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No interior de Taió, seu Amélio constrói um castelo para homenagear a filha: 5 andares, símbolos egípcios, antigas relíquias e detalhes em “32” viram atração de memória no Alto Vale do Itajaí

Escrito por Carla Teles
Publicado el 31/01/2026 a las 10:55
No interior de Taió, seu Amélio constrói um castelo para homenagear a filha 5 andares, símbolos egípcios, antigas relíquias e detalhes em “32” viram atração de memória (2)
Em Taió, pai constrói um castelo; o castelo no interior de Taió no Sítio Santa Matilde, no Alto Vale do Itajaí, nasceu para homenagear a filha.
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No Alto Vale do Itajaí, seu Amélio constrói um castelo de 5 andares com símbolos egípcios, relíquias antigas e detalhes ligados ao número 32 para manter viva a história da filha Bianca e preservar as raízes da família no Sítio Santa Matilde

Perder um filho é atravessar um tipo de silêncio que não tem nome. No interior de Taió, em Santa Catarina, seu Amélio, hoje com 82 anos, encontrou um jeito muito próprio de lidar com essa dor. Depois da morte da filha mais velha, Bianca, em um acidente de carro aos 32 anos, ele decidiu que não deixaria a memória da “flor da casa” se dissolver no tempo. Em vez disso, constrói um castelo em plena área rural, uma torre que se ergue no meio de criação de gado e reflorestamento como um monumento de saudade, fé e história.

Inspirado em uma construção de Montreal, no Canadá, que conheceu em reportagem, seu Amélio repetia para si mesmo que não era milionário, mas podia erguer uma versão em miniatura. O que começou como um gesto íntimo para lembrar a filha acabou virando uma atração curiosa no Alto Vale do Itajaí, onde cada detalhe do castelo, por dentro e por fora, carrega um símbolo, uma história e um pedaço da vida da família.

Um castelo ergueu-se da dor: a filha, o número 32 e a ideia de memória

Em Taió, pai constrói um castelo; o castelo no interior de Taió no Sítio Santa Matilde, no Alto Vale do Itajaí, nasceu para homenagear a filha.

Bianca era a filha mais velha, a “cereja do bolo” da família. Casada, feliz, com 32 anos, saiu de férias para a praia com o marido e não voltou. O acidente que tirou a vida dela levou seus pais ao fundo do poço, como seu Amélio diz sem rodeios.

Daquele luto profundo nasceu a decisão que guiaria os anos seguintes: constrói um castelo para que, enquanto ele e dona Ivoni viverem, a lembrança da filha tenha um lugar concreto onde morar.

As fotos da construção mostram o início em 2004. Por fora, a torre em forma de castelo contrasta com o entorno rural.

Por dentro, tudo foi pensado para que a idade da filha ficasse marcada para sempre. Bianca tinha 32 anos, e o número 32 virou um eixo invisível da arquitetura.

O castelo do número 32: ciprestes, pedras, degraus e altura

O castelo tem cinco pavimentos, incluindo o terraço, somando cerca de 200 metros quadrados de área construída em blocos de concreto. Mas são os detalhes que revelam a lógica emocional do projeto.

Seu Amélio conta que, em homenagem à idade da filha, plantou 32 ciprestes no caminho da casa. Entre o portão e a entrada, o visitante passa por 32 pedras, da menor para a maior, representando o crescimento de uma pessoa até a vida adulta.

A matemática simbólica continua nas medidas. A casa tem 16 metros de altura, metade de 32, e a escada interna soma 64 degraus, o dobro de 32.

Cada número foi escolhido como forma de gravar a presença da filha no concreto, no chão, no olhar de quem sobe e desce a torre. Não é apenas um prédio diferente. É um raciocínio afetivo transformado em arquitetura.

Dentro do castelo: suítes, cozinha e uma sala só para ela

Video de YouTube

O interior do castelo é formado por suítes, salas e cozinha. O espaço é usado pela família e pelos amigos principalmente nos fins de semana, em momentos de encontro, descanso e convivência.

Logo na entrada, porém, há um ambiente que se destaca de todos os outros: uma sala especialmente dedicada à filha.

É ali que seu Amélio e dona Ivoni gostam de entrar para meditar, pensar e conversar com Bianca em pensamento.

A sala tem um texto que funciona quase como uma carta eterna, agradecendo pelas lembranças e se despedindo da filha que marcou a história da casa.

Mais do que um cômodo, o espaço virou um altar íntimo da família, onde saudade e gratidão se encontram.

Do sítio à loja de autopeças: o homem que constrói um castelo e coleciona histórias

Para erguer tudo isso, não bastou emoção. Foi preciso uma vida inteira de trabalho. Filho de produtores rurais, criado na roça em uma família de dez irmãos, seu Amélio sempre dividiu o tempo entre o campo e a cidade.

Ao longo da vida, conciliou as atividades do sítio com a venda de autopeças, negócio que ajudou a garantir estabilidade financeira para a família e possibilitou investimentos como o castelo.

No Sítio Santa Matilde, batizado em homenagem à mãe, ele reúne lembranças de muitas décadas. Panelas antigas usadas para cozinhar para a família, um canivete e uma navalha do pai, moedas guardadas como relíquias, peças que carregam não só a função original, mas o peso da memória de quem veio antes. Em cada canto do castelo, em cada prateleira, há um objeto com história e alguém para ser lembrado.

Antiguidades, viagens e um castelo que também é museu de família

Em Taió, pai constrói um castelo; o castelo no interior de Taió no Sítio Santa Matilde, no Alto Vale do Itajaí, nasceu para homenagear a filha.

Ao subir as escadas do castelo, aparecem novos capítulos dessa coleção de memórias. Fotos tiradas com telescópio, registros de viagens, pequenas homenagens a personagens históricos.

Em uma das paredes, por exemplo, está Ataualpa, último imperador dos incas, lembrado ali por ter sido brutalmente assassinado pelos conquistadores.

Ao lado, uma espada remete às casas antigas em que o morador mantinha a arma junto à porta, pronto para se defender em caso de invasão noturna.

O castelo que seu Amélio constrói não é só uma homenagem à filha, mas também uma janela para a forma como ele enxerga o passado: um conjunto de histórias que precisam ser contadas e preservadas.

Na cozinha, outra lembrança forte. Uma gaitinha de boca, instrumento simples que marcou a infância de seu Amélio.

Ele foi criado por uma tia que gostava de tocar à noite, enquanto as crianças adormeciam. Quando essa tia faleceu e a família perguntou o que ele queria ficar de herança, a resposta foi direta.

Nada de patrimônio, casas ou terras. Ele pediu apenas a gaitinha, que hoje ocupa lugar de destaque no castelo.

O minarete, o Egito e a linha de água que sai em Buenos Aires

Lá no alto, o castelo tem um minarete, inspirado nas construções do Egito e de outros lugares. Seu Amélio explica que nessas torres ficava o responsável por vigiar o entorno e soar avisos com uma corneta, conforme o tipo de situação.

Do alto, é possível enxergar a linha divisora de águas do Vale do Itajaí, um recorte geográfico que ele conhece de cor. A água que cai ali escorre para o rio Canoas, depois segue para o rio Pelotas e, mais adiante, para o rio Uruguai.

O trajeto continua até desaguar entre Montevidéu e Buenos Aires. Para quem constrói um castelo cheio de significado, até a chuva tem um destino que merece ser contado.

Miniatura de pirâmide e a paixão pela história do Egito

Em Taió, pai constrói um castelo; o castelo no interior de Taió no Sítio Santa Matilde, no Alto Vale do Itajaí, nasceu para homenagear a filha.

Quando o assunto é Egito, seu Amélio se empolga. Cita as pirâmides de Quéops, Quéfren e Miquerinos, fala da quarta dinastia, lembra que a grande pirâmide teria sido construída com milhões de blocos de pedra ao longo de décadas de trabalho.

Não por acaso, no sítio ele também ergueu uma miniatura de pirâmide, em escala reduzida, para homenagear essa engenharia antiga que tanto o fascina.

Ele compara a estrutura monumental original com a sua versão em miniatura, brinca com números de altura, peso e toneladas, e mostra como, em sua visão, a história do mundo e a história da família se cruzam na mesma paisagem rural de Taió. O castelo, a pirâmide e os símbolos egípcios funcionam como pontes entre tempos diferentes.

Um casamento de quase 60 anos e um sítio cheio de raízes

Além do castelo que constrói e das relíquias que guarda, seu Amélio também gosta de falar sobre o casamento com dona Ivoni.

Eles estão juntos há quase 60 anos, um tempo que ele compara com a forma como antigamente se enxergava família, compromisso e união.

Enquanto hoje muitos casais apenas se juntam, separam e seguem caminhos distintos, ele conta que, para a geração dele, o casamento era visto como algo mais sagrado, que exigia persistência e cuidado.

Quase seis décadas depois, o castelo, o sítio e as histórias contadas nos cômodos e no galpão são testemunhas dessa vida compartilhada.

No terreno, há horta, galpão e mais curiosidades. Um dos destaques é um trator antigo da John Deere, modelo usado na década de 1940, época de guerra, quando máquinas eram ligadas no tranco.

No mesmo espaço, uma moenda de 1901 serve de lembrete de como se fazia farinha e se espremia torresmo para tirar banho de porco. Pilão com mais de 100 anos, carretão para puxar madeira, pedaços de trilho de trem moldados a marretadas.

Cada peça tem história, localização anterior e nome de quem usou. Em um momento, seu Amélio explica até por que o carro de boi tinha rodas da altura do dono.

Era uma forma de proteção contra assaltos, usando a própria roda como escudo quando o transporte trazia ouro e pedras preciosas.

Um lugar íntimo, mais memória do que atração turística

Em Taió, pai constrói um castelo; o castelo no interior de Taió no Sítio Santa Matilde, no Alto Vale do Itajaí, nasceu para homenagear a filha.

Apesar de tanta curiosidade reunida, o Sítio Santa Matilde não está aberto à visitação pública por enquanto. O castelo que constrói, as antiguidades e as paisagens servem principalmente para momentos mais reservados.

O próprio dono conta que gosta de sentar, ler um livro, receber amigos da terceira e quarta idade para conversar, contar causos e revisitar lembranças.

Não é um ponto turístico oficial. É, antes de tudo, um espaço de memória, onde saudade da filha, orgulho da família e paixão pela história se misturam.

O castelo que nasceu de uma dor profunda acabou se tornando também um arquivo vivo de tudo o que essa família viveu, acreditou e guardou.

No fim, o passeio pelo Ribeirão do Ouro, em Taió, deixa um sentimento duplo. De um lado, a saudade de Bianca, que motivou o pai a erguer uma torre inteira em sua homenagem.

De outro, a sensação de que, em meio a tantas perdas, ainda há quem transforme dor em criação, lembrança em arquitetura e passado em conversa boa de fim de tarde.

E você, se estivesse no lugar de seu Amélio e pudesse escolher uma forma concreta de homenagear alguém que marcou sua vida, constrói um castelo, guardaria objetos especiais ou escolheria outro jeito de eternizar essa memória?

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Carla Teles

Produzo conteúdos diários sobre economia, curiosidades, setor automotivo, tecnologia, inovação, construção e setor de petróleo e gás, com foco no que realmente importa para o mercado brasileiro. Aqui, você encontra oportunidades de trabalho atualizadas e as principais movimentações da indústria. Tem uma sugestão de pauta ou quer divulgar sua vaga? Fale comigo: carlatdl016@gmail.com

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