Durante a COP30, o Ministério da Agricultura apresentou avanços da pecuária sustentável e metas de descarbonização até 2050, com foco em tecnologia, crédito verde e intensificação produtiva
A pecuária sustentável foi destaque no painel “O Futuro da Carne Sustentável: Trajetória de Descarbonização 2025–2050”, realizado no último dia 12 de novembro durante a COP30, em Belém (PA), segundo uma matéria publicada.
O evento integrou a programação da AgriZone e reuniu representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro) e do setor produtivo, marcando um avanço histórico na discussão sobre a produção de carne de baixa emissão no país.
O encontro mostrou que o Brasil tem consolidado práticas que reduzem o impacto ambiental sem comprometer a produtividade.
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O estudo “Trajetórias da Descarbonização para a Pecuária Bovina 2025–2050”, desenvolvido pela FGV Agro, apresentou cenários que alinham a cadeia da carne às metas globais de sustentabilidade.
Segundo os dados divulgados, o setor pode alcançar até 92% de redução na intensidade das emissões até 2050, mantendo os níveis de produção e otimizando o uso da terra.
Esse resultado reforça a capacidade da agropecuária brasileira de inovar por meio de técnicas de manejo sustentável e de políticas públicas consistentes.
Tecnologias sustentáveis e intensificação da pecuária de corte
Durante o painel, o coordenador-geral de Produção Animal do Mapa, Bruno Leite, destacou que a pecuária sustentável brasileira vive uma fase de consolidação tecnológica.
Ele explicou que o país tem ampliado a produção ao mesmo tempo em que reduz a área de pastagem, comprovando ganhos em eficiência e produtividade.
A adoção de práticas de intensificação sustentável, como o uso de sistemas integrados de lavoura, pecuária e floresta, foi apontada como essencial para a redução de emissões e o aumento da competitividade global.
Essas tecnologias são apoiadas pelo Plano ABC+, criado em 2010, que orienta o uso de crédito rural e assistência técnica voltados à produção de baixa emissão de carbono.
Segundo o Mapa, o plano já ajudou milhares de produtores a investir em sistemas de manejo mais eficientes, promovendo o equilíbrio entre produção econômica e preservação ambiental.
Crédito verde e políticas públicas estruturantes
Outro ponto central do painel foi o fortalecimento do acesso ao crédito verde e a programas de incentivo.
O Plano ABC+ foi citado como uma das principais políticas estruturantes para o avanço da pecuária sustentável, criando instrumentos que permitem ao produtor rural investir em tecnologias de mitigação.
Bruno Leite ressaltou que, embora o governo estabeleça diretrizes e recursos, o verdadeiro sucesso depende da adesão dos produtores, que têm demonstrado comprometimento e resultados expressivos.
Essas iniciativas também fortalecem a imagem do Brasil como referência mundial em eficiência produtiva e sustentabilidade.
O alinhamento entre ciência, inovação e políticas públicas está permitindo que o país alcance novos patamares de competitividade, sem comprometer a conservação dos recursos naturais.

Inovação e integração entre governo, academia e setor produtivo
O evento reuniu representantes da academia, do governo e do setor privado, reforçando que a integração é o caminho para ampliar os resultados da pecuária sustentável.
A presença da FGV Agro na elaboração do estudo técnico garantiu credibilidade científica aos dados apresentados, enquanto o Mapa destacou a importância de manter a trajetória de descarbonização até 2050.
Com o apoio contínuo à inovação e à transferência de tecnologia, o Brasil se posiciona como protagonista no debate global sobre carne sustentável.
O foco agora é expandir práticas de intensificação sustentável e consolidar a neutralização de carbono na pecuária até 2050, contribuindo para o equilíbrio climático e o fortalecimento do agronegócio nacional.
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