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Nuvem girando como redemoinho aparece em SC, assusta moradores, parece tornado à distância, mas não toca o solo, enquanto granizo grande, raios e temporais violentos explodem pelo estado no mesmo dia

Publicado el 01/02/2026 a las 23:05
Temporais em Santa Catarina formam nuvem funil sobre Bom Retiro, com granizo e risco de tornado, enquanto tempestades severas avançam pelo estado.
Temporais em Santa Catarina formam nuvem funil sobre Bom Retiro, com granizo e risco de tornado, enquanto tempestades severas avançam pelo estado.
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Em Bom Retiro, uma nuvem funil com rotação visível surpreendeu moradores e gerou dúvidas sobre tornado, mas não tocou o solo. No mesmo sábado, temporais castigaram o leste catarinense com raios, granizo severo e chuva intensa, favorecidos por calor, umidade e baixa pressão, segundo a Defesa Civil em pontos isolados.

Os temporais que avançaram por Santa Catarina no sábado (31) ganharam um “personagem” que costuma assustar mesmo quem está acostumado a verão instável: uma nuvem funil girando sobre Bom Retiro, no Planalto Sul, com cara de tornado vista à distância e rotação bem marcada nas imagens.

Enquanto a nuvem chamava atenção pelo formato, outras áreas do estado encaravam o pacote completo de tempestade severa, com muito raio, pancadas intensas, vento e episódios de granizo que cobriram chão e estradas em poucos minutos, reforçando como um mesmo dia pode alternar calmaria e caos meteorológico.

O que apareceu em Bom Retiro e por que não foi tornado

Foto: Defesa Civil

A imagem que circulou de Bom Retiro é típica de uma nuvem funil, também chamada de nuvem tuba: uma “coluna” de nuvens que desce da base da tempestade e mostra rotação visível. O detalhe decisivo para separar susto de desastre é simples, mas essencial: ela não encostou no solo.

Sem contato com o chão, não há tornado confirmado. Isso explica por que, apesar do medo, não houve registro de danos e também não surgiram indícios clássicos de vento extremo “riscando” a superfície, como marcas no terreno ou destruição em faixa.

Em termos práticos, o fenômeno ficou no céu, impressionante, mas sem a assinatura de impacto que caracteriza um tornado.

A rotação que denuncia uma tempestade mais organizada

A Defesa Civil destacou que a rotação vista nas imagens é compatível com a dinâmica de uma supercélula, um tipo de tempestade mais intensa e organizada.

Nesses sistemas, o ar ascendente pode manter um núcleo persistente, alimentando a rotação e sustentando estruturas bem definidas o que, para quem observa do chão, parece um “redemoinho” estável no céu.

Isso não significa que toda rotação vira tornado, e nem que todo mundo está em risco imediato. Mas significa que o ambiente estava propício a temporais mais fortes do que uma pancada comum: quando a atmosfera “se organiza”, aumentam as chances de granizo, rajadas e chuva concentrada. O aviso, nesse caso, não é pânico: é atenção.

Por que os temporais explodiram no mesmo dia em Santa Catarina

O cenário descrito para o leste catarinense combina ingredientes clássicos de temporais: calor, alta umidade e a atuação de uma área de baixa pressão, somados a ventos mais intensos em diferentes níveis da atmosfera.

Esse conjunto favorece a rápida intensificação das nuvens, porque a energia disponível para a convecção aumenta e o sistema consegue “respirar” e crescer mais rápido.

Na prática, o resultado costuma aparecer em sequência: primeiro, nuvens com desenvolvimento vertical acelerado; depois, muitos raios e pancadas fortes; e, em células mais severas, granizo e vento.

O ponto-chave é que esse tipo de tempestade não precisa “tomar o estado inteiro” para causar transtorno: ela pode ser muito intensa em áreas pequenas, deixando um bairro debaixo d’água e outro, a poucos quilômetros, quase seco.

Granizo no Vale do Itajaí: quando a tempestade vira “pedra no chão”

No interior de Luiz Alves e Apiúna, no Vale do Itajaí, a tarde foi marcada por queda intensa de granizo. Registros de moradores mostraram pedras maiores do que o comum e acúmulo cobrindo ruas, áreas rurais e propriedades um sinal de que a nuvem teve força para sustentar gelo dentro dela por tempo suficiente para as pedras crescerem.

Granizo assim tende a aparecer quando a tempestade tem correntes ascendentes vigorosas, capazes de manter os fragmentos de gelo “subindo e descendo” dentro da nuvem, acumulando camadas.

Mesmo quando não há confirmação imediata de danos, o episódio serve como alerta: granizo severo pode atingir telhados, veículos, plantações e rede elétrica com impacto direto na rotina, especialmente quando cai de forma concentrada.

O radar de Lontras e o que a leitura de 40 dBZ sugere

Na região de Luiz Alves, dados do radar meteorológico de Lontras indicaram intensificação rápida por volta de 16h40, com valores acima de 40 dBZ. Em linguagem simples, o dBZ é uma medida de “força do retorno” do radar: quanto maior, mais intensa tende a ser a precipitação detectada e, em situações específicas, pode estar associado a núcleos capazes de produzir granizo.

O dado não é um “selo de desastre”, mas funciona como pista técnica de que o temporal ganhou estrutura e intensidade em pouco tempo. É justamente esse comportamento crescer rápido e descarregar rápido que pega moradores de surpresa: quando a tempestade se fortalece em minutos, o intervalo para se proteger, guardar carro ou interromper atividade ao ar livre fica muito pequeno.

Como se proteger quando temporais vêm com raio, vento e granizo

Em dia de temporais, a regra mais valiosa é agir antes do “estouro” do núcleo: se o céu fecha de forma súbita, o vento muda e os trovões se aproximam, reduza exposição e busque abrigo imediatamente. Em casa, fechar janelas, afastar-se de vidros e recolher objetos soltos do quintal diminui risco de estilhaço e de impacto com rajadas.

Se houver raio e granizo, evite áreas abertas, árvores isoladas e estruturas metálicas expostas. No trânsito, a prioridade é segurança: reduza velocidade, aumente distância e procure um local protegido para parar se a visibilidade cair muito.

E, quando a tempestade passa, o cuidado continua: fios caídos, telhas soltas e galhos instáveis são perigos invisíveis após episódios de vento e granizo.

Conclusão: o susto no céu e o recado no chão

A nuvem funil de Bom Retiro mostrou como o céu pode criar imagens que parecem cena de desastre, mesmo sem tocar o solo.

Ao mesmo tempo, os temporais no leste catarinense lembraram que o risco real muitas vezes está no conjunto: granizo, raios, vento e chuva intensa, tudo em sequência, atingindo áreas específicas com força suficiente para virar notícia.

Para muita gente, a diferença entre “foi só um susto” e “virou prejuízo” está em reconhecer sinais, acompanhar alertas locais e não subestimar mudanças rápidas. O céu dá pistas e, em dias assim, cada minuto conta.

Na sua cidade, você já viu uma nuvem funil parecida, ou o susto veio em forma de granizo e vento? Quando os temporais chegam, você confia mais em radar/alerta ou no “olho no céu”? E qual foi a situação mais inesperada que você já viveu com tempestade em Santa Catarina?

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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