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Com 272 metros de altura, reservatório de mais de 10 bilhões de m³ de água e geração prevista de 4.500 MW, o Paquistão empilha rocha e concreto no Himalaia para erguer a barragem Diamer-Bhasha e evitar um colapso energético e hídrico nacional

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado el 07/02/2026 a las 17:22
Actualizado el 07/02/2026 a las 17:24
Com 272 metros de altura, reservatório de mais de 10 bilhões de m³ de água e geração prevista de 4.500 MW, o Paquistão empilha rocha e concreto no Himalaia para erguer a barragem Diamer-Bhasha e evitar um colapso energético e hídrico nacional
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Localizada no rio Indo, no norte do Paquistão, a barragem Diamer-Bhasha tem 272 metros de altura, potência de 4.500 MW e é peça-chave para evitar crises de energia, água e enchentes no país.

A barragem Diamer-Bhasha está sendo construída no rio Indo, no distrito de Diamer, região de Gilgit-Baltistão, no norte do Paquistão. O projeto é conduzido pela Water and Power Development Authority (WAPDA), órgão estatal responsável por recursos hídricos e energia, e teve o início oficial das obras autorizado em julho de 2020, após mais de três décadas de estudos técnicos, disputas políticas internas e dificuldades de financiamento. A obra é considerada estratégica pelo governo paquistanês por enfrentar simultaneamente três problemas estruturais do país: déficit crônico de energia elétrica, escassez de água para irrigação e risco crescente de enchentes de grande escala.

Desde a autorização formal, a Diamer-Bhasha passou a ser tratada como uma infraestrutura de sobrevivência nacional. O Paquistão depende quase integralmente do rio Indo para sustentar sua agricultura, abastecimento urbano e geração hidrelétrica.

Com o crescimento populacional acelerado e a intensificação de eventos climáticos extremos, o país passou a enfrentar apagões frequentes, perda de capacidade de armazenamento hídrico e enchentes devastadoras, tornando a nova barragem um elemento central da estratégia nacional de longo prazo.

Onde fica a barragem Diamer-Bhasha e por que o local foi escolhido

A barragem está sendo erguida cerca de 40 quilômetros a jusante da cidade de Chilas, em um trecho profundo e estreito do vale do Indo. A escolha do local foi baseada em critérios geológicos e hidráulicos específicos: grande desnível natural do terreno, leito rochoso resistente e elevada vazão anual do rio, alimentado por geleiras do Himalaia, do Karakoram e do Hindu Kush.

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Ao mesmo tempo, trata-se de uma das regiões geologicamente mais instáveis do planeta. Gilgit-Baltistão está próxima à convergência de placas tectônicas e registra histórico de terremotos significativos.

Essa condição obrigou os engenheiros a adotar um modelo estrutural capaz de suportar fortes abalos sísmicos sem colapso estrutural, elevando consideravelmente o grau de complexidade da obra.

Tipo de barragem e soluções de engenharia adotadas

A Diamer-Bhasha foi projetada como uma barragem de enrocamento com face de concreto (CFRD), um tipo considerado mais flexível e resiliente em regiões sísmicas do que barragens tradicionais de gravidade.

Nesse modelo, o corpo principal é formado por milhões de toneladas de rocha compactada, enquanto uma face de concreto impermeável garante o controle da água.

Esse tipo de estrutura permite absorver deformações sem ruptura catastrófica, característica essencial em uma área sujeita a terremotos. Além disso, o método reduz o risco de falhas abruptas, tornando a barragem mais segura em cenários extremos.

Dimensões colossais que colocam a obra entre as maiores do mundo

Com 272 metros de altura, a Diamer-Bhasha está entre as barragens mais altas já projetadas globalmente.

O comprimento do coroamento ultrapassa 1.000 metros, e o volume total de material de enrocamento e concreto utilizado é estimado em dezenas de milhões de toneladas, transportadas por rodovias de montanha e compactadas em camadas sucessivas.

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O reservatório terá capacidade superior a 8 bilhões de metros cúbicos, podendo ultrapassar 10 bilhões de m³, segundo dados técnicos divulgados pela WAPDA.

Esse volume é suficiente para compensar a perda de armazenamento da barragem de Tarbela, que sofreu forte assoreamento desde sua inauguração nos anos 1970 e perdeu parte significativa de sua capacidade original.

Geração de energia e impacto direto na matriz elétrica

No campo energético, a usina hidrelétrica associada à barragem terá potência instalada de 4.500 megawatts, distribuída em várias turbinas de grande porte. Isso faz da Diamer-Bhasha uma das maiores hidrelétricas do Paquistão e uma das mais relevantes do sul da Ásia.

A energia gerada será integrada ao sistema nacional para reduzir a dependência de termelétricas a óleo e gás, que são caras, poluentes e responsáveis por grande parte dos apagões recorrentes no país.

Segundo a WAPDA, a usina poderá fornecer eletricidade suficiente para milhões de residências e indústrias, especialmente durante os períodos de pico de consumo no verão.

Controle de enchentes e segurança hídrica

Além da geração elétrica, a barragem foi concebida como um instrumento essencial de controle de enchentes. O rio Indo é conhecido por cheias sazonais violentas, que já causaram desastres humanitários de grande escala no Paquistão, com milhares de mortos e prejuízos bilionários.

O grande reservatório permitirá regular a vazão do rio, reduzindo picos de cheia a jusante e protegendo áreas densamente povoadas. Ao mesmo tempo, o armazenamento estratégico de água será fundamental para garantir irrigação agrícola durante períodos de seca ou irregularidade climática, um fator crítico para a segurança alimentar do país.

Custo bilionário e estrutura de financiamento

O custo total estimado da Diamer-Bhasha gira em torno de US$ 14 bilhões, segundo dados oficiais da WAPDA e do governo paquistanês. O financiamento envolve recursos públicos, emissão de títulos nacionais e participação de bancos de desenvolvimento. Inicialmente, o projeto enfrentou dificuldades para obter financiamento internacional devido à sua localização em uma região politicamente sensível.

Diante disso, o governo decidiu avançar com forte aporte interno, tratando a barragem como prioridade estratégica nacional. A obra também gera dezenas de milhares de empregos diretos e indiretos, além de impulsionar infraestrutura de transporte e serviços em uma das regiões mais isoladas do país.

Impactos sociais, reassentamento e desafios locais

A construção do reservatório exige o reassentamento de milhares de moradores da região, incluindo comunidades tradicionais.

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A WAPDA afirma que programas de compensação, novas moradias e infraestrutura social estão sendo implementados, embora o processo seja considerado um dos maiores desafios sociais do projeto.

Ao mesmo tempo, a obra tem impulsionado investimentos em estradas, telecomunicações e serviços básicos em Gilgit-Baltistão, alterando profundamente a dinâmica econômica local.

Por que a Diamer-Bhasha pode redefinir o futuro do Paquistão

A barragem Diamer-Bhasha vai muito além de uma obra de engenharia. Ela representa uma tentativa de reorganizar a base hídrica, energética e econômica do Paquistão em um contexto de crescimento populacional, mudanças climáticas e pressão sobre recursos naturais.

Se concluída conforme o cronograma previsto, a estrutura poderá operar por décadas, garantindo energia estável, água armazenada e maior resiliência contra desastres naturais.

Para um país historicamente vulnerável a crises de energia e enchentes, a Diamer-Bhasha se tornou um dos projetos mais decisivos de sua história moderna.

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Valdir
Valdir
11/02/2026 09:07

Quando vai entrar em operação?

Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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