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Orgulho que vem do campo: agro brasileiro fatura US$ 10,8 bilhões em janeiro, garante superávit de US$ 9,2 bilhões, vende mais para a china com carne bovina na liderança e ainda quebra recordes com glicerina e óleo de milho

Escrito por Ana Alice
Publicado em 15/02/2026 às 22:25
(Imagem: MAPA/Divulgação/Rádio Itatiaia)
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Exportações do agronegócio iniciam 2026 com saldo bilionário, mesmo diante da queda nos preços internacionais e mudanças no cenário global de commodities.

As exportações do agronegócio brasileiro somaram US$ 10,8 bilhões em janeiro de 2026, segundo dados divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária.

O resultado representa queda de 2,2% em relação ao mesmo mês de 2025.

Ainda assim, o setor registrou superávit de US$ 9,2 bilhões no período.

O saldo positivo foi influenciado pela redução das importações, que atingiram US$ 1,7 bilhão, recuo de 11,2% na comparação anual.

Com isso, mesmo diante da diminuição no valor exportado, a balança comercial do agro manteve resultado expressivo no início do ano.

De acordo com o governo federal, o desempenho de janeiro foi o terceiro maior da série histórica para o mês.

No conjunto das exportações brasileiras, o agronegócio respondeu por 42,8% do total embarcado no período.

Queda de preços internacionais limita avanço das exportações do agro

Embora o faturamento tenha recuado, o volume exportado cresceu 7,0% em relação a janeiro de 2025.

O aumento na quantidade embarcada não foi suficiente para compensar a redução de 8,6% no preço médio dos produtos vendidos ao exterior.

Segundo o Ministério da Agricultura, a queda nas cotações internacionais de parte das principais commodities contribuiu para esse movimento.

Vídeo do YouTube

O Índice de Preços de Alimentos da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) registrou recuo em janeiro na comparação com dezembro do ano anterior, refletindo o comportamento do mercado global.

A combinação entre maior volume e preços mais baixos explica a retração no valor total exportado, ainda que a presença dos produtos brasileiros tenha se mantido nos principais destinos.

China, União Europeia e Estados Unidos lideram compras do agronegócio brasileiro

O ranking dos maiores importadores de produtos agropecuários brasileiros permaneceu inalterado em janeiro.

A China liderou as compras, com US$ 2,1 bilhões, o equivalente a 20% do total exportado pelo setor.

Na sequência aparecem a União Europeia, com US$ 1,7 bilhão e participação de 11%, e os Estados Unidos, com US$ 705 milhões, o que corresponde a 6,6% das exportações do agro no mês.

Além desses mercados, o governo informou crescimento de 5,7% nas vendas para os países da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), na comparação com janeiro de 2025.

O bloco reúne economias como Indonésia, Vietnã, Tailândia, Malásia, Filipinas e Singapura, entre outras da região.

Os dados oficiais também apontam aumento nas compras por parte de Emirados Árabes Unidos, Turquia, Filipinas, Irã, Iêmen, Iraque, Chile, Arábia Saudita, Japão e Marrocos, considerando valores absolutos e variação percentual frente ao mesmo mês do ano anterior.

Carnes e complexo soja concentram maior parte da receita do setor

Entre os setores exportadores, as carnes lideraram o faturamento em janeiro, com US$ 2,58 bilhões, o que representa 24,0% do total do agronegócio.

O valor foi 24,0% superior ao registrado em janeiro de 2025.

O complexo soja aparece na segunda posição, com US$ 1,66 bilhão e participação de 15,4% na pauta, além de crescimento de 49,4% na comparação anual.

Produtos florestais somaram US$ 1,38 bilhão, o equivalente a 12,8% das exportações do setor, mas apresentaram queda de 8,8% frente ao mesmo período do ano passado.

Já o grupo de cereais, farinhas e preparações atingiu US$ 1,12 bilhão, com alta de 11,3%.

O café respondeu por US$ 1,10 bilhão, com recuo de 24,7% na comparação anual.

No complexo sucroalcooleiro, as vendas externas alcançaram US$ 0,75 bilhão, queda de 31,8% em relação a janeiro de 2025.

Carne bovina in natura lidera entre produtos exportados

No detalhamento por produto, a carne bovina in natura foi o item de maior valor exportado no mês.

As vendas somaram US$ 1,3 bilhão, com embarque de 231,8 mil toneladas destinadas a 116 países.

As compras dos Estados Unidos desse produto cresceram 93% em janeiro, segundo o balanço divulgado pelo Ministério da Agricultura.

Produtos fora do núcleo tradicional atingem recordes em janeiro

O relatório do governo também registrou recordes mensais em itens que não integram o grupo principal de exportações do agronegócio.

A glicerina em bruto alcançou maior valor e volume já registrados para janeiro.

O óleo de milho também atingiu recorde tanto em receita quanto em quantidade embarcada.

Vídeo do YouTube

Situação semelhante foi observada para mamões frescos e pargos, que registraram máximas históricas para o mês.

Cerveja e ovos completam a lista de produtos que alcançaram recorde em valor exportado em janeiro de 2026, de acordo com os dados oficiais.

Governo atribui resultado a sanidade e negociações comerciais

Ao comentar os resultados, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou que ações na área sanitária e negociações comerciais contribuíram para o desempenho das exportações.

Entre os pontos mencionados estão o reconhecimento internacional do Brasil como livre de febre aftosa sem vacinação e a recuperação do status de livre de influenza aviária após registro de um único foco.

O ministério também citou avanços em tratativas com os Estados Unidos que resultaram na retirada de tarifa adicional para determinados produtos brasileiros, incluindo a carne bovina in natura.

Segundo o secretário de Comércio e Relações Internacionais, Luis Rua, desde 2023 foram abertos 535 novos mercados para produtos do agronegócio brasileiro, sendo 10 apenas em janeiro de 2026.

Ele mencionou iniciativas como AgroInsight, webinars e a Caravana do Agroexportador como ações voltadas à ampliação do acesso de produtores e exportadores ao mercado externo.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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