Navio histórico de 111 anos que já percorreu 360 mil milhas náuticas e passou por cinco nomes diferentes é transformado em hotel de luxo após investimento de US$ 18 milhões em ilha turística da Indonésia
O navio Doulos Phos, com 111 anos, foi transformado em hotel após investimento de US$ 18 milhões e 15 anos de reformas na ilha de Bintan, Indonésia. A conversão preserva a história da embarcação e cria nova atração turística ligada ao legado do antigo navio histórico.
Origem do navio histórico e primeiras transformações
Construído em 1914 no estaleiro de Newport News, na Virgínia, nos Estados Unidos, o navio a vapor SS Medina entrou em operação dois anos após o Titanic iniciar sua viagem inaugural. A embarcação iniciou sua carreira transportando cebolas e outros produtos comerciais.
Durante a Segunda Guerra Mundial, o navio foi convocado para auxiliar os Estados Unidos em operações logísticas. Anos depois, passou por conversão para transporte de passageiros e recebeu o nome SS Roma.
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A transformação continuou quando recebeu um motor a diesel e passou a operar como navio de cruzeiro sob o nome MS Franca C.
Essas mudanças marcaram novas etapas na trajetória do navio histórico, que permaneceu ativo em diferentes funções ao longo das décadas.
Em 1977, a embarcação foi adquirida por uma organização cristã e recebeu o nome MV Doulos. Nesse período, passou a funcionar como navio missionário e biblioteca flutuante.
Viagens pelo mundo e episódio nas Filipinas
Durante cerca de três décadas, o MV Doulos percorreu mais de 360 mil milhas náuticas e visitou mais de 100 países. O projeto missionário levou livros e atividades religiosas a diversas regiões do mundo.
Em 1991, o navio foi alvo de um ataque com granadas nas Filipinas realizado por separatistas muçulmanos. O atentado deixou dois evangelistas mortos.
Mesmo após esse episódio, a embarcação continuou operando por vários anos. Ao longo desse período, consolidou-se como o navio histórico de passageiros mais antigo ainda em atividade.
Transformação em hotel após compra em 2010
O futuro do navio parecia incerto em 2010. O MV Doulos já não era considerado seguro para navegação, e atender às novas normas de segurança marítima exigiria investimentos milionários.
O empresário singapurense Eric Saw apresentou a proposta vencedora para comprar a embarcação por 900 mil euros, cerca de R$ 5,7 milhões.
Mesmo após a compra, os custos continuaram aumentando. Durante mais de três anos, Saw pagou taxas de atracação e manutenção enquanto buscava um local definitivo para o projeto.
Sem conseguir autorização em Singapura, ele encontrou apoio na ilha indonésia de Bintan, onde um complexo turístico havia sido criado nos anos 1990 em parceria entre Indonésia e Singapura.
Construção da península artificial e instalação do navio
A solução encontrada foi instalar o navio histórico em terra firme. Um incorporador ofereceu recuperar mais de 12 mil metros quadrados de área costeira no litoral norte de Bintan.
O terreno foi projetado em formato de âncora, conforme pedido do empresário. As obras começaram em 2014.
Antes da instalação final, o navio foi rebocado para Batam, onde passou por reformas estruturais. Em outubro de 2015, a embarcação realizou sua última viagem, de Batam até Bintan.
Para posicionar o navio, engenheiros escavaram o fundo do mar ao lado da península artificial e criaram uma bacia. O casco de 6.800 toneladas foi então arrastado por mais de 170 metros até a plataforma definitiva.
O deslocamento utilizou bolsas de ar como rolos e guinchos mecânicos. O processo durou sete semanas, mais de três vezes o tempo inicialmente previsto.
Estrutura do hotel preserva elementos originais
Hoje o navio histórico está instalado sobre uma plataforma de concreto de 130 por 16 metros, sustentada por estacas que alcançam mais de 40 metros de profundidade no subsolo.
O casco mede 130 metros e foi construído com chapas de aço unidas por rebites, técnica comum antes da popularização da soldagem na construção naval na década de 1930.
O hotel possui atualmente 93 cabines distribuídas pelos compartimentos internos. Algumas preservam escotilhas redondas e portas metálicas originais.
Durante a reforma, tanques de combustível e divisões internas foram removidos para ampliar os espaços. Também foram instalados sistemas modernos de encanamento, eletricidade, elevadores e rotas de fuga.
As diárias variam entre 1,7 milhão e 3,8 milhões de rúpias indonésias, valores equivalentes a aproximadamente R$ 572 e R$ 1.278.
Entre os elementos preservados estão o eixo da hélice, seis botes salva-vidas originais e a antiga casa de máquinas, que permanece aberta para visitação.
Alguns compartimentos foram mantidos como “cabines de experiência”, permitindo aos visitantes conhecer como eram os alojamentos originais.
Projeto levou 15 anos e investimento milionário
Eric Saw afirma ter investido cerca de 23 milhões de dólares de Singapura, aproximadamente US$ 18 milhões ou R$ 97,7 milhões, ao longo de 15 anos para concluir o projeto.
Segundo ele, recebe apenas um salário simbólico de US$ 1 por ano, destinando os lucros do hotel a causas cristãs.
Apesar de agora estar em terra firme, o empresário afirma que todas as mudanças são reversíveis. Caso um futuro proprietário deseje, o navio histórico poderia voltar ao mar.
Saw também afirma que a estrutura original da embarcação pode durar mais 111 anos. Ainda assim, destaca que a ferrugem continua sendo o principal desafio de manutenção.
Para ele, preservar a embarcação vai além de um projeto empresarial. O objetivo principal é manter viva a história da que ele chama de “grande dama dos mares”.
Com informações de CNN.
Ne lê o que a IA escreve. Passa pelo menos o corretor ortográfico. REPOLSA é sacanagem.