Descoberta científica aponta ligação genética entre novo fungo africano e o famoso “cogumelo mágico” cultivado globalmente
Uma descoberta científica recente chamou atenção da comunidade internacional de micologia e trouxe novos elementos para um antigo debate evolutivo.
Pesquisadores da África do Sul e dos Estados Unidos identificaram uma nova espécie de cogumelo psicodélico que pode ajudar a explicar a origem do Psilocybe cubensis, considerado hoje o cogumelo psicodélico mais cultivado do planeta.
O estudo foi publicado na revista científica Proceedings B of the Royal Society, uma das publicações acadêmicas da Royal Society, organização científica fundada em 1660 no Reino Unido.
A pesquisa indica que o novo fungo africano compartilhou um ancestral comum com o Psilocybe cubensis há aproximadamente 1,5 milhão de anos, o que sugere uma história evolutiva mais antiga do que a hipótese tradicional defendida por muitos cientistas.
A descoberta também reforça a importância de estudar a diversidade de fungos em regiões ainda pouco investigadas pela ciência, especialmente no continente africano.
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A nova espécie encontrada em pastagens africanas
Os cientistas identificaram uma nova espécie chamada Psilocybe ochraceocentrata, encontrada crescendo sobre esterco de gado em áreas de pastagem na África do Sul e no Zimbábue.
O nome científico foi escolhido devido à coloração ocre-amarelada observada no centro do chapéu do cogumelo, característica usada para diferenciar a espécie.
Embora visualmente semelhante ao Psilocybe cubensis, análises genéticas revelaram diferenças importantes entre os dois fungos.
Essas diferenças foram detectadas durante a comparação de sequências genéticas utilizadas para reconstruir relações evolutivas entre espécies.
A descoberta também mostrou que a nova espécie já vinha sendo cultivada em várias partes do mundo sem que sua identidade científica tivesse sido reconhecida.
O que são os chamados cogumelos mágicos
Os chamados “cogumelos mágicos” são fungos que contêm compostos psicodélicos naturais, principalmente psilocibina e psilocina.
Essas substâncias atuam no sistema nervoso e podem alterar percepção, humor e sensações.
Entre os efeitos relatados estão:
- alterações na percepção de tempo e espaço
- distorções visuais
- estados alterados de consciência
No Brasil, os cogumelos em si não aparecem explicitamente na lista de organismos proibidos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Entretanto, as substâncias psilocibina e psilocina estão classificadas como psicotrópicas proibidas, o que faz com que venda e cultivo frequentemente sejam tratados pela Justiça como crimes relacionados a drogas.
História científica do Psilocybe cubensis
O Psilocybe cubensis foi descrito cientificamente pela primeira vez em 1906, em Cuba.
Desde então, a espécie passou a ser reconhecida como o cogumelo psicodélico mais cultivado do mundo.
Durante décadas, muitos cientistas acreditaram que esse fungo teria sido introduzido nas Américas apenas nos últimos séculos, provavelmente quando o gado foi levado da Europa e da África para o continente americano a partir do século XVI.
Essa hipótese considerava que os fungos teriam se espalhado junto com os animais, já que esses cogumelos crescem normalmente em esterco de grandes herbívoros.
A nova pesquisa, entretanto, sugere que a relação evolutiva entre espécies desse grupo pode ser muito mais antiga.
Diferenças entre as espécies reveladas pela pesquisa
Embora os cogumelos apresentem aparência semelhante, os cientistas identificaram diferenças importantes.
Segundo Breyten van der Merwe, micologista e doutorando da Universidade de Stellenbosch, na África do Sul, essas distinções foram confirmadas por análises genéticas detalhadas.
Van der Merwe explica que o Psilocybe ochraceocentrata já era cultivado em várias regiões do mundo.
No entanto, até a realização do estudo, ninguém havia percebido que se tratava de uma espécie diferente do cogumelo clássico Psilocybe cubensis.
O pesquisador também destacou que essa variedade se tornou popular porque é considerada relativamente potente e fácil de cultivar, o que contribuiu para sua disseminação sem identificação correta.
Análises de DNA revelam a história evolutiva dos fungos
Para chegar às conclusões, a equipe analisou DNA de amostras coletadas em diferentes regiões da África austral.
Além disso, foram examinados espécimes históricos preservados em coleções científicas.
Os pesquisadores utilizaram técnicas de filogenia, método que compara sequências genéticas para reconstruir relações evolutivas entre espécies.
Também foram aplicados modelos científicos capazes de estimar quando diferentes linhagens se separaram ao longo da história evolutiva.
Essas análises permitiram estimar que as duas espécies podem ter divergido há cerca de 1,5 milhão de anos.
Mudanças ambientais podem ter influenciado a evolução
Os cientistas sugerem que transformações ambientais ocorridas há milhões de anos podem ter contribuído para essa separação evolutiva.
Nesse período, pastagens começaram a se expandir na América do Sul, enquanto grandes herbívoros se espalhavam da África para outras regiões do planeta.
Esses animais forneciam o substrato ideal onde esses cogumelos costumam crescer.
Assim, novas condições ecológicas podem ter criado ambientes favoráveis ao surgimento de espécies distintas dentro desse grupo de fungos psicodélicos.
A diversidade de fungos africanos ainda pouco explorada
Por fim, os pesquisadores destacam um ponto importante.
Segundo eles, a diversidade de fungos na África ainda recebe pouca investigação científica.
Portanto, novas pesquisas podem revelar outras espécies desconhecidas ou evolutivamente relevantes.
Além disso, descobertas como a do Psilocybe ochraceocentrata demonstram como estudos genéticos e pesquisas de campo ampliam o conhecimento sobre a evolução dos fungos.
Diante dessas novas evidências científicas, quantas outras espécies de fungos ainda desconhecidas podem existir nas pastagens africanas?

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