O dono do Banco Master comprou três jatos de R$ 258 milhões à vista enquanto a PF investigava fraudes bilionárias; prisão e liquidação do banco expõem o esquema
A prisão de Daniel Vorcaro, 42 anos, controlador do Banco Master, expôs não apenas o colapso de uma instituição financeira que enfrentava pressão crescente do Banco Central, mas também um padrão de expansão patrimonial que chamou a atenção da Polícia Federal.
Detido no Aeroporto de Guarulhos na segunda-feira (17), quando tentava embarcar em um jato particular, o empresário passou imediatamente a figurar como o principal alvo da Operação Compliance Zero, investigação que apura uma fraude bilionária envolvendo títulos de crédito emitidos pelo próprio banco.
Ao mesmo tempo, veio à tona a frota de aeronaves de luxo que Vorcaro comprou à vista nos últimos anos, movimentação que se tornou peça adicional nas suspeitas da PF.
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A frota de jatos milionários adquirida em menos de três anos
Documentos da ANAC mostram que Daniel Vorcaro comprou três jatos executivos entre fevereiro de 2022 e agosto de 2024, desembolsando R$ 258 milhões sem financiamento. Todas as aeronaves foram registradas em nome da Viking Participações Ltda, holding sediada em Belo Horizonte controlada exclusivamente por ele, que possui capital social de R$ 100 milhões.
O fato de nenhum dos jatos estar alienado a bancos reforçou a percepção de que o empresário tinha liquidez incomum para o período.
O jato mais caro é o Gulfstream GV-SP, fabricado em 2010 e adquirido por R$ 120 milhões em junho de 2023. Com autonomia de cerca de 7,8 mil quilômetros e capacidade para 20 ocupantes, é uma aeronave projetada para voos intercontinentais sem escalas. Segundo a PF, era esse o avião que Vorcaro usaria para voar da Grande São Paulo até Malta, no sul da Europa, quando foi detido.

A autonomia do modelo torna possível viagens como Belo Horizonte até Lisboa sem paradas, o que reforçou a suspeita de tentativa de fuga.
Outro jato comprado pelo empresário é o Dassault Falcon 7X, avaliado em R$ 116,7 milhões e adquirido em agosto de 2024. O modelo possui três motores, autonomia superior a 11 mil quilômetros e sistemas avançados de navegação, sendo utilizado inclusive por forças aéreas de diversos países. A aeronave comporta até 15 passageiros e foi importada de uma empresa especializada em aeronaves de alto padrão do Espírito Santo.
A frota inclui ainda um Dassault Falcon 2000, comprado por R$ 21,3 milhões em fevereiro de 2022. Com autonomia de 7,4 mil quilômetros e capacidade para 21 pessoas, é o mais versátil dos três jatos. Apesar de ser o modelo mais barato da frota, ainda representa um ativo relevante dentro do mercado de aviação executiva.

Todas as aeronaves estavam operando exclusivamente pela Viking, sem aluguel para táxi aéreo, o que evidencia uso pessoal e corporativo direto pelo empresário.
O avanço da investigação e a operação que levou à prisão de Vorcaro
A Operação Compliance Zero foi deflagrada pela Polícia Federal para investigar a emissão de títulos de crédito falsos pelo Banco Master. De acordo com a PF, a instituição oferecia CDBs e outros papéis estruturados que prometiam remunerações até 40 por cento acima das taxas do mercado.
Na prática, parte desses títulos não possuía lastro real ou continha informações fraudulentas, o que caracteriza crimes de gestão fraudulenta, gestão temerária, falsidade documental e organização criminosa.
O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmou que os prejuízos investigados podem alcançar R$ 12 bilhões. Sete mandados de prisão e 25 ordens de busca e apreensão foram cumpridos em diversos estados, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Distrito Federal.
O sócio de Vorcaro, Augusto Lima, também foi preso, e o presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, teve bens apreendidos e foi afastado por decisão judicial.
As investigações começaram em 2024 após solicitação do Ministério Público Federal, que tinha indícios de fabricação de carteiras de crédito sem lastro. Essas carteiras foram posteriormente vendidas a outras instituições e, após fiscalização do Banco Central, substituídas por novos títulos igualmente problemáticos.
A PF aponta que havia uma estrutura interna organizada dentro do Banco Master para sustentar a fraude, envolvendo executivos e colaboradores da instituição.
A liquidação extrajudicial do Banco Master e o impacto para investidores
Horas depois da prisão de Vorcaro, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master. A decisão suspendeu de imediato as operações da instituição e tornou indisponíveis os bens dos controladores e ex-administradores.
O anúncio ocorreu um dia depois de a Fictor Holding Financeira apresentar uma proposta de compra do banco, operação que previa um aporte emergencial de R$ 3 bilhões supostamente vindo de fundos dos Emirados Árabes Unidos. O negócio precisava de aprovação do Banco Central e do Cade, mas não avançou.
Com a liquidação decretada, investidores com até R$ 250 mil em produtos cobertos pelo FGC poderão solicitar ressarcimento pelo aplicativo do fundo, assim que o cadastro for liberado.
Já quem possui valores acima desse limite dependerá da apuração patrimonial feita pelo liquidante, processo que envolve arrecadação de bens, formação do quadro de credores e conversão de ativos em dinheiro. Não há previsão de prazos ou valores para quem está fora da cobertura do FGC.
O Banco Master foi fundado em 1996 como Banco Investmaster e se reposicionou em 2018 após uma reestruturação que deu origem à marca atual. Atuava com foco em emissão de títulos de crédito, notas promissórias e operações estruturadas, além de manter a Master SA Corretora de Câmbio.
O colapso da instituição, somado às revelações sobre a frota de jatos milionários, adiciona uma nova dimensão às investigações, que agora buscam apurar a origem dos recursos utilizados nas compras de aeronaves e o alcance real do esquema de fraude financeira.
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