Mesmo com a desaceleração chinesa, o Brasil mantém ritmo recorde de embarques de carne bovina, alcançando 95,7% do total exportado em 2024 e consolidando um dos melhores desempenhos históricos do setor, com México e EUA ampliando participação nas compras
O volume de carne bovina embarcado pelo Brasil em outubro consolida um desempenho histórico. Nos primeiros 18 dias úteis do mês, foram exportadas 15,36 mil toneladas, um avanço de 2,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). O resultado parcial já representa 95,7% de todo o volume exportado em 2024, o que indica a possibilidade concreta de novo recorde anual.
Para o consultor de mercado Hyberville Neto, da HN Agro, as exportações teriam que praticamente parar para o recorde não se confirmar até o final de outubro. De acordo com o portal canal rural, o analista destaca que, mesmo com ajustes pontuais na demanda internacional, a base exportadora brasileira segue sólida, impulsionada por competitividade de preço, oferta estável e câmbio favorável.
Sazonalidade chinesa e equilíbrio entre destinos
A ligeira redução nas compras da China é tratada como movimento sazonal. Segundo Neto, a desaceleração no último bimestre é esperada, já que o país costuma reduzir o ritmo de importações entre novembro e dezembro.
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Nos últimos três anos, essa tendência se repetiu: as compras chinesas caíram 26,9%, 5,8% e 21,8% quando comparados os volumes de novembro com os de outubro.
Mesmo assim, os números de 2025 indicam um cenário mais equilibrado. A China tem comprado mais carne bovina do Brasil do que no mesmo período de 2024, o que deve suavizar a queda habitual de fim de ano.
Ao mesmo tempo, novos mercados estão ganhando relevância, o que reduz a dependência brasileira do gigante asiático e contribui para a estabilidade dos preços médios de exportação.
México assume papel de destaque nas exportações
Entre os novos compradores, o México tem se destacado. O país latino-americano ultrapassou Hong Kong e outros destinos tradicionais, tornando-se o segundo maior importador da carne bovina brasileira em setembro.
Em outubro, o bom desempenho mexicano se manteve, compensando parte da retração da demanda chinesa e reforçando o fluxo de exportações no último trimestre do ano.
Para o consultor Hyberville Neto, a diversificação de destinos é essencial para o equilíbrio do setor. A ampliação da presença brasileira no mercado mexicano ocorre em um momento de maior integração comercial na América Latina, beneficiando produtores e frigoríficos com novas oportunidades e redução de riscos geográficos.
Expectativas positivas com os Estados Unidos
Outro ponto de atenção é a possível reaproximação comercial com os Estados Unidos, que atualmente impõem tarifas de 50% sobre a carne bovina brasileira.
O tema ganhou força após o encontro recente entre o presidente Lula e o líder norte-americano, Donald Trump, em Washington. Segundo analistas de mercado, um acordo tarifário poderia aumentar significativamente o fluxo de exportações, equilibrando o peso da Ásia nas vendas externas.
De acordo com Hyberville Neto, os Estados Unidos já elevaram as compras em outubro e, se mantiverem esse ritmo, poderão representar volumes expressivos no curto prazo.
A consolidação desse mercado reduziria a exposição brasileira às oscilações asiáticas e ampliaria o espaço para cortes premium e produtos de maior valor agregado.
Perspectiva e impacto no setor
A performance das exportações reforça a eficiência da cadeia produtiva da carne bovina, que mantém competitividade mesmo diante de desafios logísticos e variação de demanda global.
O cenário atual indica avanço contínuo das vendas externas, sustentado por custos de produção controlados, certificações sanitárias e diversificação de destinos.
Com o desempenho de outubro, o Brasil consolida posição como maior exportador mundial de carne bovina, combinando escala produtiva, rastreabilidade e acesso a múltiplos mercados.
Para os analistas, o resultado reforça a confiança no agronegócio brasileiro e amplia as perspectivas de investimento no setor de proteína animal.
Com quase todo o volume de 2024 já igualado em menos de dez meses, as exportações de carne bovina em 2025 caminham para um novo recorde, mesmo diante da desaceleração chinesa.
O fortalecimento do México e a retomada do diálogo com os Estados Unidos reforçam o papel do Brasil como fornecedor global estratégico.
Na sua opinião, a diversificação de mercados é suficiente para manter o crescimento das exportações de carne bovina ou o país ainda depende demais da demanda da China?
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