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Para sustentar um gigante de 632 m em solo mole, engenheiros de Xangai perfuraram estacas de mais de 50 m, derramaram 60 mil m³ de concreto em uma única etapa e desenvolveram soluções contra tufões, terremotos e fricção do vento

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 14/01/2026 às 10:52
Para sustentar um gigante de 632 m em solo mole, engenheiros de Xangai perfuraram estacas de mais de 50 m, derramaram 60 mil m³ de concreto em uma única etapa e desenvolveram soluções contra tufões, terremotos e fricção do vento
Para sustentar um gigante de 632 m em solo mole, engenheiros de Xangai perfuraram estacas de mais de 50 m, derramaram 60 mil m³ de concreto em uma única etapa e desenvolveram soluções contra tufões, terremotos e fricção do vento
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A Shanghai Tower, com 632 m e 128 andares, usou fundações de 947 estacas, 60 mil m³ de concreto e uma fachada espiralada para enfrentar solos moles, tufões e desafios estruturais inéditos.

A Shanghai Tower, concluída em 2015 em Xangai, China, não é apenas o edifício mais alto da China e o segundo mais alto do mundo é um símbolo da engenharia moderna que enfrentou desafios técnicos extremos em solo instável, clima adverso e cargas gigantescas de vento e terremotos. Projetado pelos arquitetos da Gensler e os engenheiros estruturais da Thornton Tomasetti, o projeto começou em 2008 depois de estudos geotécnicos que mostraram que a camada superficial do terreno consistia em clay (argila) e areia até 120 m de profundidade, dificultando a ancoragem tradicional em rocha.

O desafio da fundação de Shanghai Tower: solo mole além do normal

Antes de qualquer coluna erguer-se para o céu, os engenheiros tiveram de enfrentar um dos problemas mais complexos da engenharia civil: fundar um superarranha-céu num antigo delta de rio, com camadas alternadas de argila e areia e lençol freático a poucos centímetros da superfície.

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A solução foi um sistema de fundação de apoio em estacas profundas combinado com uma enorme laje de base. No total, 947 estacas concretadas no local, de cerca de 1 m de diâmetro e entre 52 e 56 m de comprimento, foram cravadas para alcançar camadas de solo com capacidade de carga adequada.

Essas estacas foram reforçadas com injeções de grouting nos extremos para aumentar a resistência ao assentamento. Por cima delas, uma laje de fundação — a chamada raft foundation — de cerca de 6 m de espessura conectou todas as estacas em uma base rígida que distribui as cargas gigantescas do arranha-céu.

Somente essa fundação consome dezenas de milhares de metros cúbicos de concreto e semanas de trabalho coordenado. A laje principal teve uma concretagem contínua de cerca de 60 000 m³, uma operação que exigiu planejamento logístico preciso e tecnologias de concreto de baixa retração e baixa geração de calor para evitar fissuras.

Como equilibrar mais de 1 500 000 toneladas de estrutura em ventos e terras moles

Com uma altura final de 632 m, 128 pavimentos acima do solo e 5 abaixo, a Shanghai Tower enfrenta pressões extremas de vento, especialmente tufões que atingem a costa leste da China — e também forças sísmicas moderadas típicas da região.

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Para reduzir a carga do vento, os projetistas deram ao edifício uma forma torcida em 120° entre base e topo, o que reduz o impacto do vento em cerca de 24% em comparação com uma torre convencional.

Além disso, o sistema estrutural combina um núcleo de concreto reforçado com uma série de mega-colunas periféricas, treliças de cinturão e elementos de aço e concreto híbridos que funcionam em conjunto para resistir às forças laterais e verticais.

Tecnologias de construção e logística vertical

Levantar um arranha-céu dessa magnitude exigiu inovações práticas além do cálculo estrutural. Por exemplo, a construção usou jumping cranes, guindastes que “sobem”, com a edificação à medida que ela cresce, porque guindastes convencionais não alcançariam os níveis superiores.

Durante o auge da obra, mais de 4 000 trabalhadores estavam no canteiro simultaneamente, com dezenas de plataformas elevatórias e sistemas de bombeamento para distribuir concreto de alta resistência verticalmente até alturas superiores a 600 m.

Concretagem contínua e desafios de material

Concretar uma estrutura desse tamanho, em um clima úmido e com grandes variações de temperatura, exigiu concreto de altíssima performance.

O concreto utilizado no núcleo e na fundação alcançou classificações próximas a C50/C60, com cuidados para controlar a taxa de hidratação e minimizar retração.

Para sustentar um gigante de 632 m em solo mole, engenheiros de Xangai perfuraram estacas de mais de 50 m, derramaram 60 mil m³ de concreto em uma única etapa e desenvolveram soluções contra tufões, terremotos e fricção do vento
Para sustentar um gigante de 632 m em solo mole, engenheiros de Xangai perfuraram estacas de mais de 50 m, derramaram 60 mil m³ de concreto em uma única etapa e desenvolveram soluções contra tufões, terremotos e fricção do vento

Essa combinação de concreto de alta resistência e aço estruturado permitiu que a torre alcançasse sua altura sem comprometer a segurança e com economia de material: o design espiralado da fachada também permitiu reduzir cerca de 25% de aço estrutural em comparação com um projeto convencional similar.

Sistemas de conforto, energia e sustentabilidade

Além de estabilidade e robustez, a Shanghai Tower incorpora elementos inovadores para conforto e sustentabilidade.

O edifício possui 270 pequenas turbinas eólicas integradas à fachada, destinadas a gerar até 10% da energia consumida, além de sistemas de captação de água da chuva e zonas verdes internas que funcionam como “cidades verticais”.

Os elevadores — 106 unidades, incluindo elevadores de alta velocidade que podem alcançar até 20,5 m/s — representam outra inovação logística, permitindo que milhares de pessoas se movimentem rapidamente em uma torre de proporções quase sem paralelos.

Integração urbana e impacto no skyline

Construída no distrito financeiro de Lujiazui, na margem do rio Huangpu, a Shanghai Tower não é apenas uma demonstração de capacidade técnica, mas também um símbolo do crescimento econômico e urbano da China no século XXI.

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O edifício funciona como um polo misto: escritórios, hotéis, espaços públicos e observatórios se interligam verticalmente, criando um micro-ambiente funcional e um enorme ícone para Xangai.

Graças a essas soluções inovadoras — da fundação de estacas profundas até a geometria espiralada da fachada, a torre venceu desafios que teriam bloqueado destruições em solos tão pouco estáveis ou clima severo, tornando-se um caso de estudo clássico em super-estrutura, geotecnia e logística de construção pesada.

Por que essa obra interessa além da arquitetura

A Shanghai Tower representa um ponto de inflexão no entendimento de como enfrentar solos complicados, fortes ventos, cargas sísmicas e a necessidade de sustentabilidade em estruturas gigantescas.

É um exemplo de engenharia em que decisões estruturais, geológicas e arquitetônicas caminham juntas, provando que desafios de escala podem ser convertidos em soluções de longo prazo.

E com dezenas de milhares de toneladas de material, centenas de metros de altura e soluções de engenharia únicas, a torre continua a inspirar projetos ainda maiores ao redor do mundo.

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Emilio
Emilio
19/01/2026 09:32

Revisen por favor el enunciado.
“60 m3 de hormigón”,en una cimentación de 625 MTS,me parecen muy pocos para semejante estructura,piensen ustedes que para comentar un solo molino eólico,suele llevar entre 200-300 m3 para una altura aproximada de 120 m.
GRACIAS

Emilio2
Emilio2
Em resposta a  Emilio
19/01/2026 16:09

Entiendo es una errata, puesto que luego habla de 60000m3.

Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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