Um novo trecho rodoviário previsto para a Serra do Mar promete alterar a dinâmica logística entre capital e litoral e reacende discussões ambientais enquanto avança em planejamento.
O estado de São Paulo prepara uma das obras rodoviárias de maior escala dos últimos anos: a terceira pista da Rodovia dos Imigrantes, com um novo traçado de serra de cerca de 21,5 quilômetros e aproximadamente 17 quilômetros em túneis sob a Serra do Mar.
Orçado em torno de R$ 6 bilhões, o projeto deve ampliar em cerca de 25% a capacidade do Sistema Anchieta-Imigrantes e em aproximadamente 145% a descida de veículos pesados em direção ao Porto de Santos, considerado um dos principais eixos das exportações brasileiras.
Ao mesmo tempo, o empreendimento reacende o debate sobre os impactos de infraestrutura em áreas preservadas da Mata Atlântica.
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Serra do Mar e pressão crescente sobre a ligação capital–litoral
Desde meados do século passado, a ligação entre a capital paulista e o litoral se tornou um dos pilares da economia nacional.

A Via Anchieta, inaugurada em 1947, foi a primeira grande rodovia a vencer a Serra do Mar e sustentou durante décadas o crescimento industrial de São Paulo e a consolidação de Santos como porto de referência no país.
Com o avanço da industrialização, o aumento da frota e a expansão do porto, a Anchieta passou a operar próxima ao limite.
A Rodovia dos Imigrantes foi então planejada como alternativa com características técnicas mais atuais, incluindo traçado adaptado ao relevo e maior capacidade.
A nova via redistribuiu o tráfego, influenciou o turismo na Baixada Santista e contribuiu para a fluidez do transporte de cargas.
Com o passar dos anos, porém, a combinação de crescimento portuário, ampliação do polo industrial de Cubatão, aumento do turismo e forte fluxo diário de deslocamentos fez surgir novos gargalos.
Em períodos de alta demanda, como feriados e férias, são registradas operações especiais de subida e descida, além de congestionamentos prolongados, segundo dados operacionais da concessionária.
Traçado da nova pista e principais características técnicas
A terceira pista da Imigrantes foi estruturada para enfrentar essa saturação e oferecer maior previsibilidade ao fluxo logístico entre interior, Região Metropolitana de São Paulo e litoral.

O novo trecho de serra terá cerca de 21,5 quilômetros, sendo aproximadamente 80% em túneis e o restante em viadutos.
Um dos túneis deve atingir cerca de 6 quilômetros, o que, segundo informações técnicas apresentadas pelo governo estadual e pela concessionária, pode torná-lo o maior túnel rodoviário em operação no Brasil.
O traçado foi desenvolvido com foco em eficiência operacional.
A pista contará com duas faixas e um acostamento com possibilidade de uso reversível.
A inclinação média projetada, em torno de 4%, foi planejada para garantir descida contínua e com menor exigência de frenagem para veículos pesados.
Pelo projeto funcional, o acesso ocorrerá no km 43 da Rodovia dos Imigrantes (SP-160), integrado ao Rodoanel Mário Covas.
No litoral, a conexão será no km 265 da Rodovia Cônego Domênico Rangoni (SP-055), próximo ao polo industrial de Cubatão e a acessos às margens direita e esquerda do Porto de Santos.
Capacidade ampliada e efeitos previstos na logística

Embora a nova pista também receba veículos leves, documentos apresentados ao governo indicam que o dimensionamento prioriza o transporte de cargas.
Estimativas divulgadas por técnicos envolvidos no projeto apontam aumento de cerca de 25% na capacidade total do Sistema Anchieta-Imigrantes e de aproximadamente 145% na descida de caminhões.
A ligação mais direta ao Rodoanel permite rota de escoamento de cargas provenientes de corredores como Régis Bittencourt, Anhanguera-Bandeirantes, Castelo Branco e Dutra.
Isso reduz a circulação de veículos pesados por vias urbanas da capital.
Para períodos de grande movimentação turística, a possibilidade de reversão da pista deve ampliar a flexibilidade operacional, segundo a concessionária.
A estratégia é semelhante às operações já adotadas no sistema atual, mas com uma via adicional planejada especialmente para absorver variações de demanda.
Cronograma, investimentos e estágio atual do projeto

O governo estadual autorizou a elaboração dos projetos básico e executivo em parceria com a Ecovias, responsável pela concessão.
O projeto funcional foi apresentado e os estudos detalhados de engenharia, geologia e métodos construtivos estão em andamento.
A expectativa informada pelas autoridades estaduais e pela concessionária é concluir a fase de projeto e licenciamento ambiental até meados de 2026.
O início das obras está previsto para o segundo semestre do mesmo ano, caso todas as autorizações sejam concedidas.
A conclusão está estimada para 2031, prazo que considera escavação de túneis, construção de estruturas de emergência, implantação de sistemas de ventilação, drenagem e integração com as pistas já existentes.
O investimento estimado é de R$ 6 bilhões.
Como ocorre em obras dentro de contratos de concessão, a concessionária fará o aporte inicial e poderá solicitar reequilíbrio econômico-financeiro ao Estado conforme regras regulatórias e custos efetivos.
Debate ambiental na Serra do Mar e exigências do licenciamento
A área prevista para a obra inclui trechos preservados da Serra do Mar, o que motivou atenção de órgãos ambientais e de controle.
Por concentrar fragmentos significativos de Mata Atlântica, o traçado será analisado por estudos específicos sobre fauna, flora, mananciais e estabilidade de encostas.
O predomínio de túneis e viadutos foi apresentado como medida para reduzir a supressão de vegetação.
A metodologia segue princípios adotados em outras obras na região, como a ampliação da Rodovia dos Tamoios, segundo informações da própria concessionária.
O Ministério Público de São Paulo abriu inquérito civil para acompanhar o licenciamento, solicitar análises técnicas adicionais e avaliar alternativas de traçado.
A Ecovias afirmou que cumpre as exigências legais e que a redução de impactos ambientais está entre as premissas do projeto.
Só que temos um problema, agiliza a descida da serra e quando chega aqui enagrgala tudo, hj a cônego e a Anchieta ficam travadas no final de tarde, pela manhã no sentido São Vicente e santos também, ah mas vai descer direto na cônego que também trava em época de movimento. Isso td deve ser levado em consideração no estudo.
Precisa fazer um túnel na Mogi Bertioga pra ir até Mogi 40 km está gastando 4 horas uma vergonha ainda maís colocou pedágio uma vergonha para Tarcísio eu apoiava agora reprovo enchendo de pedágio tudo ****
Muito bom para a Baixada Santista.
Governador Tarcísio. O senhor poderia fazer uma ampliação dessas na Rodovia Oswaldo Cruz , SP383 ? A descida e muito perigosa, e a subida também não e fácil.