas e sem reflexos, apenas um brilho uniforme se estendendo até o horizonte, e em 2019 um satélite registrou o fenômeno cobrindo mais de 100.000 km² por mais de 40 noites seguidas ao sul de Java, mas os cientistas ainda não sabem exatamente o que desencadeia o processo
-
Japão vira referência com processo genial que recicla 100 toneladas de plástico por dia usando técnica que remove contaminantes, sensores ópticos que separam PP e PE em segundos e linhas industriais que transformam toneladas de resíduos em paletes reutilizáveis.
-
China criou máquina ‘impossível’ que muda a agricultura ao combinar drones, tratores autônomos com navegação centimétrica, sensores e inteligência artificial
-
A cidade flutuante movida a 2 reatores nucleares que abandona o vapor, usa campos eletromagnéticos para lançar aeronaves ao céu e inaugura uma nova era dos porta-aviões de guerra
O que são as “teias de aranha” de Marte e por que elas são chamadas de boxwork

As formações observadas receberam o nome técnico de boxwork, um tipo de estrutura geológica composta por cristas minerais entrelaçadas, que formam padrões semelhantes a redes ou colmeias. Em Marte, essas estruturas medem entre 1 e 2 metros de largura e são cortadas por depressões arenosas, criando um visual impressionante quando vistas do alto.
Elas estão concentradas ao redor do Monte Sharp, uma montanha de mais de cinco quilômetros de altura localizada no centro da Cratera Gale, região onde o Curiosity realiza suas explorações científicas. Segundo os pesquisadores, essas formações não surgiram ao acaso. Pelo contrário, tudo indica que foram moldadas por processos associados à água subterrânea.
De acordo com as hipóteses levantadas, a água teria circulado por fraturas profundas na rocha, transportando minerais dissolvidos. Com o tempo, esses minerais se depositaram nas paredes das fraturas, funcionando como um “cimento natural” que endureceu determinadas áreas da rocha marciana. Posteriormente, a ação contínua do vento — um dos principais agentes de erosão em Marte — desgastou o material mais frágil ao redor, preservando apenas as cristas mineralizadas que hoje formam o padrão de boxwork.
Curiosity enfrenta desafios inéditos para investigar as formações de perto
Embora estruturas semelhantes existam na Terra, especialmente em cavernas ou regiões áridas, elas raramente ultrapassam alguns centímetros. Em Marte, no entanto, a escala é muito maior, o que torna o fenômeno ainda mais intrigante. Antes da chegada do Curiosity a essa área específica do Monte Sharp, os cientistas não tinham certeza de como essas formações eram de perto nem de como haviam se formado.
Por isso, a equipe da missão decidiu conduzir uma análise detalhada no local, mesmo diante dos riscos. O Curiosity, que tem o tamanho aproximado de um SUV e pesa cerca de 899 quilos, precisou ser guiado cuidadosamente sobre o topo das cristas mineralizadas, um terreno irregular e potencialmente perigoso para suas rodas.
“É quase como uma estrada que podemos percorrer de carro. Mas depois precisamos descer para os vales, onde temos que ficar atentos para que as rodas não derrapem ou fiquem presas na areia”, explicou Ashley Stroupe, engenheira de sistemas operacionais do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA e líder da missão. Segundo ela, cada avanço exige planejamento minucioso e testes virtuais antes do envio dos comandos ao robô.
Água desapareceu aos poucos, mas deixou marcas profundas em Marte

À medida que o Curiosity sobe o Monte Sharp, os cientistas observam mudanças graduais na paisagem, que indicam um longo processo de secagem do planeta. Camadas rochosas revelam que Marte passou por períodos úmidos intercalados com fases cada vez mais áridas, quando rios e lagos surgiam temporariamente antes de desaparecer novamente.
Além das estruturas de boxwork, o robô também identificou texturas irregulares conhecidas como nódulos, outro forte indício da presença de água subterrânea no passado. Esses nódulos já haviam sido detectados em missões anteriores e reforçam a ideia de que a água desempenhou um papel fundamental na formação do relevo marciano.
Para os pesquisadores, compreender como essas estruturas conseguiram se formar e resistir à erosão por milhões de anos é essencial para entender a evolução climática e geológica de Marte. Cada nova evidência ajuda a montar o quebra-cabeça sobre quando, como e por quanto tempo o planeta manteve condições favoráveis à presença de água líquida.
Próximo destino do Curiosity e os próximos passos da exploração
Segundo a NASA, o Curiosity deve deixar a região de boxwork a partir de março, seguindo para uma nova área do Monte Sharp rica em sulfatos — minerais que se formam quando a água evapora. A equipe planeja explorar essa camada ao longo de vários quilômetros, buscando responder a uma das grandes questões da ciência planetária: como Marte passou de um mundo potencialmente habitável para um deserto gelado e inóspito.
Cada metro percorrido pelo robô amplia o entendimento sobre a história do planeta vermelho e aproxima os cientistas de responder se Marte já reuniu, no passado, condições suficientes para sustentar algum tipo de vida microbiana.

-
-
-
-
-
-
34 pessoas reagiram a isso.