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Obra de R$ 70 milhões promete transformar centro histórico de SP em 18 meses: viaduto ganhará ponto de ônibus, novo piso e plano polêmico para marquise histórica

Escrito por Alisson Ficher
Publicado el 25/11/2025 a las 21:47
Obra de R$ 70 milhões vai reformar o Viaduto do Chá e a Praça do Patriarca em SP, com novo piso, ponto de ônibus e mudanças polêmicas na marquise.
Obra de R$ 70 milhões vai reformar o Viaduto do Chá e a Praça do Patriarca em SP, com novo piso, ponto de ônibus e mudanças polêmicas na marquise.
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Uma obra de grande porte deve remodelar áreas emblemáticas do centro de São Paulo, incluindo o Viaduto do Chá e a Praça do Patriarca, com mudanças estruturais, estéticas e patrimoniais previstas para os próximos meses.

Uma intervenção estimada em R$ 70 milhões deve alterar de forma significativa o Viaduto do Chá, a Praça do Patriarca e o entorno do Theatro Municipal nos próximos anos.

A gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) pretende lançar ainda neste ano o edital de licitação das obras, que terão prazo previsto de 18 meses após a contratação da empresa vencedora e já acumulam críticas, sobretudo em relação às mudanças na marquise projetada pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha na praça.

Reformas no Viaduto do Chá e área do Theatro Municipal

O projeto faz parte de um pacote de intervenções no centro histórico de São Paulo e engloba o Viaduto do Chá, a Praça Ramos de Azevedo, a Praça do Patriarca, a Galeria Prestes Maia e áreas próximas ao Theatro Municipal e ao Shopping Light.

O valor originalmente estimado em R$ 58 milhões foi reajustado para R$ 70 milhões após novos levantamentos técnicos e detalhamento do escopo da obra.

À frente da proposta, o secretário municipal de Infraestrutura Urbana e Obras, Marcos Monteiro, afirma que o ponto de partida foram os problemas identificados na estrutura do viaduto.

Segundo ele, uma inspeção apontou principalmente infiltrações que, se não forem corrigidas, podem comprometer a durabilidade da construção ao longo do tempo.

Reforma no centro histórico de São Paulo inclui o Viaduto do Chá, marcando a revitalização de um ícone urbano. (Imagem: José Cordeiro)
Reforma no centro histórico de São Paulo inclui o Viaduto do Chá, marcando a revitalização de um ícone urbano. (Imagem: José Cordeiro)

A requalificação do piso, da drenagem e das áreas de circulação de pedestres integra o mesmo pacote.

Histórico e estrutura do Viaduto do Chá

O Viaduto do Chá, primeira estrutura do tipo na capital, inaugurada em 1892, foi concebido para ligar o então centro histórico à região que se expandia em direção ao oeste.

A primeira versão, metálica, idealizada pelo francês Jules Martin, chegou a cobrar pedágio, o que rendeu o apelido de “Viaduto dos Três Vinténs”.

A travessia só se tornou gratuita em 1897.

A configuração atual, em concreto e com estética art déco, é de 1939 e leva a assinatura do arquiteto Elisiário Bahiana.

Hoje, quase um século depois da reconstrução, o viaduto apresenta infiltrações e necessidade de manutenção mais profunda.

A prefeitura pretende substituir o tradicional calçamento em pedra portuguesa das calçadas da estrutura por piso de granito nas cores vermelho e cinza.

A justificativa técnica é reduzir o peso sobre o viaduto e facilitar a conservação, já que o assentamento de pedras portuguesas exige mão de obra especializada, considerada escassa pelo município.

A intervenção também busca conter as infiltrações que afetam a Galeria Prestes Maia, passagem subterrânea que conecta a Praça do Patriarca ao Vale do Anhangabaú e tem saída sob o viaduto.

A concessionária responsável pela galeria, que também administra o Vale, vinha relatando problemas recorrentes de água no espaço.

Novo ponto de ônibus, bondinho turístico e mudança das bancas

Obra de R$ 70 milhões vai reformar o Viaduto do Chá e a Praça do Patriarca em SP, com novo piso, ponto de ônibus e mudanças polêmicas na marquise.
Obra de R$ 70 milhões vai reformar o Viaduto do Chá e a Praça do Patriarca em SP, com novo piso, ponto de ônibus e mudanças polêmicas na marquise.

Além da troca de piso, o projeto prevê um ponto de ônibus sobre o Viaduto do Chá e a instalação de um bondinho desativado em frente ao Shopping Light.

O veículo antigo será adaptado para funcionar como ponto de informações turísticas, em área próxima a onde hoje existe uma banca de jornal.

Para atender à circulação de veículos por aplicativo e outros serviços, será criado um recuo na entrada do Shopping Light, destinado ao embarque e desembarque de passageiros.

De acordo com a prefeitura, a solução atende a um pedido do próprio centro comercial.

As bancas de jornal instaladas ao lado do shopping e em frente ao Theatro Municipal serão remanejadas para a rua localizada na parte de trás do teatro.

Uma base da Guarda Civil Metropolitana deve ocupar o espaço hoje usado por uma das bancas.

Jornaleiros criticaram a mudança, alegando possível perda de visibilidade e de movimento.

Na mesma região, o piso da Praça Ramos de Azevedo também será substituído como parte do pacote de obras.

Praça do Patriarca e disputa em torno da marquise histórica

Bancas de jornal serão remanejadas e um recuo para carros por aplicativo será feito junto ao Shopping Light, parte da intervenção no centro. (Imagem: Metrópoles)
Bancas de jornal serão remanejadas e um recuo para carros por aplicativo será feito junto ao Shopping Light, parte da intervenção no centro. (Imagem: Metrópoles)

Na outra extremidade do viaduto, a Praça do Patriarca será alvo de uma série de intervenções.

O local abriga a Igreja Santo Antônio, um dos templos mais antigos da cidade e tombado como patrimônio histórico.

O projeto prevê a reforma do piso, com preservação dos desenhos dos mosaicos atuais tanto na área central quanto junto às fachadas.

O ponto mais sensível do debate está sob a marquise projetada por Paulo Mendes da Rocha, implantada durante obras de reurbanização no início dos anos 2000.

Desde sua instalação, a cobertura metálica divide opiniões.

Críticos afirmam que ela reduz a visão do chamado “centro novo”, enquanto defensores a consideram integrada à paisagem urbana.

Em declarações anteriores, o prefeito Ricardo Nunes mencionou a hipótese de transferir a marquise para outro local.

A família do arquiteto se posicionou contra.

Video de YouTube

Filho de Paulo Mendes e também arquiteto, Pedro Mendes da Rocha defendeu a permanência da estrutura e rejeitou mudanças que descaracterizem o projeto original.

Fechamento da Galeria Prestes Maia em debate

A entrada superior da Galeria Prestes Maia, localizada sob a marquise na Praça do Patriarca, é outro ponto em discussão.

A proposta inicial previa um envidraçamento no entorno do acesso.

Família e especialistas criticaram a interferência visual.

O Condephaat analisou o projeto e rejeitou o fechamento em vidro.

O órgão sugeriu um fechamento horizontal retrátil no gradil existente, considerado menos invasivo.

Pedro Mendes da Rocha avalia que essa é a solução que menos interfere na obra do pai, embora exija detalhamento técnico cuidadoso.

A Praça do Patriarca no centro de São Paulo passa por intervenções junto à marquise do arquiteto Paulo Mendes da Rocha. (Imagem: Sérgio Botêlho)
A Praça do Patriarca no centro de São Paulo passa por intervenções junto à marquise do arquiteto Paulo Mendes da Rocha. (Imagem: Sérgio Botêlho)

A prefeitura afirma que analisa a recomendação e deve apresentar uma versão ajustada do projeto antes da licitação.

Função urbana da Galeria Prestes Maia

A Galeria Prestes Maia, hoje usada principalmente como passagem de pedestres, já teve outras funções.

Em períodos anteriores, abrigou atividades culturais e chegou a receber uma filial do Masp.

Atualmente, não possui programação permanente e enfrenta problemas de infiltração, insegurança e baixa ocupação.

A gestão municipal espera que a correção dos problemas estruturais contribua futuramente para usos culturais ou comerciais, embora não exista plano detalhado nesse sentido.

Licitação, prazos e efeitos no cotidiano do centro

O cronograma da Prefeitura de São Paulo prevê publicar o edital de licitação ainda neste ano e divulgar as empresas vencedoras até maio de 2026.

A partir da assinatura do contrato, o prazo estimado é de 18 meses de obras.

Durante esse período, haverá impactos na circulação de pedestres, ônibus, veículos por aplicativo e no comércio local, com ajustes ainda a serem detalhados.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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