Presidente mudou o nome dos meses, fechou todos os hospitais fora da capital e gastou bilhões com mármore em meio à pobreza extrema
Talvez você nunca tenha ouvido falar do Turcomenistão, mas poucas nações no mundo combinam tanta excentricidade política, isolamento informativo e autoritarismo quanto este país da Ásia Central. Isolado geograficamente, governado por líderes de personalidade quase mítica e marcado por decisões estatais sem precedentes, o Turcomenistão é um exemplo extremo de como um país pode ser moldado por vontades individuais.
De proibir cachorros e balés a construir uma capital feita de mármore branco, passando por um presidente que rebatizou todos os meses do ano com nomes pessoais, a história recente do Turcomenistão revela um experimento autoritário que desafia a lógica convencional da diplomacia, da economia e até da cultura.
Um país entre o deserto e o absurdo

Mais da metade do território do Turcomenistão é formado por deserto, e seu símbolo geológico mais famoso é uma cratera em chamas conhecida como “Porta do Inferno” — uma reserva de gás natural que queima há mais de 50 anos.
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O país tem reservas consideráveis de petróleo e gás, mas a maioria da população vive na pobreza, em contraste com o luxo concentrado no entorno do governo central.
Apesar de ter se tornado independente apenas em 1991, o país abriga civilizações milenares e foi rota importante no comércio da Rota da Seda.
Mas seu destaque atual vem das políticas internas que transformaram o Turcomenistão em um caso singular de controle estatal extremo aliado a cultos de personalidade.
Saparmurat: o ditador que rebatizou os meses

O primeiro presidente, Saparmurat Niyazov, se autoproclamou líder vitalício e encheu o país com estátuas, moedas, livros obrigatórios e até tapetes com seu rosto.
Entre suas medidas mais bizarras, proibiu cães, ópera, ballet e circo, e mudou os nomes dos meses do ano com base em familiares e elementos de sua vida pessoal.
Seu livro “Ruhnama” se tornou leitura obrigatória nas escolas e em concursos públicos. Ter acesso a cargos de destaque exigia conhecer os ensinamentos do ditador.
Com sua morte, o culto à personalidade parecia ameaçado, mas o sucessor seguiria uma rota igualmente autoritária.
Hospitais fechados e cães obrigatórios

Com a chegada de Gurbanguly Berdimuhamedov ao poder, o cenário mudou — mas apenas em parte.
Todos os hospitais fora da capital foram fechados, obrigando pacientes a cruzar desertos para conseguir atendimento.
Em compensação, ele derrubou algumas estátuas do antecessor, anulou o calendário personalizado e passou a obrigar a criação de cães, anteriormente proibidos.
A obsessão pelos cães ganhou escala monumental.
Estátuas de cachorros, desfiles com filhotes e até presentes diplomáticos em forma de cães se tornaram marca do novo governo.
Vladimir Putin chegou a receber um filhote como gesto simbólico.
Mármore, cavalos dourados e aeroportos vazios
A capital Ashgabat foi reconstruída com mármore branco, ganhando o título de cidade com mais construções de mármore do mundo.
A estética foi complementada com cavalos dourados da raça Akhal-Teke, símbolo nacional elevado ao status de ícone político.
O país também gastou bilhões em projetos faraônicos: aeroportos subutilizados, arenas esportivas para eventos vazios e obras públicas sem população para ocupá-las.
Em 2020, o Turcomenistão investiu mais de US$ 7 bilhões em artes marciais durante a pandemia, ao mesmo tempo em que proibiu jornalistas e médicos de usarem a palavra «coronavírus».
Uma democracia só no nome
O Turcomenistão não realiza eleições livres, a imprensa é censurada, e os dados populacionais são tratados como segredo de Estado.
Apesar de ter 10% das reservas globais de gás natural, o país enfrenta dificuldades severas para exportar seus recursos por não ter saída para o mar e depender de rotas terrestres por países instáveis como Afeganistão e Paquistão.
Atualmente, 80% do gás turcomano vai para a China, o que cria uma dependência econômica com poucos canais alternativos.
A Índia, por exemplo, permanece inacessível por rotas viáveis, o que trava o crescimento e a diversificação da economia local.
Um Catar que não deu certo?
Com tantas reservas naturais e uma população pequena, o Turcomenistão poderia repetir o sucesso do Catar.
Mas, enquanto o emirado investiu em abertura econômica, infraestrutura portuária e ampliação de renda per capita, o Turcomenistão optou pelo isolamento, censura e gastos simbólicos megalomaníacos.
A população continua empobrecida, vivendo sob uma estética de luxo vazia e um regime autoritário que controla até os hábitos mais íntimos da vida civil.
Você acha que regimes como o do Turcomenistão podem durar muito tempo ou estão fadados ao colapso com o avanço da tecnologia e informação global? Deixe sua opinião nos comentários!
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