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País constrói barragem mais alta do mundo e surpreende o mundo ao erguer megaprojeto de US$ 6 bilhões com 335 metros de altura, 6 turbinas de 600 MW, reservatório de 13 km³ e capacidade de gerar 3.600 MW

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 14/03/2026 às 15:34
Atualizado em 14/03/2026 às 16:13
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Megabarragem nas montanhas da Ásia Central reúne engenharia extrema, disputa geopolítica por água e aposta econômica de um país dependente de remessas externas. Projeto Rogun promete transformar o sistema elétrico do Tajiquistão, mas enfrenta riscos sísmicos, desafios climáticos e décadas de tensão regional envolvendo recursos hídricos.

O Tajiquistão retomou com apoio internacional a construção da barragem de Rogun, projeto hidrelétrico que, quando concluído, deve alcançar 335 metros de altura e se tornar a mais alta do planeta.

A usina foi concebida ainda na era soviética, atravessou a dissolução da URSS, a guerra civil tajique e anos de impasse diplomático com o Uzbequistão.

Depois de décadas de paralisações, voltou ao centro da estratégia econômica de um país que segue dependente de remessas externas e ainda enfrenta restrições de energia no inverno.

Tajiquistão aposta em megabarragem para resolver crise energética

Encravado no coração da Ásia Central, o Tajiquistão é um país sem saída para o mar e com forte vocação hidrelétrica.

A população passou de 10,5 milhões de habitantes e as remessas enviadas por trabalhadores migrantes chegaram a 47,9% do PIB em 2024, sinal de uma economia ainda muito vulnerável a choques externos.

Ao mesmo tempo, falta persistente de eletricidade nos meses frios continua sendo um problema estrutural, quadro que ajuda a explicar o peso político e econômico atribuído ao projeto Rogun.

Origem soviética e retomada após guerra civil

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A origem do empreendimento remonta a 1976, quando Moscou lançou o projeto no rio Vakhsh, afluente do Amu Dária.

A escolha do local não foi casual, já que o vale estreito cercado por maciços montanhosos oferecia condições favoráveis para uma grande barragem de enrocamento com núcleo impermeável.

O plano previa um reservatório de cerca de 13,3 km³ de água e uma usina de grande porte para reforçar o sistema energético da região.

O cronograma soviético, porém, nunca foi concluído.

Com o colapso da União Soviética em 1991, o Tajiquistão se tornou independente e mergulhou pouco depois numa guerra civil que durou até 1997.

O conflito deixou dezenas de milhares de mortos e deslocou mais de meio milhão de pessoas, quadro que paralisou a economia e interrompeu a obra por décadas.

Quando o governo decidiu reativar Rogun nos anos 2000, o projeto deixou de ser apenas uma herança soviética e passou a ser tratado como eixo da segurança energética nacional.

Em 2018, a primeira unidade geradora entrou em operação.

Em 2019, foi a vez da segunda turbina iniciar atividades.

As duas funcionam em regime parcial enquanto a estrutura principal segue em construção e o enchimento pleno do reservatório depende do avanço das obras.

Disputa pela água com o Uzbequistão

Barragem Rogun no Tajiquistão pode se tornar a mais alta do mundo. Megaprojeto hidrelétrico de bilhões promete mudar energia na Ásia Central.
Barragem Rogun no Tajiquistão pode se tornar a mais alta do mundo. Megaprojeto hidrelétrico de bilhões promete mudar energia na Ásia Central.

Rogun sempre esteve no centro de uma disputa regional maior envolvendo o uso da água na Ásia Central.

Como o rio Vakhsh integra a bacia do Amu Dária, países localizados a jusante acompanharam a obra com preocupação, sobretudo o Uzbequistão, cuja agricultura irrigada depende fortemente desses fluxos.

Em 2012, o então presidente uzbeque Islam Karimov afirmou que disputas por água poderiam provocar conflito militar na região.

A pressão diplomática retardou financiamentos e empurrou o projeto para uma longa fase de estudos técnicos e ambientais.

Avaliações internacionais analisaram de forma abrangente benefícios e riscos do empreendimento, incluindo impactos regionais e segurança da barragem.

O cenário regional começou a mudar após 2016, com a morte de Karimov e a ascensão de Shavkat Mirziyoyev no Uzbequistão.

A relação entre Dushanbe e Tashkent tornou‑se menos conflitiva e abriu espaço para cooperação em energia e gestão de água.

O debate passou a incluir até acordos de compra de eletricidade gerada pela futura usina, transformando um antigo ponto de tensão em possível parceria energética.

Engenharia extrema em região sísmica

Do ponto de vista técnico, Rogun reúne características incomuns mesmo entre megabarragens.

O modelo adotado é o de barragem de enrocamento com núcleo central impermeável, solução considerada mais adequada para um terreno complexo e sismicamente ativo.

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A estabilidade da estrutura foi projetada levando em conta terremotos de grande magnitude e diferentes cenários de pressão hidrológica.

O desafio geológico vai além da atividade sísmica.

Estudos identificaram formações geológicas sensíveis na área da barragem, exigindo mitigação constante, monitoramento estrutural e adaptações de engenharia ao longo de toda a vida útil do projeto.

Ainda assim, avaliações técnicas indicaram que o local pode suportar uma barragem nas dimensões planejadas quando aplicadas as medidas adequadas de segurança.

Capacidade energética e dimensões da usina

A dimensão energética também passou por revisões técnicas ao longo dos anos.

Embora por décadas Rogun tenha sido divulgado como projeto de 3.600 megawatts, documentos recentes trabalham com 3.780 MW de capacidade instalada.

A geração seria distribuída em seis turbinas de aproximadamente 630 MW cada.

O reservatório permanece estimado em 13,3 km³ de água, enquanto a geração média anual projetada gira em torno de 14,4 terawatts‑hora quando a usina estiver completamente operacional.

Conta bilionária e financiamento internacional

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O custo do empreendimento também evoluiu ao longo do tempo. Mais de US$ 5 bilhões já foram gastos na construção da barragem.

Estimativas indicam que serão necessários cerca de US$ 6,29 bilhões adicionais para concluir todas as etapas do projeto.

Parte do financiamento vem do orçamento do próprio governo tajique.

Outros recursos dependem de empréstimos concessionais, doações internacionais e investimentos de instituições multilaterais.

Esse arranjo financeiro transformou Rogun em uma das maiores apostas de infraestrutura já assumidas por um país de renda relativamente baixa.

Mudanças climáticas aumentam incerteza hídrica

A urgência de ampliar a oferta elétrica convive com outra variável difícil de prever: a mudança do clima.

O derretimento acelerado de geleiras nas montanhas do Pamir está alterando o comportamento dos rios que alimentam o sistema hidrológico do Tajiquistão.

Relatórios climáticos apontam redução significativa da massa glacial nas últimas décadas.

No curto prazo, o processo pode aumentar o fluxo de água e favorecer a geração hidrelétrica.

No longo prazo, porém, a redução permanente dessas geleiras pode alterar drasticamente o regime do rio Vakhsh.

Para um projeto que depende do comportamento hidrológico por muitas décadas, essa incerteza representa um desafio operacional relevante.

Mesmo assim, autoridades tajiques e financiadores internacionais defendem que Rogun poderá reduzir os cortes de energia, ampliar o acesso à eletricidade e fortalecer o papel do país como exportador regional de energia.

A expectativa oficial é que a usina beneficie cerca de 10 milhões de pessoas e ajude a integrar sistemas elétricos da Ásia Central, ampliando o comércio de energia entre países vizinhos.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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