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O maior mistério do Big Bang: cientistas dizem que a matéria escura nasceu fervendo, quase à velocidade da luz, e isso pode mudar tudo o que sabemos sobre a origem do Universo

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado el 03/02/2026 a las 21:47
Actualizado el 03/02/2026 a las 21:48
Estudo revela que a matéria escura pode ter se formado quente e rápida, desafiando conceitos tradicionais sobre a origem do universo.
Estudo revela que a matéria escura pode ter se formado quente e rápida, desafiando conceitos tradicionais sobre a origem do universo.
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Estudo de universidades dos Estados Unidos e da França propõe que a matéria escura pode ter se formado em estado ultrarelativístico logo após o Big Bang, durante o reaquecimento pós-inflacionário, sem impedir a formação de galáxias, contrariando modelos aceitos há mais de quatro décadas na cosmologia moderna.

Um estudo das universidades de Minnesota Twin Cities e Paris-Saclay sugere que a matéria escura pode ter nascido extremamente quente, quase à velocidade da luz, durante o reaquecimento pós-inflacionário, desafiando décadas de modelos cosmológicos baseados na ideia de matéria escura fria.

Revisão de uma hipótese central sobre a matéria escura

A matéria escura, componente invisível responsável por moldar a estrutura do Universo, é tradicionalmente descrita como fria e de movimento lento desde sua formação. Essa visão sustentou modelos cosmológicos por décadas e influenciou a compreensão sobre a origem das galáxias.

Pesquisadores das universidades de Minnesota Twin Cities e Paris-Saclay questionaram essa premissa ao analisar a formação da matéria escura em um período inicial específico do cosmos. O trabalho foi publicado na Physical Review Letters, revista da Sociedade Americana de Física.

Os autores propõem que a matéria escura pode ter se formado em um estado ultrarelativístico, extremamente quente, sem impedir a formação posterior de estruturas cósmicas em grande escala.

Por que a matéria escura era considerada fria

Durante muitos anos, acreditou-se que a matéria escura precisava ser fria no momento em que se desacoplou da radiação do Universo jovem.

Esse processo é conhecido como congelamento e ocorre quando partículas deixam de interagir intensamente com outras formas de energia.

A hipótese baseava-se no argumento de que partículas rápidas demais alisariam as flutuações de densidade, impedindo o surgimento de galáxias. Esse entendimento orientou a rejeição de candidatos considerados quentes à matéria escura.

Para testar essa ideia, o novo estudo analisou o comportamento da matéria escura durante o reaquecimento pós-inflacionário, fase que sucedeu a inflação cósmica e marcou a rápida criação de energia e partículas no Universo primitivo.

Lições dos neutrinos e das teorias iniciais

Keith Olive, professor da Escola de Física e Astronomia, relembra que neutrinos de baixa massa foram descartados como candidatos à matéria escura há mais de 40 anos. Segundo ele, partículas desse tipo destruiriam estruturas galácticas em vez de favorecer sua formação.

Os neutrinos tornaram-se o principal exemplo do que se chamou matéria escura quente, reforçando a dependência da cosmologia em modelos de matéria escura fria. Essa distinção moldou teorias e experimentos ao longo de décadas.

O novo trabalho, porém, mostra que partículas produzidas em condições específicas podem esfriar com o tempo. Se geradas durante o reaquecimento, elas teriam espaço suficiente para perder energia à medida que o Universo se expandia.

Como a matéria escura quente pode se tornar funcional

O estudo indica que a matéria escura pode se separar de outras formas de matéria ainda em estado ultrarelativístico. Mesmo assim, esse material conseguiria esfriar antes do início da formação das galáxias.

Segundo os autores, o fator decisivo é o momento da produção dessas partículas. O reaquecimento pós-inflacionário fornece uma janela temporal ampla para que a matéria escura reduza sua energia cinética gradualmente.

Stephen Henrich, principal autor do artigo, afirma que a suposição de que a matéria escura precisa nascer fria dominou a pesquisa por cerca de quatro décadas. Os resultados mostram que essa exigência não é obrigatória para a formação de estruturas cósmicas.

Implicações e próximos passos da pesquisa

A equipe pretende avançar na identificação de formas de detectar esse tipo de matéria escura. As estratégias incluem experimentos diretos com aceleradores de partículas e métodos indiretos baseados em observações cosmológicas.

Yann Mambrini, professor da Universidade Paris-Saclay e coautor do estudo, destaca que as novas conclusões permitem investigar um período da história do Universo muito próximo ao Big Bang, ampliando o alcance da cosmologia experimental.

A pesquisa foi financiada pelo programa Horizonte 2020 da União Europeia, no âmbito da bolsa Marie Sklodowska-Curie. O artigo de referência, intitulado “Ultrarelativistic Freeze-Out: A Bridge from WIMPs to FIMPs”, foi publicado em 24 de novembro de 2025, com DOI 10.1103/zk9k-nbpj, consolidando uma nova linha de investigação sobre a origem da matéria escura e do Universso primitivo.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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