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Omã bombeia água do Golfo e transforma o deserto em cidade habitável: usinas de dessalinização espalhadas pela costa já fornecem cerca de 86% da água potável do país em uma região que concentra 60% da capacidade mundial de dessalinização

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado el 10/03/2026 a las 17:04
Omã bombeia água do Golfo e transforma o deserto em cidade habitável: usinas de dessalinização espalhadas pela costa já fornecem cerca de 86% da água potável do país em uma região que concentra 60% da capacidade mundial de dessalinização
Foto: Divulgação
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Omã transformou água do Golfo em sua principal fonte de abastecimento. Usinas de dessalinização ao longo da costa produzem cerca de 86% da água potável consumida no país.

Localizado em uma das regiões mais áridas do planeta, o Sultanato de Omã construiu ao longo das últimas décadas uma infraestrutura hídrica que redefine a forma como países desérticos lidam com a escassez de água. Sem rios permanentes e com chuvas irregulares, o país depende massivamente da dessalinização para garantir o abastecimento de suas cidades. Hoje, aproximadamente 86% da água potável consumida em Omã vem diretamente da dessalinização da água do mar, segundo estudos sobre gestão hídrica no Golfo. Essa tecnologia permite transformar água salgada captada no Golfo de Omã e no Mar da Arábia em água própria para consumo humano.

Esse modelo não é exclusivo do país, mas faz parte de um fenômeno regional. Os países do Golfo Pérsico concentram a maior parte da infraestrutura de dessalinização do mundo, respondendo por cerca de 60% da capacidade global instalada e por aproximadamente 40% de toda a água dessalinizada produzida no planeta. Nesse contexto, Omã se tornou um dos exemplos mais claros de como a engenharia moderna pode sustentar populações em ambientes extremamente secos.

A escassez de água em um país dominado pelo deserto

Omã possui um território marcado por vastas áreas desérticas e montanhas áridas. O clima é caracterizado por temperaturas elevadas durante grande parte do ano e precipitações muito limitadas. A maior parte do país recebe menos de 100 milímetros de chuva por ano, valor considerado extremamente baixo para sustentar sistemas naturais de água doce.

Além disso, Omã não possui rios permanentes capazes de abastecer grandes centros urbanos. Os poucos cursos d’água existentes são temporários e dependem de chuvas ocasionais. Historicamente, as comunidades locais dependiam de sistemas tradicionais de irrigação chamados aflaj, canais subterrâneos que captam água de aquíferos e nascentes. Esse sistema, utilizado há mais de mil anos, ainda existe em algumas regiões.

No entanto, com o crescimento populacional e a urbanização acelerada nas últimas décadas, essas fontes naturais se tornaram insuficientes. Foi nesse contexto que o país passou a investir intensamente na dessalinização.

Como funciona a dessalinização em Omã

A dessalinização consiste em remover o sal da água do mar para torná-la potável. Em Omã, a maior parte das plantas modernas utiliza a tecnologia de osmose reversa, considerada atualmente o método mais eficiente. Nesse processo, a água do mar passa por várias etapas de tratamento.

Primeiro, a água é captada por tubulações instaladas no mar. Em seguida, ela passa por sistemas de filtragem que removem sedimentos e partículas. Depois disso, a água é pressurizada e forçada através de membranas especiais capazes de reter sais e impurezas.

O resultado é água doce pronta para tratamento final e distribuição.

Esse processo exige grande pressão e consumo de energia, mas avanços tecnológicos nas últimas décadas reduziram significativamente os custos e o consumo energético.

Em plantas mais antigas, o processo utilizado era a dessalinização térmica, que evapora a água e condensa o vapor para separar o sal. Esse método ainda existe, mas vem sendo gradualmente substituído pela osmose reversa.

As grandes usinas de dessalinização do país

Ao longo da costa de Omã existem diversas usinas de grande escala responsáveis por abastecer as principais cidades. Entre as instalações mais importantes estão as plantas de Barka, Sohar e Ghubrah, que produzem centenas de milhares de metros cúbicos de água potável diariamente.

Essas plantas são integradas a complexos industriais que incluem estações de energia, sistemas de bombeamento e redes de distribuição. A água dessalinizada é transportada por longas redes de tubulações que conectam as plantas costeiras aos centros urbanos.

Cidades como Muscat, Sohar, Sur e Salalah dependem diretamente desse sistema para manter o abastecimento. Sem essa infraestrutura, seria praticamente impossível sustentar a população atual dessas regiões.

A região do Golfo como centro mundial da dessalinização

Omã faz parte de um grupo de países que lidera o uso dessa tecnologia no planeta. O Golfo Pérsico abriga centenas de usinas de dessalinização instaladas ao longo das últimas décadas.

Video de YouTube

Entre os países mais dependentes da tecnologia estão:

  • Kuwait, onde cerca de 90% da água potável vem da dessalinização
  • Arábia Saudita, com aproximadamente 70%
  • Omã, com cerca de 86%
  • Emirados Árabes Unidos, com mais de 40%

Esse nível de dependência ocorre porque a região possui algumas das menores disponibilidades naturais de água doce do mundo. Sem a dessalinização, grandes cidades como Dubai, Doha ou Muscat simplesmente não poderiam existir em sua escala atual.

Infraestrutura que sustenta cidades inteiras

A produção de água dessalinizada é apenas uma parte do sistema. Após sair das usinas, a água precisa ser armazenada e transportada até os consumidores. Omã construiu ao longo dos anos uma rede complexa composta por:

  • reservatórios estratégicos
  • estações de bombeamento
  • redes de tubulação de longa distância
  • centros de tratamento final

Essa infraestrutura permite distribuir água potável para milhões de pessoas em áreas urbanas e industriais. Em muitos casos, a água percorre dezenas ou até centenas de quilômetros desde a usina costeira até chegar às cidades do interior.

O alto custo energético da dessalinização

Embora seja essencial para o abastecimento de água, a dessalinização exige grande quantidade de energia. Produzir água potável a partir da água do mar requer pressões extremamente altas para forçar o líquido através das membranas.

Video de YouTube

Tradicionalmente, muitas plantas da região utilizam gás natural ou petróleo como fonte de energia. Isso faz com que o custo da água dessalinizada seja mais elevado do que o de fontes naturais.

Por esse motivo, governos da região têm buscado integrar novas tecnologias energéticas, incluindo energia solar, para reduzir custos e emissões.

O desafio ambiental da salmoura

Outro desafio associado à dessalinização é o descarte da salmoura, o resíduo altamente concentrado em sal que sobra após o processo. Esse líquido é devolvido ao mar, geralmente próximo às usinas.

Se não for diluído adequadamente, pode alterar temporariamente a salinidade da água ao redor das instalações. Para reduzir esse impacto, muitas plantas modernas utilizam sistemas de difusão que espalham o resíduo rapidamente no oceano.

Com o crescimento da população e da economia, a demanda por água em Omã continua aumentando. Para enfrentar esse desafio, o país planeja expandir sua infraestrutura de dessalinização e modernizar plantas existentes.

Os investimentos incluem:

  • novas instalações de osmose reversa
  • maior eficiência energética
  • integração com fontes renováveis
  • ampliação da rede de distribuição

Essas medidas fazem parte de estratégias nacionais para garantir segurança hídrica em longo prazo. Em uma região onde a água natural é extremamente escassa, a dessalinização se tornou uma das tecnologias mais importantes para sustentar cidades, indústrias e populações.

Em Omã, transformar água do mar em água potável deixou de ser apenas uma solução emergencial e passou a ser a base de toda a infraestrutura hídrica nacional.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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