1. Inicio
  2. / Curiosidades
  3. / Rejeitado pelas gravadoras, o «pai do sertanejo» gravou a primeira música sertaneja do país com dinheiro do próprio bolso e criou um mercado bilionário quase um século depois; conheça Cornélio Pires
Tiempo de lectura 3 min de lectura Comentarios 0 comentarios

Rejeitado pelas gravadoras, o «pai do sertanejo» gravou a primeira música sertaneja do país com dinheiro do próprio bolso e criou um mercado bilionário quase um século depois; conheça Cornélio Pires

Publicado el 28/10/2025 a las 14:40
Descubra como Cornélio Pires, o pai do sertanejo, levou a música caipira do campo para os estúdios e criou um mercado musical que transformou a cultura rural brasileira.
Descubra como Cornélio Pires, o pai do sertanejo, levou a música caipira do campo para os estúdios e criou um mercado musical que transformou a cultura rural brasileira. Foto: Acervo/Pedro Massa/Instituto Cornélio Pires
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo

Descubra como Cornélio Pires, o pai do sertanejo, levou a música caipira do campo para os estúdios e criou um mercado musical que transformou a cultura rural brasileira.

Cornélio Pires, reconhecido como o pai do sertanejo, foi o homem que transformou a música do interior brasileiro em um fenômeno cultural e comercial. Jornalista, escritor e folclorista, ele percebeu que a música do campo tinha valor histórico e econômico, mesmo quando as grandes cidades a ignoravam.

Em uma época em que samba, choro e valsas dominavam rádios e gramofones, Cornélio acreditava que a vida no interior paulista, mineiro e de outras regiões guardava um tesouro cultural que precisava ser registrado e compartilhado.

Pai do sertanejo: O visionário que ouviu o campo

Nascido em Tietê, São Paulo, em 1884, Cornélio Pires era um intelectual urbano com paixão pela vida rural.

Circulava por cafés de São Paulo e mantinha amizade com personalidades como Monteiro Lobato e Tarsila do Amaral, mas dedicava-se a explorar a cultura popular.

Em suas viagens pelo interior, documentava o folclore, o dialeto caipira, as histórias, crenças e costumes locais.

Para Cornélio, o homem do campo não era atrasado, como a elite urbana pensava, mas o verdadeiro guardião da identidade brasileira.

E a música era a expressão mais autêntica dessa cultura, ainda que até então fosse transmitida apenas de forma oral.

Enfrentando o preconceito urbano

Quando Cornélio Pires levou artistas caipiras às grandes gravadoras, encontrou resistência.

Executivos das empresas rejeitaram a ideia, afirmando que o público urbano não compraria discos com a “música de capiau”.

Mas Cornélio acreditava no talento desses artistas e na força cultural de sua música.

Sem apoio, ele tomou uma decisão ousada: financiou a gravação por conta própria. Alugou os estúdios da Columbia em São Paulo, pagou a prensagem dos discos e lançou, em 1928, a “Série Caipira Cornélio Pires”.

O primeiro disco trouxe “Jorginho do Sertão” e “Desafio”, da dupla Mariano e Caçula, e teve sucesso imediato, mostrando que o público rural e urbano queria ouvir a música do campo.

Criando um mercado e valorizando o artista rural

O sucesso dos discos gravados por Cornélio Pires provou que existia demanda por música caipira.

Ele vendeu os discos de forma independente em lojas rurais e até em circos, e em pouco tempo as gravadoras que antes o rejeitaram passaram a disputar seu catálogo.

Mais do que sucesso comercial, Cornélio trouxe dignidade aos artistas do campo.

Ao colocar a música rural no mesmo padrão dos discos urbanos, transformou o “capiau” em artista reconhecido e abriu caminho para futuras gerações de músicos sertanejos.

Cornélio Pires não gravava apenas músicas. Ele documentava causos, piadas, declamações e fragmentos do folclore.

Essa abordagem criou uma verdadeira cápsula do tempo sonora, preservando dialetos, costumes e tradições do interior brasileiro para as futuras gerações.

Seu trabalho fez dele não apenas o pai do sertanejo, mas também um preservacionista cultural.

Do sertanejo tradicional ao agronejo moderno

Hoje, o sertanejo é o gênero mais ouvido no Brasil e movimenta bilhões de reais anualmente. Dos festivais aos eventos ligados ao agronegócio, o estilo musical mantém suas raízes rurais.

Apesar de guitarras, baterias e temas urbanos terem sido incorporados, tudo começou com Cornélio Pires, o pai do sertanejo, que transformou a simplicidade da roça em música e fez com que todo o país conhecesse a poesia do campo.

Legado do pai do sertanejo

O impacto de Cornélio Pires vai muito além da música. Ele criou o mercado da música caipira, valorizou o artista rural e preservou tradições culturais que poderiam ter sido esquecidas.

Sem sua iniciativa, o sertanejo moderno, as duplas lendárias e o agronejo dificilmente teriam se consolidado.

O pai do sertanejo permanece como um símbolo da coragem e da sensibilidade que transformaram a cultura rural em patrimônio nacional.

Com informações do Compre Rural.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Feedbacks
Visualizar todos comentários
Andriely Medeiros de Araújo

Ensino superior em andamento. Escreve sobre Petróleo, Gás, Energia e temas relacionados para o CPG — Click Petróleo e Gás.

Compartir en aplicaciones
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x