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Para erguer um complexo urbano de mais de 1,12 milhão de m², engenheiros integraram oito torres a uma estrutura horizontal de 300 metros revestida por cerca de 3.000 painéis de vidro e quase 5.000 painéis de alumínio, criando no Raffles City Chongqing uma megaconstrução onde volumes equivalentes a quarteirões inteiros são suspensos e conectados no ar

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado el 28/01/2026 a las 13:57
Actualizado el 28/01/2026 a las 13:58
Raffles City Chongqing uma megaconstrução onde volumes equivalentes a quarteirões inteiros são suspensos e conectados no ar
Raffles City Chongqing uma megaconstrução onde volumes equivalentes a quarteirões inteiros são suspensos e conectados no ar
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Com mais de 1,12 milhão de m², o Raffles City Chongqing conecta oito torres por um skybridge de 300 m e revela como a engenharia criou um quarteirão suspenso no ar.

Segundo documentos técnicos divulgados pela CapitaLand, relatórios estruturais da Arup e registros do governo municipal de Chongqing, o projeto do Raffles City Chongqing começou a ser executado em 2013 em um dos pontos urbanos mais restritos e complexos da China, exatamente na confluência dos rios Yangtzé e Jialing.

A região já apresentava alta densidade construtiva, infraestrutura saturada e limitações severas de espaço, o que levou os engenheiros a abandonar completamente a lógica tradicional de expansão horizontal e concentrar, em um único complexo, funções que normalmente ocupariam vários quarteirões independentes.

A escala urbana condensada em mais de 1,12 milhão de metros quadrados

O dado que define o Raffles City Chongqing não é sua altura isolada, mas sua área total construída, que ultrapassa 1,12 milhão de metros quadrados. Esse número coloca o empreendimento em uma categoria rara de megaconstruções que deixam de ser apenas edifícios para funcionar como distritos urbanos completos.

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Dentro dessa área estão distribuídos edifícios residenciais, escritórios corporativos, hotelaria de grande porte, centro comercial, áreas públicas elevadas e sistemas de circulação que reproduzem, em três dimensões, a lógica funcional de um bairro inteiro.

Essa concentração extrema exigiu que o projeto estrutural fosse pensado como um único sistema integrado.

As torres não funcionam de forma independente; elas compartilham infraestruturas, fundações profundas, sistemas de transferência de carga e plataformas comuns, o que reduz redundâncias, mas eleva drasticamente a complexidade do cálculo estrutural e da execução da obra.

O papel das oito torres e a transferência de cargas em grande escala

O complexo é formado por oito torres principais, duas delas atingindo aproximadamente 354 metros de altura. Essas torres não apenas suportam suas próprias cargas verticais, mas também participam do equilíbrio estrutural do conjunto.

Em vez de estruturas isoladas, o projeto adota núcleos rígidos, lajes de transferência e sistemas de ligação capazes de redistribuir esforços entre os edifícios.

Esse arranjo foi essencial para viabilizar a peça mais ambiciosa do projeto: uma estrutura horizontal suspensa de cerca de 300 metros de comprimento, posicionada a dezenas de metros acima do solo.

Diferente de passarelas convencionais, essa estrutura foi concebida como um edifício completo suspenso, com peso próprio, ocupação humana permanente e sistemas prediais integrados.

A construção do skybridge de 300 metros suspenso entre arranha-céus

Conhecida como “The Crystal”, a estrutura horizontal do Raffles City Chongqing tem aproximadamente 300 metros de comprimento, mais de 30 metros de largura e dezenas de metros de altura, formando um volume comparável ao de um edifício de médio porte disposto na horizontal.

Para sua execução, grandes segmentos estruturais foram fabricados no solo e içados gradualmente até sua posição final, onde foram conectados com tolerâncias extremamente reduzidas.

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Do ponto de vista construtivo, o desafio não estava apenas no peso da estrutura, mas no controle de movimentos relativos entre as torres. Variações térmicas, vento e deformações naturais dos edifícios exigiram ligações capazes de absorver deslocamentos sem comprometer a integridade do conjunto.

O skybridge precisou ser projetado para se mover de forma controlada, acompanhando os comportamentos dinâmicos das torres que o sustentam.

O consumo maciço de materiais e o revestimento em escala industrial

A escala material do Raffles City Chongqing fica evidente nos números de acabamento e envoltória. Apenas na estrutura suspensa, foram utilizados cerca de 3.000 painéis de vidro e quase 5.000 painéis de alumínio, formando uma pele arquitetônica contínua que cobre um volume aéreo de centenas de metros. Esses números não incluem os revestimentos das torres, que ampliam ainda mais o consumo total de materiais industriais de alta precisão.

O uso extensivo de vidro exigiu controle rigoroso de cargas de vento, dilatação térmica e eficiência energética, enquanto os painéis de alumínio foram dimensionados para suportar variações climáticas severas e garantir durabilidade em longo prazo.

Em conjunto, esses materiais transformam a estrutura suspensa em um marco visual, mas também em um desafio técnico permanente de manutenção e desempenho.

Um complexo que funciona como uma única máquina estrutural

O resultado final do Raffles City Chongqing é um organismo construtivo único, no qual edifícios, plataformas, passagens e volumes suspensos funcionam como partes de uma mesma máquina estrutural.

Não se trata apenas de interligar torres, mas de fazer com que todas elas compartilhem esforços, sistemas e fluxos urbanos em uma escala raramente vista na engenharia civil contemporânea.

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A obra se tornou referência justamente por demonstrar que, em ambientes urbanos saturados, a solução não está apenas em construir mais alto, mas em integrar volumes, concentrar funções e explorar o espaço tridimensional como extensão direta da cidade.

No caso de Chongqing, isso resultou em uma megaconstrução que materializa, em concreto, aço, vidro e alumínio, a ideia de um quarteirão inteiro suspenso no ar.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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