Descubra como Hiroo Onoda, um leal soldado japonês, recusou a rendição nas Filipinas e lutou uma guerra solitária décadas depois da Segunda Guerra Mundial
Em 1974, um estudante chamado Norio Suzuki viajou para uma ilha isolada nas Filipinas para investigar o boato de que um soldado japonês vivia na selva desde o fim da Segunda Guerra Mundial. O que parecia uma lenda urbana revelou se uma realidade chocante quando ele encontrou o tenente Hiroo Onoda, que estava entrincheirado e recusando a rendição, mantendo sua própria guerra pessoal por quase 29 anos. Ele seguia estritamente as ordens de não morrer e ignorava qualquer notícia de paz, considerando a tudo propaganda inimiga.
Essa jornada inacreditável mergulha na psicologia de um homem que dedicou sua vida a uma ilusão de dever e honra. Hiroo Onoda havia sido declarado morto oficialmente em 1959, após tanto tempo sem ser visto, mas continuava vivo e operacional na mata. Para ele e seus poucos companheiros, o mundo ainda estava em batalha e a lealdade ao imperador exigia que eles continuassem lutando até o resgate, não importando quanto tempo levasse.
Uma ordem para não morrer
A trajetória que definiu o destino de Hiroo Onoda começou em dezembro de 1944, quando ele foi enviado para defender a ilha de Lubang, nas Filipinas. Com a invasão americana escalando, ele recebeu uma promoção no campo de batalha e ordens diretas do General Akira Muto que selaram seu futuro. Ele estava proibido de morrer por suas próprias mãos. A instrução era clara e dizia que poderia levar três ou cinco anos, mas o exército voltaria para buscá-lo custasse o que custasse.
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Quando as forças americanas desembarcaram e tomaram a cidade, Hiroo Onoda ordenou uma retirada para as montanhas e iniciou uma tática de guerrilha. Divididos em pequenas células, os soldados apostavam em sabotagem e emboscadas para sobreviver. O grupo ficou isolado na selva e não soube dos eventos catastróficos que encerraram a Segunda Guerra Mundial, como as bombas atômicas e a rendição oficial do Japão. Para esse soldado japonês, a luta continuava intensa.
A descrença na paz e a rotina na selva
Mesmo quando os primeiros panfletos informando o fim da Segunda Guerra Mundial foram lançados sobre a selva em outubro de 1945, os combatentes desconfiaram. Eles acreditaram firmemente que era uma artimanha dos inimigos para forçá-los a sair do esconderijo. Mais tarde, uma ordem impressa de um general foi descartada por conter erros gramaticais suspeitos, reforçando a paranoia do grupo de que os documentos eram falsificações americanas criadas para encerrar a guerra.
A vida na selva das Filipinas era brutal e exigia adaptação constante. Para sobreviver, eles roubavam arroz e ocasionalmente vacas dos moradores locais, o que justificavam como apropriação de recursos do inimigo. Eles mantinham seus equipamentos e armas impecáveis usando óleo de palma para evitar a ferrugem. No entanto, o isolamento cobrou seu preço. O soldado Akatsu rendeu se em 1949, mas os três restantes, incluindo Hiroo Onoda, viram isso como um perigo, acreditando que ele havia sido capturado pelo inimigo.
O último homem de pé
A obstinação do grupo teve um custo altíssimo ao longo dos anos. Em 1954, o cabo Shimada foi morto acidentalmente por uma unidade de treinamento filipina, o que apenas alimentou o delírio de que a guerra continuava ativa. Mesmo com a chegada de cartas e fotos de familiares, eles rejeitaram as evidências. Acreditavam que a família tinha sido coagida ou que as fotos eram montagens, pois os jornais não mencionavam a Esfera de Coprosperidade do Leste Asiático, um conceito imperial que esse soldado japonês julgava indestrutível.
Em outubro de 1972, a situação tornou se crítica durante uma ação para queimar arroz dos locais. A polícia interveio e o soldado Kozuka foi morto a tiros. Hiroo Onoda estava agora completamente sozinho na ilha. Ele continuou sua patrulha solitária, esperando um agente secreto imaginário e mantendo sua rotina rígida. Ele chegou a ignorar os apelos do próprio irmão via alto falantes, convencido de que a voz pertencia a um imitador enviado pelos inimigos da Segunda Guerra Mundial.
O encontro e a rendição oficial
Foi a curiosidade e ousadia do jovem Norio Suzuki que finalmente quebrou o ciclo em 1974. Suzuki conseguiu encontrar Hiroo Onoda em apenas quatro dias. Por falar um dialeto japonês cortês e usar meias grossas, diferente dos locais, ele ganhou a confiança do tenente. Após horas de conversa, Hiroo Onoda começou a aceitar lentamente que o Japão havia perdido a guerra e vivia em paz há décadas.
No entanto, para sair da selva das Filipinas, ele impôs uma condição inegociável. Precisava de uma ordem direta de seu superior. Suzuki cumpriu a promessa e trouxe o antigo major, agora um livreiro aposentado, para ler a ordem oficial de cessar combate. A guerra de 29 anos de Hiroo Onoda finalmente acabou. Ele entregou sua espada, foi perdoado pelo presidente filipino pelos crimes cometidos durante a guerrilha e retornou ao Japão como um herói e um exemplo de lealdade samurai.
Uma nova vida no Brasil
O Japão moderno era uma terra estranha para o veterano que parou no tempo. Buscando um novo começo longe da fama, Hiroo Onoda mudou se para o Brasil em 1975. Ele se estabeleceu em uma colônia japonesa em São Paulo para trabalhar com criação de gado ao lado do irmão. O soldado japonês que sobreviveu à selva tornou se um fazendeiro no interior brasileiro.
Anos depois, ele retornou ao Japão para fundar uma escola de natureza, ensinando sobrevivência a crianças, e chegou a doar dinheiro para a comunidade de Lubang como agradecimento. Hiroo Onoda faleceu em 2014, aos 91 anos, encerrando uma das histórias mais impressionantes de persistência humana ligadas à Segunda Guerra Mundial.
Você acha que a atitude de Onoda foi um exemplo supremo de lealdade ou apenas uma tragédia causada pela doutrinação militar? Deixe sua opinião nos comentários!
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