Enquanto poucos notam, o Uzbequistão projeta uma megacidade de 30 bilhões ao lado de Tashkent, com super bairros em 15 minutos, canais navegáveis, torres de 575 metros e energia renovável, tentando trocar isolamento soviético por vitrine global planejada para milhões de moradores jovens até 2040, com empregos qualificados e universidades.
Desde 2016, quando um novo presidente assumiu o comando do Uzbequistão e iniciou reformas econômicas profundas, o país passou de economia fechada e isolada para alvo de investidores estrangeiros, com fluxo anual acima de 4 bilhões de dólares e ambição de erguer uma megacidade de 30 bilhões como cartão de visitas político e financeiro. Ao mesmo tempo, a capital Tashkent viu sua densidade quase dobrar em relação a 1991, exigindo a construção anual de mais de 20 mil apartamentos, dezenas de escolas e hospitais para atender uma população urbana em expansão rápida.
Em 2023, Tashkent apareceu apenas na 157ª posição entre 173 cidades avaliadas em um índice global de habitabilidade, a poucos degraus do fim da lista, o que reforçou a decisão de projetar a Nova Tashkent como vitrine urbana. O plano prevê aprovar em 2024 o primeiro distrito de 6 mil hectares, concluir a fase inicial em 8 a 10 anos e transformar, até 2030, a antiga capital em uma das 50 cidades mais habitáveis do mundo, ancorada nessa megacidade de 30 bilhões construída do zero.
Onde fica a megacidade de 30 bilhões e o que ela pretende mudar

A nova megacidade de 30 bilhões será implantada cerca de 20 quilômetros a leste de Tashkent, ocupando 25 mil hectares entre os rios Chirchiq e Karasu, uma área equivalente a aproximadamente um terço de Singapura e praticamente dobrando a mancha urbana da capital uzbeque.
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A expansão foi planejada para receber cerca de 2,5 milhões de novos moradores, elevando a população total da região metropolitana para algo próximo de 7,4 milhões de habitantes ao longo de duas décadas.
O objetivo declarado é reposicionar o Uzbequistão no tabuleiro da Ásia Central, região espremida entre Rússia, China, Irã e Oriente Médio, onde o país de 37 milhões de pessoas tenta recuperar o protagonismo que teve na antiga Rota da Seda.
A megacidade de 30 bilhões funciona como uma resposta visual e econômica ao passado soviético isolado, criada para sinalizar que o país está aberto a negócios, turismo e capital estrangeiro em larga escala.
Como será o desenho urbano da nova megacidade de 30 bilhões

O plano urbano segue o conceito de cidade de 15 minutos, dividido em super bairros conhecidos como Super Mahalas, inspirados nas tradicionais mahallas uzbeques de vielas e pátios internos.
Cada Super Mahala terá cerca de 400 metros de largura, distância que pode ser atravessada a pé em aproximadamente cinco minutos, concentrando moradia, comércio de bairro, serviços básicos e áreas de convivência.
Dentro de cada bloco, escolas estarão a menos de 500 metros das residências e jardins de infância a cerca de 300 metros, com clínicas, lojas e pequenos equipamentos públicos distribuídos por rotas de pedestre e bicicleta.
Carros particulares não poderão cortar o interior desses bairros, ficando restritos às bordas, em um desenho que combina grade urbana com avenidas diagonais, inspirado em exemplos como Barcelona e Washington.
Canais tipo Amsterdã, áreas verdes e digital twin em tempo real
A megacidade de 30 bilhões foi apelidada de “Amsterdã da Ásia Central” por causa da rede de canais que corta todo o plano urbano e permite atravessar parques e bairros seguindo apenas margens d água, sem tocar grandes avenidas.
Aproximadamente 23 por cento da área total será destinada a espaços verdes públicos, sem contar pátios privados e campi universitários que também terão metas ambientais próprias.
No plano tecnológico, a Nova Tashkent será monitorada por um gêmeo digital completo, um modelo virtual que replica em tempo real cada rua, prédio, tubulação e infraestrutura.
Esse sistema permitirá detectar enchentes, falhas na rede de água e problemas de mobilidade logo no início, ajustando intervenções antes que os danos se tornem milionários.
A promessa é que a megacidade de 30 bilhões seja gerida como um organismo vivo, com dados atualizados e decisões rápidas sobre transporte, drenagem e energia.
Torres gêmeas gigantes e investimentos bilionários em energia limpa
A peça central do skyline será um par de torres gêmeas com 575 metros de altura, projetadas para figurar entre os seis edifícios mais altos do mundo quando concluídas.
Ao lado delas, o Centro Alisher Navoi, desenhado por um escritório internacional, combina tijolos produzidos localmente com sistemas de ventilação inspirados em torres de vento tradicionais da Ásia Central, reinterpretadas com engenharia contemporânea.
O investimento em lazer inclui ainda um parque aquático e complexo turístico estimado em 250 milhões de dólares, voltado a moradores e visitantes estrangeiros.
Na infraestrutura energética, a megacidade de 30 bilhões aposta em matriz 100 por cento renovável, com cerca de 400 megawatts em usinas solares, 1.200 megawatts em hidrelétricas modernizadas e caldeiras trigeracionais que queimam resíduos de algodão para gerar, simultaneamente, eletricidade, aquecimento e resfriamento urbano.
Empregos, universidades e a tentativa de reverter a crise de jovens sem trabalho
O Uzbequistão enfrenta uma crise silenciosa de emprego juvenil: quase 55 por cento dos jovens concluem a escola e, em seguida, não conseguem vaga em universidade nem trabalho formal, enquanto cerca de 90 mil graduados universitários já formados não encontram ocupação na própria área de estudo.
A cada ano, outros 250 mil cidadãos atingem a idade ativa, mas a economia aumenta o número de vagas em ritmo aproximado de apenas 1 por cento ao ano.
A aposta da Nova Tashkent é que a megacidade de 30 bilhões funcione como válvula de escape para essa pressão demográfica.
O projeto prevê campus universitários inteiros construídos do zero, com dormitórios, salas de aula e laboratórios prontos para receber estudantes a partir de 2027, além de novos ministérios e empresas de tecnologia e serviços fincado sede na nova área.
A ideia é transformar terras agrícolas vazias em polo de empregos qualificados, serviços urbanos e indústria criativa, reduzindo a necessidade de emigração de jovens.
A corrida contra o relógio da água em uma região sob estresse hídrico extremo
Por trás do plano ambicioso, há um risco estrutural: o Uzbequistão é um dos países mais afetados por estresse hídrico no mundo, com a maior parte dos recursos de água doce já comprometida com a agricultura e parte significativa do abastecimento controlada fora de suas fronteiras.
Estudos internos projetam que, até 2030, o déficit pode chegar a 15 bilhões de metros cúbicos, volume suficiente para abastecer uma megacidade global por anos.
Transformar 25 mil hectares de terras agrícolas em tecido urbano compacto exige redes de água potável, esgoto, irrigação de parques e manutenção de canais que lembram Amsterdã, tudo isso em uma região semiárida.
A questão é se a megacidade de 30 bilhões conseguirá equilibrar ambição urbana, consumo de água, energia renovável e proteção ambiental em um cenário de escassez crescente, sem gerar nova crise social ou ecológica no coração da Ásia Central.
Com tanto dinheiro, tecnologia e risco envolvidos para tirar do papel essa megacidade de 30 bilhões no Uzbequistão, você acha que o projeto pode realmente transformar a região em nova potência ou tende a virar um símbolo caro de ambição difícil de sustentar?
Falou 30 bilhões, bilhões de vezes, 30B do que? Que ridículo!!!
Que matéria ruim ..cidade de 30 bilhões …bilhões do que ??????kkkk