A integração do sistema de resfriamento do Grande Colisor de Hádrons à rede urbana de Ferney-Voltaire permite o reaproveitamento de até 5 megawatts de calor residual, abastecendo milhares de residências, reduzindo emissões de CO2 e ampliando a eficiência energética do CERN
O acelerador de partículas mais potente do mundo começou a fornecer aquecimento para residências e empresas na França desde meados de janeiro, ao integrar seu sistema de resfriamento a uma rede urbana, reduzindo emissões de CO2 e a dependência de fontes energéticas tradicionais.
O Grande Colisor de Hádrons (LHC), operado pelo CERN, passou a abastecer a cidade francesa de Ferney-Voltaire nas últimas duas semanas, após a ativação de um sistema de troca de calor conectado ao anel subterrâneo de 27 quilômetros do acelerador.
Sistema de troca de calor conecta o acelerador à rede urbana
A iniciativa tornou-se possível após a ativação de um novo sistema que captura a água aquecida dos circuitos de resfriamento do LHC. Esses circuitos são essenciais para manter a operação segura dos equipamentos ao longo do anel de 27 quilômetros.
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A água utilizada para resfriar os sistemas absorve calor durante a circulação pelos equipamentos. Tradicionalmente, esse calor seria dissipado na atmosfera por meio de torres de resfriamento antes da reutilização da água no sistema.
Com o novo arranjo, a água aquecida passa inicialmente por dois trocadores de calor com capacidade de cinco megawatts cada, que transferem energia térmica para a rede de aquecimento urbano de Ferney-Voltaire, inaugurada em 12 de dezembro.
Ponto 8 do LHC viabiliza a conexão com Ferney-Voltaire
O LHC possui oito pontos de superfície distribuídos ao redor de seu anel subterrâneo. O chamado Ponto 8, localizado na fronteira franco-suíça, próximo à vila de Prévessin-Moëns, foi escolhido como elo do sistema.
Esse ponto está situado a cerca de 2,7 quilômetros da cidade de Ferney-Voltaire e concentra instalações criogênicas que necessitam de resfriamento constante com água, criando condições adequadas para a recuperação térmica.
O edifício do Ponto 8 abriga a ligação entre o sistema de troca de calor do CERN e a rede de aquecimento da nova área comercial e residencial da cidade francesa, permitindo o fornecimento contínuo de energia térmica reaproveitada.
Fornecimento de até 5 MW e impacto durante a fase LS3
Como parte da rede urbana, o CERN fornece calor sempre que possível, desde que suas atividades de pesquisa não sejam afetadas. Atualmente, Ferney-Voltaire utiliza até cinco megawatts provenientes do acelerador.
O sistema tem potencial para fornecer o dobro dessa capacidade quando os aceleradores estiverem em pleno funcionamento. Mesmo assim, o fornecimento continuará durante períodos de menor atividade científica.
O momento coincide com a entrada do LHC em sua terceira fase de desligamento prolongado, conhecida como LS3, destinada a grandes atualizações para o futuro LHC de alta luminosidade. Apesar da pausa, vários sistemas no Ponto 8 seguirão sendo resfriados.
Durante a fase LS3, o CERN poderá fornecer entre um e cinco megawatts à rede de aquecimento, com exceção de um período total de cinco meses ao longo de vários anos, garantindo continuidade parcial do abastecimeto térmico.
Estratégia energética prevê economia anual de até 30 GWh
O reaproveitamento do calor residual marca a primeira vez que o LHC, conhecido por colidir prótons a velocidades próximas à da luz, é utilizado como fonte térmica renovável para uso urbano.
Segundo o CERN, o projeto integra uma estratégia mais ampla de eficiência energética alinhada à norma ISO 50001. A organização vem redesenhando sua infraestrutura para capturar e reutilizar calor residual de forma sistemática.
Outras iniciativas incluem o Centro de Dados de Prévessin, equipado com sistema de recuperação de calor que deverá aquecer a maioria de seus edifícios a partir do inverno de 2026/2027.
Há também planos para recuperar o calor das torres de resfriamento do Ponto 1 do LHC, com o objetivo de abastecer edifícios no complexo de Meyrin, ampliando o uso do reaproveitamento energético.
De acordo com o CERN, em conjunto, essas iniciativas permitirão economizar entre 25 e 30 GWh por ano a partir de 2027, representando um avanço relevante na gestão responsável da energia dentro da organização.
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