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ONS alerta risco no sistema elétrico do Ceará: cortes de energia renovável desperdiçam milhões de MWh e ameaçam investimentos em eólica e solar até 2029

Escrito por Hilton Libório
Publicado el 02/01/2026 a las 09:40
Sistema elétrico do Ceará com torres de transmissão, parques eólicos e painéis solares sob céu carregado, simbolizando riscos operacionais e cortes na geração de energia renovável
ONS alerta risco no sistema elétrico do Ceará, cortes de energia renovável desperdiçam milhões de MWh e ameaçam investimentos eólica e solar até 2029/ Imagem Ilustrativa
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Alerta do ONS expõe falhas no sistema elétrico do Ceará, com cortes recorrentes de energia renovável, prejuízos milionários, riscos à expansão da energia eólica e solar e impactos diretos nos investimentos até 2029.

O Operador Nacional do Sistema (ONS) alertou, em dezembro de 2025, que os cortes de geração de energia renovável no sistema elétrico do Ceará não devem ser solucionados antes de 2029. Segundo matéria publicada pelo Diário do Nordeste, a informação consta no Plano da Operação Elétrica de Médio Prazo (PAR/PEL), divulgado na última semana, e evidencia um risco estrutural que ameaça investimentos em energia eólica e solar, gera prejuízos milionários e impacta consumidores.

Segundo o documento, as restrições de geração — conhecidas como curtailment — são necessárias para evitar risco operacional no sistema elétrico, já que a produção de energia renovável no Ceará supera, de forma recorrente, a capacidade de escoamento da infraestrutura de transmissão. O problema se arrasta desde 2021 e tende a persistir por mais quatro anos.

ONS aponta risco operacional no sistema elétrico do Ceará

O alerta do ONS é direto: para manter a segurança operativa do sistema elétrico, é necessário restringir o escoamento da energia renovável produzida no Ceará. O estado se consolidou como um dos principais polos de energia eólica e solar do país, mas a expansão acelerada da geração não foi acompanhada por investimentos proporcionais em transmissão.

Desde outubro de 2021, os cortes se tornaram frequentes. Em quatro anos, as usinas renováveis cearenses deixaram de gerar cerca de 3,3 milhões de megawatts-hora (MWh), volume suficiente para abastecer aproximadamente 16 milhões de residências. O dado reforça a dimensão do desperdício de energia limpa.

Curtailment expõe gargalos do sistema elétrico e da transmissão

O curtailment ocorre quando o ONS determina a redução ou interrupção da geração para evitar sobrecarga nas linhas de transmissão. No caso do sistema elétrico do Ceará, o problema é estrutural: há produção excessiva de energia renovável em relação à capacidade disponível para transporte até os centros consumidores.

Mesmo com alto potencial energético, a infraestrutura não suporta o volume gerado, obrigando o operador a priorizar a estabilidade do sistema. O PAR/PEL destaca que essa situação deve se manter até dezembro de 2029, quando entram em operação obras consideradas estruturantes.

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Energia renovável no Ceará sofre com desperdício de milhões de MWh

O Ceará concentra uma das maiores participações de energia eólica e solar do Brasil. Paradoxalmente, essa liderança vem acompanhada de perdas significativas. O desperdício de 3,3 milhões de MWh representa não apenas prejuízo econômico, mas também retrocesso ambiental, já que energia limpa deixa de substituir fontes fósseis.

Além disso, o documento do ONS reconhece que, mesmo após a entrada das novas linhas de transmissão, poderá haver necessidade de novas restrições de geração, sobretudo para evitar riscos de instabilidade de tensão no sistema elétrico.

Prejuízos financeiros e insegurança afastam investimentos

Os impactos econômicos do curtailment são crescentes. De acordo com levantamento da Volts Robotics, as empresas de geração registraram prejuízo de R$ 69 milhões apenas em novembro, decorrente dos cortes impostos pelo ONS. Nesse período, o Ceará concentrou 28,81% das restrições, figurando entre os estados mais afetados do país.

Para Adão Linhares, diretor do Sindicato das Indústrias de Energia e de Serviços do Setor Elétrico do Ceará (Sindienergia-CE), o cenário cria insegurança regulatória e risco de judicialização, além de limitar novos aportes. Segundo ele, enquanto o sistema elétrico continuar nesse nível de restrições e incertezas, os investimentos tendem a ser interrompidos

Defasagem histórica do sistema elétrico no Nordeste

Segundo representantes do setor, a defasagem da infraestrutura de transmissão no Nordeste é um gargalo antigo. Adão Linhares avalia que o problema só passou a receber maior atenção diante do risco operacional do sistema elétrico, provocado pelo crescimento acelerado da energia renovável.

Apesar da existência de planejamento setorial, ele destaca entraves burocráticos e de governança que retardam a execução das obras. As intervenções emergenciais atendem apenas parte da demanda necessária, deixando o Ceará vulnerável.

Investimentos do ONS prometem alívio até 2029

O plano do ONS prevê investimentos robustos no sistema elétrico até 2030. Estão programados R$ 28,1 bilhões para construção de 5.301 quilômetros de novas linhas de transmissão, além da ampliação do intercâmbio entre regiões, com aumento de 5,7% da potência nominal instalada.

No Ceará, o pacote inclui mais de 1.400 quilômetros de novas linhas e a instalação de três compensadores síncronos, equipamentos essenciais para controle de tensão e estabilidade. A expectativa é que essas obras reduzam significativamente os cortes a partir de 2029.

Energia eólica e solar enfrentam limites da demanda local

Além da transmissão, outro fator contribui para o curtailment: a falta de demanda suficiente. O professor Kleber Lima, do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal do Ceará (UFC), explica que há períodos em que a geração supera o consumo, desequilibrando o sistema elétrico.

Segundo o professor, a produção de energia atualmente supera a demanda do sistema, o que torna necessários cortes forçados na geração. Para mitigar esse risco, o ONS propõe a instalação de 3 gigawatts de potência adicional, por meio de cinco novos compensadores síncronos em Morada Nova, Quixadá e Açu. O leilão desses equipamentos está previsto para março de 2026, mas ainda não há cronograma para a entrada em operação.

Setor defende soluções além da transmissão

Entidades representativas avaliam que apenas ampliar linhas não será suficiente. Rodrigo Sauaia, presidente executivo da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), defende antecipação de reforços em áreas críticas, além de investimentos em armazenamento de energia.

Segundo ele, a integração de grandes cargas, como data centers e projetos de hidrogênio verde, pode ajudar a equilibrar o sistema elétrico, aproveitando melhor a energia renovável disponível. A Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão também é vista como ferramenta estratégica de planejamento.

A Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica) reforça que os cenários de corte no Ceará permanecem preocupantes no curto e médio prazos, embora haja expectativa de melhora gradual entre 2027 e 2029.

Impactos diretos na conta de luz e no meio ambiente

Os efeitos do curtailment não recaem apenas sobre geradores e investidores. O consumidor final também paga a conta. Quando a energia eólica e solar é cortada, o sistema recorre a termelétricas fósseis, mais caras e poluentes.

Isso eleva o custo da energia elétrica e pressiona tarifas. Há troca de energia limpa por geração fóssil, o que aumenta emissões e compromete metas ambientais. Para especialistas, trata-se de um contrassenso em um país com enorme potencial renovável.

O que está em jogo para o sistema elétrico do Ceará

O alerta do ONS deixa claro que o sistema elétrico do Ceará enfrenta um ponto crítico. Sem soluções integradas, o desperdício de energia renovável continuará, afetando competitividade, investimentos e a própria transição energética brasileira.

Até 2029, o estado precisará conviver com cortes, prejuízos e incertezas. O desafio é transformar abundância de energia eólica e solar em segurança, eficiência e desenvolvimento econômico, evitando que o potencial renovável se torne um obstáculo ao crescimento sustentável.

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Hilton Libório

Hilton Fonseca Liborio é redator, com experiência em produção de conteúdo digital e habilidade em SEO. Atua na criação de textos otimizados para diferentes públicos e plataformas, buscando unir qualidade, relevância e resultados. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras, Energias Renováveis, Mineração e outros temas. Contato e sugestões de pauta: hiltonliborio44@gmail.com

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