O que era para ser uma viagem de lazer virou um pesadelo em alto-mar, com apagão, banheiros inutilizados, tensão crescente, cobertura mundial e um desfecho que marcou passageiros e tripulação
Apenas relaxe e você ouvirá uma história. Não é uma narrativa marítima comum, tampouco uma lembrança suave de férias ao sol. É o relato de um cruzeiro que começou como lazer e terminou como um teste extremo de paciência, resistência e dignidade.
Em 7 de fevereiro de 2013, o Carnival Triumph partiu de Galveston, Texas, rumo a Cozumel, no México. O plano era simples: quatro dias de descanso e diversão antes do retorno.
Mas o que deveria ser uma viagem rotineira se transformou em um pesadelo de oito dias para 4.229 passageiros e tripulantes.
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O início da crise em alto-mar
Em 10 de fevereiro de 2013, no que seria o último dia da viagem, o navio regressava de Cozumel para Galveston transportando 3.143 passageiros e 1.086 tripulantes. Pouco antes das 5h30, um incêndio começou na casa de máquinas.
O sistema automático extinguiu rapidamente as chamas. Não houve feridos. Às 6h15, após o alarme de emergência, os passageiros foram orientados a retornar às cabines ou tomar café da manhã. Aparentemente, tudo sob controle.
Mas não estava sob controle
A energia foi interrompida. Sem eletricidade, o Triumph perdeu propulsão. Luzes de emergência foram acionadas. Ar-condicionado, cozinhas e sistemas sanitários deixaram de funcionar.
“Tecnicamente, estamos apenas à deriva, sem energia”, relembrou Jen Baxter, diretora de cruzeiro, no documentário da Netflix Trainwreck: Poop Cruise.
Banheiros inutilizados e decisões impensáveis
Quando a tripulação conseguiu acessar a casa de máquinas, descobriu que o incêndio havia destruído os principais cabos elétricos. Não havia esperança de restabelecer energia.
Os banheiros pararam
Jen Baxter contou que, em meio ao caos, tentou aliviar a tensão com humor. Sugeriu que o “número um” poderia ser feito no chuveiro. Já o “número dois” exigia outra solução.
A resposta foi distribuir sacos vermelhos para resíduos biológicos. Passageiros foram instruídos a usá-los e depositá-los nas lixeiras dos corredores. A reação foi imediata.
“Que raios é isso?”, recordou Ashley, passageira em despedida de solteira com as amigas Kalin e Jayme, no documentário da Netflix.
Devin Marble também descreveu o choque: “Você quer que eu faça o quê?”
Até membros da tripulação sentiram o peso da situação. Abhi, chef a bordo, admitiu que jamais imaginou viver algo assim.
Calor, desconforto e tensão crescente
Sem ar-condicionado, as cabines tornaram-se sufocantes. Na primeira noite, passageiros arrastaram colchões para o convés em busca de ar fresco.
No dia 11 de fevereiro, a equipe da cozinha descartou alimentos perecíveis e passou a preparar sanduíches para 3.000 pessoas.
Hanna, bartender do Triumph, relembrou ter observado a multidão em busca de comida e refletido sobre o contraste com sua infância na então União Soviética.
Ao mesmo tempo, Wi-Fi e sinal de celular estavam indisponíveis. Quando o Carnival Legend apareceu para entregar suprimentos, passageiros correram ao convés tentando captar sinal de seus telefones.
Quando o sistema entra em colapso
O improviso sanitário rapidamente atingiu o limite. Kalin descreveu o esforço quase surreal para usar o chuveiro no escuro, chegando a acionar uma luz de emergência com um sinalizador.
Ashley relatou que, já na tarde de 11 de fevereiro, a água misturada à urina não escoava mais. E muitos ainda insistiam em usar os vasos sanitários.
Abhi encontrou um banheiro público e descreveu a cena como a mais nojenta que já presenciou. Camadas sucessivas de dejetos cobertas com papel higiênico.
O ambiente tornou-se insalubre
Stephen, gerente de serviços aos hóspedes, afirmou ter visto passageiros urinando para fora do navio. Abhi testemunhou sacos de fezes sendo jogados em botes salva-vidas.
A inclinação que agravou tudo
Em 11 de fevereiro, um rebocador iniciou o resgate. Mas o tempo piorou.
Com a mudança de ângulo do navio, líquidos começaram a escorrer pelos corredores. Devin Marble resumiu o horror: “Vocês sabem onde estão pisando.”
Larry Poret disse que tudo transbordou para o chão. Toby Barlow contou à CNN que sua esposa relatou esgoto escorrendo pelas paredes.
O mundo descobre o drama no navio
Inicialmente, Buck Banks, representante de relações públicas da Carnival, divulgou um breve comunicado mencionando apenas a falta de propulsão. Nada foi dito sobre os banheiros.
No dia seguinte, Gerry Cahill, CEO da empresa, declarou que os hóspedes estavam seguros e lamentou o desconforto.
Mas em 11 de fevereiro familiares começaram a contatar veículos de imprensa. Brooke Baldwin, ex-âncora da CNN, lembrou o momento em que perceberam: “Isso é notícia.” A cobertura se intensificou.
Por que o resgate demorou
O plano original previa rebocar o navio ao Texas. Às 12h17, Stephen recebeu a informação de que o Triumph havia derivado mais de 100 milhas náuticas. A nova rota seria Mobile, no Alabama e levaria dois ou três dias.
Ao se aproximarem de Mobile em 14 de fevereiro, os passageiros queriam apenas voltar para casa, tomar um banho quente e dormir em uma cama confortável.
A Carnival informou à CNN que ofereceria reembolso integral, transporte sem custos adicionais e restituição de despesas, exceto compras no cassino e loja de presentes. Também concedeu crédito para viagem futura.
Buck Banks esperava um massacre midiático. Mas muitos passageiros reconheceram o esforço da tripulação.
Kalin declarou que nunca mais daria um banheiro privativo como garantido.
Posteriormente, várias ações judiciais foram movidas. A empresa alegou que os passageiros haviam aceitado os termos contratuais ao comprar as passagens.
Segundo a Carnival, uma investigação identificou uma vulnerabilidade de projeto. A companhia afirmou ter investido mais de US$ 500 milhões em melhorias de segurança.
O Triumph foi limpo, reparado e reformado por 115 milhões de dólares. Em 2019, renasceu com um novo nome: Carnival Sunrise.
Os dados desta matéria são do Eonline.
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