Bombinhas, paraíso com 39 praias e 67% de área verde, cobra Taxa de Preservação Ambiental desde 2015, com tarifas sazonais até R$ 191 por veículo, recebe 2,3 milhões de turistas por temporada e tenta conter turismo de massa que encolhe a menor cidade de SC nos meses de pico turístico.
Bombinhas volta ao centro do debate sobre turismo de massa em Santa Catarina: o paraíso com 39 praias reafirma, pelo décimo verão seguido, a cobrança obrigatória da Taxa de Preservação Ambiental para todos os veículos que entram na cidade durante a alta temporada, com valores que podem passar de R$ 190 conforme o porte do automóvel.
Entre novembro de 2024 e abril de 2025, a menor cidade em área do estado recebeu 2,3 milhões de visitantes e viu a população fixa de cerca de 25 mil moradores ser multiplicada em até dezoito vezes ao mês. Nesse período, o pedágio ambiental é apresentado pela prefeitura como ferramenta para conter a pressão sobre praias, ruas e serviços urbanos, ao mesmo tempo em que se converte em uma das principais fontes locais de arrecadação.
Quanto custa entrar no paraíso com 39 praias

A TPA é cobrada de forma sazonal, de novembro a abril, e varia de acordo com o tipo de veículo.
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Na prática, cada visitante que chega de carro ao paraíso com 39 praias precisa calcular o custo da diária antes de atravessar os pórticos de Bombas e Zimbros, principais acessos rodoviários ao município.
Os valores informados pela prefeitura para a atual temporada são:
Motocicleta, motoneta e bicicleta a motor: R$ 4,50 por período de permanência definido
Veículos de pequeno porte de passeio: R$ 38,00
Veículos utilitários como caminhonetes e furgões: R$ 57,00
Vans de excursão e micro-ônibus: R$ 76,50
Caminhões: R$ 114,50
Ônibus de turismo: R$ 191,50
Segundo a administração municipal, a TPA garantiu R$ 26,4 milhões em arrecadação na temporada mais recente, com R$ 16,6 milhões pagos por veículos nacionais e R$ 9,8 milhões por automóveis estrangeiros.
A prefeitura afirma que os recursos são destinados a fiscalização, ações de educação ambiental, recuperação de vegetação nativa, manutenção de áreas públicas e estrutura de atendimento ao fluxo turístico intenso.
Como funciona a Taxa de Preservação Ambiental em Bombinhas

A cobrança foi instituída em 2015 e é apresentada como uma reação direta ao avanço do turismo de massa sobre um território pequeno, de 34,5 quilômetros quadrados, onde 67 por cento da área é protegida como verde e existem três unidades de conservação formalmente reconhecidas.
Bombinhas ostenta hoje o título de Capital Nacional do Mergulho Ecológico e usa o rótulo de paraíso com 39 praias como vitrine internacional, com cinco delas certificadas com o selo Bandeira Azul, um dos principais símbolos de qualidade ambiental de praias no mundo.
A prefeitura argumenta que, sem a filtragem do fluxo de veículos e a cobrança específica para quem entra na cidade, o modelo de praia “de cartão-postal” seria rapidamente pressionado pelo excesso de carros, lixo e ocupação desordenada.
A medida, no entanto, não é consensual.
A própria prefeitura admite que o pedágio ambiental já foi alvo de ações judiciais e contestações ao longo da última década.
Mesmo assim, a TPA permanece em vigor e serve de referência para outros destinos turísticos, como Fernando de Noronha e Jericoacoara, que adotaram mecanismos semelhantes de cobrança para visitantes.
Explosão de turistas encolhe a cidade na alta temporada
Entre novembro de 2024 e abril de 2025, a série histórica oficial aponta 2,3 milhões de turistas em Bombinhas, com média de 460 mil visitantes por mês.
Em um município com cerca de 25 mil moradores, o efeito prático é o encolhimento da cidade diante de uma população flutuante que chega a ser 18 vezes maior em determinados períodos da temporada.
A evolução ao longo dos últimos verões mostra que o volume de turistas vem crescendo ou se mantendo em patamar elevado desde 2017, com temporadas que variaram entre 1,3 milhão e pouco mais de 2,1 milhões de visitantes antes de alcançar o recorde mais recente de 2,3 milhões.
A combinação de praia curta, ruas estreitas e alta densidade de veículos levou a prefeitura a tratar a TPA como ferramenta de gestão de circulação e de pressão sobre a infraestrutura urbana.
Em paralelo, Bombinhas ampliou sua exposição nacional e internacional.
Em novembro de 2025, uma pesquisa da Booking.com colocou o município na quinta posição entre os destinos brasileiros mais buscados por estrangeiros para o Réveillon, ao lado de Florianópolis.
Na prática, o paraíso com 39 praias passou a concorrer com capitais tradicionais na disputa por consumo, estadia e gastos de fim de ano, ampliando o desafio de conciliar volume de visitantes e preservação.
Cobrança digital, pórticos e totens de autoatendimento
A TPA pode ser paga de forma antecipada pelo site oficial da prefeitura ou pelo aplicativo dedicado, com opção de quitação via Pix.
Para quem prefere automatizar o processo, Bombinhas integrou a cobrança às tags de pagamento automático Sem Parar, ConectCar e Taggy, o que permite que o débito seja feito diretamente quando o veículo cruza os pórticos de acesso.
Além dos canais digitais, o município espalhou totens de autoatendimento em pontos estratégicos da região, como o Komprão Koch Atacadista, na Rua Araçá, no bairro Sertãozinho, o Shopping Tropical, na Avenida Vereador Manoel dos Santos, no Centro, o Supermercado Comper, na Avenida Leopoldo Zarling, em Bombas, e o pórtico do Morro do Macaco, em Canto Grande.
Nesses locais, o visitante pode regularizar a situação, emitir comprovantes e evitar autuações posteriores.
Para dúvidas, pendências ou acertos de débitos, a Secretaria de Finanças mantém atendimento telefônico e por WhatsApp, além de canal eletrônico por e-mail, reforçando o caráter permanente da estrutura de cobrança em torno do fluxo turístico.
Paraíso com 39 praias ou filtro caro na entrada do litoral catarinense
Ao defender a manutenção da TPA, a prefeitura sustenta que o paraíso com 39 praias só se mantém como vitrine ambiental porque há um custo explícito associado ao uso de suas ruas e praias pelos visitantes, em contraste com destinos que não cobram pedágio ambiental e enfrentam problemas crônicos de lixo, trânsito e desgaste de infraestrutura.
Críticos, porém, veem na taxa uma barreira financeira que afeta principalmente famílias que viajam de carro e precisam somar combustível, hospedagem, alimentação e, agora, mais um pedágio na chegada.
Ainda que a cobrança não seja formalmente uma barreira de acesso a Santa Catarina, o valor adicional na entrada de Bombinhas funciona, na prática, como um filtro econômico para o segmento do litoral mais disputado do estado.
Enquanto o município acumula recordes de arrecadação e exposição em rankings de busca, o debate sobre até que ponto é legítimo transformar um destino turístico em um pedágio permanente de acesso segue aberto entre moradores, empresários e visitantes frequentes da região.
Na sua opinião, o paraíso com 39 praias precisa mesmo dessa taxa ambiental alta para se proteger ou o pedágio virou um filtro caro demais para quem pretende entrar em Santa Catarina de carro nas próximas temporadas?
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