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País entra na corrida dos megaprojetos e gasta US$ 5 bilhões em cidades inteligentes diferentes, foge do estilo de megaprojetos da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Catar e tenta surpreender o mundo inteiro hoje

Escrito por Bruno Teles
Publicado el 22/12/2025 a las 11:27
Omã aposta em megaprojetos e cidades inteligentes como Sultan Haitham City e Yiti para transformar economia, reduzir dependência do petróleo e atrair turistas.
Omã aposta em megaprojetos e cidades inteligentes como Sultan Haitham City e Yiti para transformar economia, reduzir dependência do petróleo e atrair turistas.
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Enquanto vizinhos exibem megaprojetos de arranha-céus, Omã aposta em cidades inteligentes de US$ 5 bilhões, bairros baixos, energia renovável e planejamento urbano para diversificar a economia, atrair turistas e preparar o país para o mundo pós-petróleo até 2045, com transporte, moradia e uádis preservados, reduzindo dependência da receita do petróleo

Em 1970, Omã era um dos países mais isolados do mundo, com cerca de 10 quilômetros de estradas pavimentadas e grande parte da população sem acesso a eletricidade ou água potável. Meio século depois, em 2023, o país já recebia mais de 3 milhões de turistas por ano e discute como usar megaprojetos urbanos para enfrentar o pico previsto da demanda global por petróleo por volta de 2030.

Nesse intervalo, Omã decidiu trilhar um caminho diferente de Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Catar. Em vez de levantar florestas de arranha-céus, o sultanato lançou um pacote de cidades inteligentes orçado em cerca de US$ 5 bilhões, alinhado à Visão 2040 e escalonado até 2045, priorizando bairros compactos, energia renovável, infraestrutura básica e mobilidade pública em vez de ícones arquitetônicos gigantescos.

Como Omã redefiniu a lógica dos megaprojetos no Golfo

Omã aposta em megaprojetos e cidades inteligentes como Sultan Haitham City e Yiti para transformar economia, reduzir dependência do petróleo e atrair turistas.

Os vizinhos de Omã usaram megaprojetos para se projetar rapidamente:

Dubai ergueu o prédio mais alto do mundo, Doha reconstruiu sua capital para sediar a Copa mais cara da história e a Arábia Saudita tenta tirar do papel uma megacidade trilionária no deserto.

Omã seguiu outra rota. Sob o comando do sultão Qaboos a partir de 1970, o país priorizou estradas, serviços básicos e integração arquitetônica com falésias e montanhas.

O edifício mais alto de Mascate tem cerca de 16 andares, e a paisagem urbana é deliberadamente baixa, descrita por visitantes como “mais Suíça que Oriente Médio”.

Em vez de criar horizontes de vidro, o governo escolheu consolidar infraestrutura e preservar a identidade visual do território.

Essa contenção estética agora se combina com um novo ciclo de megaprojetos voltados a energia limpa, diversificação econômica e adensamento planejado, sem repetir o modelo de ilhas artificiais, portos ultraespetaculosos ou torres de centenas de metros adotado pelos vizinhos do Golfo.

Pressão do petróleo, demografia e a Visão Omã 2040

Omã aposta em megaprojetos e cidades inteligentes como Sultan Haitham City e Yiti para transformar economia, reduzir dependência do petróleo e atrair turistas.

O petróleo e o gás ainda respondem por cerca de 50 por cento do PIB e por aproximadamente 70 por cento da receita pública, o que torna a transição econômica uma questão de sobrevivência fiscal.

A Agência Internacional de Energia projeta que a demanda global por petróleo deve atingir o pico por volta de 2030, encurtando a janela para sustentar políticas apenas com royalties.

Ao mesmo tempo, a população do país deve saltar de 4,5 milhões para cerca de 8,5 milhões de habitantes até 2040, exigindo moradia, transporte, escolas e empregos em escala inédita.

Em vez de responder com torres monumentais, Omã estruturou a Visão 2040, que combina zonas econômicas especiais, grandes corredores de transporte, modernização de portos e um programa nacional para diversificação econômica apoiado em tecnologia, educação e serviços digitais.

Essa visão inclui reformar o sistema educacional com foco em criatividade, resolução de problemas e tecnologias como inteligência artificial, blockchain e robótica, além de reorganizar serviços públicos e criar uma economia circular que transforme parte do lixo em recurso.

Os megaprojetos urbanos de cidades inteligentes funcionam como vitrine e laboratório dessa estratégia.

Sultan Haitham City: cidade baixa, sensores em toda parte e espinha dorsal verde

Video de YouTube

Sultan Haitham City é o exemplo mais claro da nova geração de megaprojetos de Omã.

Prevista para abrigar cerca de 100 mil pessoas em 19 bairros, sobre uma área aproximadamente três vezes maior que o Central Park, a cidade mantém a altura dos prédios controlada para não bloquear a vista das montanhas e aposta em tecnologia embarcada em vez de marcos verticais.

A capital já testa mais de 13 mil postes de iluminação LED inteligentes, capazes de reduzir o consumo de energia em até 85 por cento, e Sultan Haitham City expande essa lógica com uma rede de sensores espalhada por toda a malha urbana, monitorando da qualidade do ar ao fluxo de tráfego.

A ambição é ter bairros de baixa altura com desempenho de cidade de ponta, e não a simples reprodução de um skyline de luxo.

O projeto também incorpora um parque linear de 7,5 quilômetros no leito de um rio, com 1,6 milhão de metros quadrados transformados em “espinha dorsal verde central”.

Na estação seca, o espaço funciona como área de lazer e trilhas; nas chuvas, atua como sistema natural de gestão de enchentes e conservação de água.

As moradias são posicionadas para maximizar sombra e ventilação natural, enquanto um hospital de 1.200 leitos, 39 escolas e 25 mesquitas são distribuídos para garantir deslocamentos a pé tanto para educação quanto para práticas religiosas diárias.

A primeira fase, com cerca de 6.700 residências em seis bairros, ocupa 5 milhões de metros quadrados, já está em execução e tem conclusão prevista para 2030.

As etapas seguintes, escalonadas até 2045, completarão o desenho da cidade dentro da estratégia mais ampla de megaprojetos conectados à Mascate por transporte público de massa.

Al Khuwair: megaprojeto costeiro de assinatura global e escala contida

Na frente litorânea da capital, o projeto Al Khuwair Waterfront, orçado em cerca de US$ 1,3 bilhão, representa a tentativa de Omã de criar um cartão-postal contemporâneo sem abandonar o controle de escala.

Assinado pelo escritório Zaha Hadid Architects, o plano libera prédios de até 150 metros de altura, bem abaixo dos padrões de Dubai, para um conjunto de distritos interligados que somam 3,6 milhões de metros quadrados.

O desenho combina “infraestrutura verde e azul”, em que cursos d’água naturais do deserto, os uádis, alimentam canais modernos, enquanto a rodovia é convertida em corredor verde até a faixa de praias e dunas.

Em vez de torres de luxo lado a lado, o megaprojeto se organiza em cinco distritos funcionais integrados, reaproveitando edifícios governamentais existentes com materiais reciclados, e prevendo moradia para 64.500 pessoas.

A mobilidade interna inclui rede de VLT, táxis aquáticos e ciclovias, com prioridade para percursos caminháveis mesmo no calor intenso de Mascate.

Al Khuwair se conecta estruturalmente a Sultan Haitham City, formando um eixo de megaprojetos urbanos que tenta equilibrar turismo, serviços governamentais e residência permanente.

Yiti: laboratório de cidade sustentável com energia própria e comida local

Mais ao longo da costa do Golfo de Omã, o Plano Diretor de Desenvolvimento de Yiti avança com a promessa de se tornar a maior comunidade sustentável do Oriente Médio.

A meta é que a cidade produza tanta energia limpa quanto consome, com 93 por cento da infraestrutura já instalada e a primeira leva de casas esgotada rapidamente.

A operação plena está prevista para 2026.

Todos os edifícios serão alimentados por energia renovável, resíduos sólidos serão convertidos em energia e cerca de 80 por cento dos alimentos consumidos deverão ser produzidos dentro da própria comunidade, em fazendas urbanas de alta tecnologia capazes de cultivar o ano inteiro.

Carrinhos elétricos e bicicletas elétricas substituirão carros em grande parte das ruas, e o objetivo oficial é reduzir em 78 por cento a pegada de carbono dos moradores em comparação com residências típicas de Omã.

Embora Yiti não tenha o brilho midiático de uma megacidade futurista no deserto, ela funciona como megaprojeto de demonstração sobre como integrar energia, lixo, mobilidade e produção de alimentos em uma estrutura urbana de médio porte, pensada para residentes permanentes, e não apenas para visitantes ocasionais.

A engrenagem dos US$ 5 bilhões dentro da transformação maior de Omã

Os três grandes projetos urbanos se somam a um pacote mais amplo de investimentos de cerca de US$ 33 bilhões em construção e infraestrutura em todo o país, incluindo novas estradas, modernização de portos e atualização tecnológica de setores tradicionais como pesca e agricultura.

O turismo, que já trouxe mais de 3 milhões de visitantes em 2023, deve responder por 10 por cento da economia até 2040, apoiado por US$ 51 bilhões em novos projetos.

Entre esses investimentos está um complexo turístico de aproximadamente US$ 2,4 bilhões em Jabal al Akhdar, a 2.400 metros de altitude, planejado para receber mais de 4.000 visitantes por dia e abrigar até 8.000 residentes em uma comunidade de montanha focada em bem-estar.

Ao mesmo tempo, o governo trabalha para ampliar a participação de mulheres no mercado de trabalho e descentralizar decisões, dando mais controle a comunidades locais sobre seu próprio desenvolvimento.

Nesse contexto, as cidades inteligentes de US$ 5 bilhões de Omã deixam de ser apenas vitrines tecnológicas e passam a integrar um desenho nacional que combina megaprojetos urbanos discretos com reformas em educação, governança e base produtiva, procurando garantir que o crescimento econômico funcione concretamente para quem vive no país.

Diante dessa estratégia mais discreta, em que megaprojetos são cidades inteligentes baixas e sustentáveis em vez de arranha-céus recordistas, você acha que o caminho escolhido por Omã tem mais chances de dar resultado no longo prazo do que os projetos monumentais dos vizinhos do Golfo?

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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