1. Inicio
  2. / Ciência e Tecnologia
  3. / O mundo opera 16 mil usinas de dessalinização em 177 países que bombeiam 95 milhões de metros cúbicos de água do mar por dia, volume equivalente à metade do fluxo das Cataratas do Niágara, transformando oceanos em água potável para 300 milhões de pessoas
Tiempo de lectura 9 min de lectura Comentarios 0 comentarios

O mundo opera 16 mil usinas de dessalinização em 177 países que bombeiam 95 milhões de metros cúbicos de água do mar por dia, volume equivalente à metade do fluxo das Cataratas do Niágara, transformando oceanos em água potável para 300 milhões de pessoas

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado el 27/02/2026 a las 17:20
O mundo opera 16 mil usinas de dessalinização em 177 países que bombeiam 95 milhões de metros cúbicos de água do mar por dia, volume equivalente à metade do fluxo das Cataratas do Niágara, transformando oceanos em água potável para 300 milhões de pessoas
O mundo opera 16 mil usinas de dessalinização em 177 países que bombeiam 95 milhões de metros cúbicos de água do mar por dia, volume equivalente à metade do fluxo das Cataratas do Niágara, transformando oceanos em água potável para 300 milhões de pessoas
  • Reação
  • Reação
  • Reação
3 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

Quase 16 mil usinas de dessalinização produzem 95 milhões de m³ de água por dia em 177 países. Oriente Médio lidera capacidade global e depende da tecnologia para abastecer mais de 300 milhões de pessoas.

Quase 16 mil usinas de dessalinização operam em 177 países, produzindo 95 milhões de metros cúbicos de água doce por dia. Esse volume equivale a metade do fluxo médio das Cataratas do Niágara e abastece mais de 300 milhões de pessoas. Para nações como Bahamas, Maldivas, Malta, Kuwait, Catar e Bahrein, a dessalinização não é uma alternativa – é a única fonte de água potável que mantém populações inteiras vivas. O Oriente Médio concentra 48% da capacidade global de dessalinização, com a Arábia Saudita produzindo sozinha 15,5% do total mundial. O país opera 25 grandes usinas que geram 5,25 milhões de metros cúbicos por dia, atendendo 70% das necessidades hídricas nacionais. Nos Emirados Árabes Unidos, a dependência chega a 95%, com 35 usinas em operação que receberam investimentos de 40 bilhões de dólares em 2009.

A tecnologia virou questão de sobrevivência em regiões áridas com escassez natural de água doce. Israel obtém 80% de sua água potável através da dessalinização, enquanto Kuwait e Omã dependem respectivamente de 90% e 86% dessa fonte. Essas nações transformaram água do mar em recurso estratégico tão vital quanto petróleo, criando uma infraestrutura gigantesca de tubulações que atravessa centenas de quilômetros de deserto.

Osmose reversa dominou o mercado global e reduziu custos drasticamente

A osmose reversa conquistou 66% da capacidade mundial de dessalinização nos últimos vinte anos. O processo força água do mar através de membranas semipermeáveis sob pressões superiores a 60 bar, retendo sais e impurezas. O resultado é água doce de um lado e salmoura concentrada do outro, com eficiência energética muito superior aos métodos térmicos tradicionais.

Video de YouTube

As maiores usinas do mundo utilizam essa tecnologia de forma massiva. A planta de Taweelah em Abu Dhabi, inaugurada recentemente, produz 909.200 metros cúbicos por dia com capacidade de 200 milhões de galões imperiais diários. A instalação é equipada com painéis solares de 70 megawatts e representa a maior usina de osmose reversa em operação no planeta, três vezes maior que Três Gargantas em volume de produção.

O mundo opera 16 mil usinas de dessalinização em 177 países que bombeiam 95 milhões de metros cúbicos de água do mar por dia, volume equivalente à metade do fluxo das Cataratas do Niágara, transformando oceanos em água potável para 300 milhões de pessoas
O mundo opera 16 mil usinas de dessalinização em 177 países que bombeiam 95 milhões de metros cúbicos de água do mar por dia, volume equivalente à metade do fluxo das Cataratas do Niágara, transformando oceanos em água potável para 300 milhões de pessoas

Os custos caíram 90% desde 1970, tornando a dessalinização viável economicamente. Israel conseguiu reduzir o custo para 58 centavos de dólar por metro cúbico na usina Sorek, que processa 624 mil metros cúbicos diários. Usinas modernas integradas a complexos industriais ou termelétricas aproveitam calor residual e infraestrutura existente, reduzindo ainda mais os gastos energéticos do processo.

China entrou tarde mas avançou rapidamente com tecnologia própria

A China inaugurou em dezembro de 2024 o maior projeto de dessalinização do país no Parque Industrial de Tianjin Nangang. A planta processa 300 mil toneladas de água por dia em sua fase inicial, utilizando tecnologia de dupla membrana desenvolvida nacionalmente. O sistema ampliou a capacidade de dessalinização de um único módulo de membrana para 30 mil toneladas diárias, representando a primeira aplicação mundial dessa escala.

Video de YouTube

O investimento de 1,2 bilhão de yuans trouxe nacionalização completa da construção e controle total sobre a tecnologia. A usina fornece água industrial para grandes empreendimentos incluindo o complexo de produção de etileno de 1,2 milhão de toneladas anuais da China Petroleum & Chemical Corporation. A produção substitui até 50 milhões de toneladas de água doce que seriam extraídas de fontes terrestres já pressionadas.

O gigante asiático representa 7,5% da dessalinização global, concentrando plantas em zonas costeiras de alta industrialização. Pesquisadores chineses observam alterações na fauna bentônica e mudanças na composição química dos sedimentos marinhos em áreas próximas aos emissários submarinos.

O crescimento acelerado do setor na China reflete a urgência hídrica de uma nação com 1,4 bilhão de habitantes e expansão industrial sem precedentes.

Arábia Saudita lidera produção mundial com 20% da capacidade instalada global

A Arábia Saudita opera atualmente 31 plantas dessalinizadoras distribuídas em 17 pontos estratégicos, empregando mais de 10 mil pessoas. A capacidade total de 5,25 milhões de metros cúbicos diários representa 25,9% da dessalinização mundial. O país investiu mais de 24 bilhões de dólares em expansão e construção de novas plantas desde 2009.

Riad, a capital saudita, localiza-se a 400 quilômetros do litoral e depende inteiramente de água transportada por 3.722 quilômetros de tubulações.

A cidade recebe mais de 65% da produção da costa leste, enquanto Jeddah consome mais de 50% da produção da costa oeste. Esse sistema de transporte hídrico em larga escala representa uma das maiores obras de engenharia do Oriente Médio.

Video de YouTube

A primeira usina saudita foi inaugurada em 1907, marcando o início de uma estratégia de longo prazo sem a qual o reino não teria prosperado. Novas plantas em construção incluem projetos em Rabigh, Shuqaiq, Jubail e Jazan, com volumes individuais na casa de centenas de milhares de metros cúbicos diários. A Saudi Water Partnership Company publica planos detalhados com listas de entregas e capacidades futuras.

Salmoura gerada diariamente supera produção de água em 50% e cria passivo ambiental

Para cada litro de água potável produzido, as usinas geram 1,5 litro de salmoura concentrada. Esse rejeito contém o dobro da salinidade natural da água do mar, frequentemente acima de 70 gramas de sal por litro. Globalmente, 142 milhões de metros cúbicos de salmoura são descartados todos os dias, volume suficiente para cobrir toda a Flórida em quase um metro de altura por ano.

A salmoura não é apenas água salgada – carrega resíduos químicos do processo industrial incluindo antiespumantes, agentes de limpeza de membranas, cloro, cobre e biocidas.

Quando descartada no mar, essa solução mais densa afunda formando uma camada próxima ao fundo. Isso reduz a oxigenação, altera o pH local e cria ambientes hostis para organismos bentônicos como moluscos, crustáceos e algas.

Quatro países do Oriente Médio concentram 55% da produção global de salmoura. A Arábia Saudita responde por 22%, Emirados Árabes Unidos por 20,2%, Kuwait por 6,6% e Catar por 5,8%. Plantas do Golfo Pérsico, que operam principalmente com tecnologias térmicas de água do mar, produzem quatro vezes mais salmoura por metro cúbico de água limpa que plantas americanas baseadas em processos de membrana.

Golfo Pérsico sofre impactos mensuráveis com aumento de salinidade e zonas mortas

O Golfo Pérsico é um corpo d’água relativamente raso com renovação lenta. A concentração de usinas de dessalinização na região é tão grande que o impacto cumulativo da salmoura já é mensurável. Estudos regionais apontam aumento gradual da salinidade média do Golfo, redução de oxigênio dissolvido e estresse térmico em recifes de coral, manguezais e comunidades de peixes.

Em áreas próximas a emissários submarinos, a salinidade local pode subir mais de 10% em relação ao nível natural. Pesquisadores observaram a formação de «zonas mortas» onde muito poucos animais marinhos conseguem viver. O aumento da salinidade e da temperatura causa diminuição do conteúdo de oxigênio dissolvido e contribui para ambientes marinhos degradados que afetam a cadeia alimentar inteira.

A geografia agrava o problema dramaticamente. Diferentemente de oceanos abertos onde a salmoura se dilui rapidamente, o Golfo Pérsico tende a acumular os rejeitos.

Organismos bentônicos próximos aos pontos de descarga experimentam estresse osmótico causado pelo excesso de sais no ambiente externo, afetando metabolismo e crescimento. Pequenas mudanças de salinidade de 34 para 35 gramas por litro representam modificações significativas para a maioria das espécies marinhas.

Austrália investiu em energias renováveis mas problema da salmoura persiste mesmo com normas rígidas

A Austrália construiu grandes usinas de dessalinização após longos períodos de seca severa no início dos anos 2000. Cidades como Perth, Melbourne, Sydney e Adelaide garantiram segurança hídrica mesmo em anos de precipitação mínima. A usina de Perth responde por parcela relevante do abastecimento da cidade e é frequentemente citada como modelo de integração com energias renováveis.

Parte significativa da eletricidade usada em Perth vem de fontes eólicas. A planta de Melbourne, segunda maior instalação de osmose reversa no mundo com 450 mil metros cúbicos diários, opera ao lado de um parque eólico construído especificamente para alimentá-la.

Video de YouTube

Essa integração reduziu drasticamente a pegada de carbono do processo, que consome de 3 a 10 quilowatts-hora por metro cúbico produzido.

Mesmo com normas ambientais rigorosas, o descarte contínuo de rejeitos hipersalinos em zonas costeiras sensíveis levanta preocupações. Impactos de longo prazo em ecossistemas marinhos locais, especialmente em regiões de biodiversidade elevada, permanecem sob observação. Cerca de 80% da salmoura mundial é produzida dentro de 10 quilômetros da costa e geralmente descarregada não tratada diretamente de volta ao ambiente marinho.

Soluções incluem extração de minerais mas tecnologias ainda não operam em escala comercial

Pesquisadores e empresas testam caminhos para reduzir ou reaproveitar a salmoura. Entre as abordagens estudadas estão a extração de minerais de valor econômico como magnésio, lítio e potássio, o uso em aquicultura de espécies halotolerantes e a cristalização controlada para produção de sal industrial. A economia circular da salmoura explorando minerais valiosos antes do descarte representa o futuro mais promissor.

Estratégias de mitigação incluem diluição da salmoura com efluentes tratados ou mistura com água do mar antes da descarga. Algumas usinas conseguiram extrair sal para outras finalidades como degelo de estradas. Piscinas de evaporação podem coletar metais como urânio encontrado na salmoura e descartá-los com segurança, mas exigem espaço em áreas áridas.

Tecnologias de dispersão de salmoura mais eficientes melhoram a diluição para reduzir danos imediatos causados pela exposição direta. Sistemas de descarte com zero líquido estão sendo desenvolvidos mas enfrentam custos proibitivos. O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente alerta que impactos cumulativos da salmoura ainda são subestimados, principalmente em regiões onde dezenas de usinas operam simultaneamente.

Problema cresce mais rápido que soluções porque urgência da água supera preocupações ambientais

Diferentemente de vazamentos de óleo ou poluição plástica, os efeitos da salmoura são graduais, submersos e difíceis de observar a olho nu. Muitas usinas operam longe de grandes centros urbanos, reduzindo a percepção direta do impacto. Essa combinação de necessidade extrema e impactos difusos cria um cenário onde o problema cresce mais rápido que as soluções.

Para regiões ameaçadas por escassez hídrica, a dessalinização é vista como solução indispensável. Questionar seus efeitos ambientais muitas vezes soa politicamente como colocar em risco o abastecimento de milhões de pessoas.

Video de YouTube

Globalmente, 80% das águas residuais acabam em mares, rios, lagos e pântanos sem tratamento adequado, incluindo a salmoura tóxica gerada pela dessalinização.

A urgência aumenta com projeções climáticas. A ONU alerta para possível déficit de 40% na oferta global de água até 2030, enquanto a população caminha para 9,7 bilhões em 2050. Países que mais utilizam dessalinização já eram desérticos, mas a iniciativa tornou-se comum entre nações que antigamente usavam apenas água doce como recurso natural. O setor avança mais de 10% ao ano globalmente.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Feedbacks
Visualizar todos comentários
Fuente
Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

Compartir en aplicaciones
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x