Antigo símbolo de glamour na floresta, o hotel mais luxuoso da Amazônia, o Tropical de Manaus, está em ampla revitalização pelo Grupo Fametro.
O hotel mais luxuoso da Amazônia, que por décadas recebeu reis, presidentes e estrelas internacionais, entrou em colapso após dívidas milionárias e anos de abandono, mas agora passa por uma restauração de cerca de R$ 250 milhões conduzida pelo Grupo Fametro para devolver o Tropical de Manaus ao turismo de alto padrão a partir de 2025.
A reabertura do hotel está planejada para acontecer em etapas, com as áreas de lazer funcionando antes e a operação completa em julho de 2025, preservando a arquitetura histórica do Tropical de Manaus e acrescentando estrutura moderna com 580 quartos, restaurantes, centro de convenções, piscinas com ondas e um centro de acolhimento de animais, reposicionando o hotel mais luxuoso da Amazônia como referência na região.
A origem do glamour na selva

Nos anos 1970 o hotel mais luxuoso da Amazônia foi inaugurado dentro do mesmo ecossistema da Varig, então a principal companhia aérea do país.
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Era uma estratégia de época conectar aeroporto e hotel de luxo para receber visitantes que vinham de muito longe, em voos longos, para conhecer a Amazônia.
O parentesco com a Varig colocou o hotel no mapa do mundo e fez seus 611 apartamentos viverem lotados. O livro de ouro guardou assinaturas de nomes como Gloria Gaynor, o prêmio Nobel Gabriel García Márquez e vários presidentes brasileiros.
O ponto alto do hotel era mostrar que era possível ter luxo de padrão internacional no meio da floresta. O Tropical de Manaus virou cartão de visitas da Amazônia para autoridades e celebridades. Mas a mesma estrutura que o fez crescer exigia uma receita constante e alta para se manter.
Quando a crise da Varig arrastou o hotel
A mesma Varig que impulsionou o hotel mais luxuoso da Amazônia acabou arrastando o grupo para baixo quando entrou em crise. Penhoras trabalhistas, receitas comprometidas e um faturamento cada vez menor começaram a corroer o gigante da selva.
Parte do faturamento passou a ser penhorada para pagar dívidas antigas, o que reduziu a capacidade do hotel de investir e até de manter serviços. A partir daí o Tropical entrou numa espiral que o levaria ao apagão atual.
Sem caixa, com dívidas crescendo e com uma estrutura muito grande para o momento do turismo na região, o hotel foi perdendo espaço. Luxo sem manutenção vira peso. E foi isso que aconteceu.
Demissões em massa e dívidas trabalhistas

Desde 2011 a administração do hotel não depositava FGTS nem INSS dos funcionários novos. Isso abriu uma ferida trabalhista que não foi fechada.
O quadro de 1.200 empregados foi sendo enxugado até restarem menos de 100 no começo deste ano. Houve onda após onda de demissões, mas sem pagamento de verbas rescisórias.
A dívida trabalhista sozinha pode chegar a 20 milhões de reais.
Esse desmonte atingiu também a economia local. Com o fechamento do Tropical aumentou em um terço o número de postos de trabalho perdidos na hotelaria de Manaus.
Um equipamento turístico daquele porte, quando para, não afeta só o dono, afeta fornecedores, ex-funcionários e toda a cadeia que vivia dos eventos e das hospedagens.
A cidade que cabia dentro do hotel

O hotel mais luxuoso da Amazônia não era só um prédio bonito. Eram mais de 200 mil metros quadrados. O hóspede encontrava shopping com marcas famosas, quadras de tênis, ginásio esportivo, parque aquático com piscina de ondas, bares, churrascarias e até um zoológico interno com animais amazônicos. No auge havia mais de 200 bichos, alguns ameaçados de extinção, mantidos dentro da área do hotel.
Com seis meses sem luz os longos corredores viraram túneis escuros. O que antes eram salões iluminados de réveillon, shows e bailes virou cenário fantasmagórico.
O hotel passou a criar suas próprias lendas porque está vazio, silencioso e enorme.
O luxo das autoridades ficou preso no tempo
Uma das joias do hotel mais luxuoso da Amazônia era a suíte presidencial, com mais de 300 metros quadrados, escritório, sala de jogos, bar, sauna seca e úmida e terraço com piscina privativa. Era ali que presidentes, autoridades estrangeiras e figuras da realeza se hospedavam com conforto e discrição. Tudo isso agora está fechado, como se alguém tivesse pausado o tempo.
Ex-funcionários que passaram 20 ou 30 anos ali relatam tristeza ao ver o prédio parado e sem hóspedes. Muitos deles não receberam rescisão.
Muitos já têm mais de 50 ou 60 anos e dificilmente vão conseguir uma vaga equivalente. O hotel que encantou hóspedes do mundo inteiro não conseguiu proteger quem o fez funcionar.
Por que o hotel parou de vez

A sequência que levou ao fechamento do hotel mais luxuoso da Amazônia é clara. Primeiro a crise do grupo ligado à Varig puxou receita para pagar dívidas.
Depois as penhoras trabalhistas comprometeram o faturamento. Em seguida veio a inadimplência com FGTS e INSS.
Com menos funcionários, menos serviços e mais dívidas, o hotel perdeu competitividade. Quando a energia foi cortada em maio, por causa de contas atrasadas que somavam mais de 20 milhões de reais, o hotel simplesmente não tinha mais como operar.
Sem luz não há como receber hóspedes, manter piscina, climatização, segurança, cozinha e eventos. O apagão foi o golpe final em uma crise que já durava anos.
Ainda dá para reabrir?
O administrador da massa falida disse que o hotel pode reabrir se aparecer um investidor disposto a pagar os cerca de 200 milhões de reais em que o empreendimento foi avaliado.
A ideia seria recuperar o prédio e recolocá-lo na rota turística, porque o local ainda é estratégico.
Mas um equipamento desse tamanho precisa de capital alto e de gestão profissional, moderna e transparente para não repetir o passado. É possível reerguer o ícone, só não é barato nem rápido.
O que a história do Tropical ensina

O caso do hotel mais luxuoso da Amazônia mostra que tamanho, fama e lista de celebridades não blindam um negócio de má gestão e de dívidas.
Mostra também que o turismo de alto padrão na região precisa estar ligado a uma estrutura financeira sólida.
O Tropical de Manaus foi por quatro décadas o rosto elegante da floresta para reis, presidentes e artistas, mas acabou vencido por dívidas, por um modelo antigo e por um processo de falência que ignorou quem trabalhava lá.
Como o hotel está hoje em 2025?
Em 2025 o hotel mais luxuoso da Amazônia vive outra fase. O antigo Tropical de Manaus foi arrematado pelo Grupo Fametro em 11 de novembro de 2020 e está passando por uma revitalização ampla, com investimento estimado em 250 milhões de reais e geração de mais de 700 empregos diretos desde o início das obras em 2021.
A proposta é reabrir o complexo em julho de 2025 sob a bandeira Tribute Portfolio Hotel, da Marriott International, preservando as características históricas do prédio mas entregando um produto moderno, com 580 quartos de várias categorias, cinco restaurantes, centro de convenções, duas piscinas com ondas, cais para receber embarcações e até um centro de acolhimento de animais no lugar do antigo zoológico.
A expectativa divulgada pelo próprio hotel é de reabertura parcial já em 2024, com áreas de lazer funcionando, e operação completa em 2025, o que pode recolocar Manaus novamente no mapa do turismo de alto padrão.
Você acha que o Tropical de Manaus deve ser recuperado no mesmo porte de antes ou o modelo precisa ser menor e mais moderno para funcionar hoje?

O Grupo Tropical pertencia a Varig e faliu junto com ela
Já tive o prazer de me hospedar ai
Morei em Manaus por 22 anos. Era na época um ponto turístico e passa tempo. Tinha até máquinas de jogos eletrônicos. Mesmo que uma pessoa estivesse em outro hotel, mesmo assim esse turista terminava por visitar o Tropical Hotel. Inclusive passei um Natal neste Hotel. Era cobrado em dólares. Para nós não Era estranho, até porque tudo em Manaus era em dólar por ser Zona Franca. Inclusive me hospedei no Tropical de Boa Vista RR e Tropical de Santarém no Pará, era todos da Varig. Tempos bom e muita saudade da Varig. Jantei muitas vezes no hotel. Tudo que era da Varig era bonito. Vou torcer pra se erguer novamente. Há sociedade Manuara sempre visitava o Tropical.