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Peixe “estranho” das profundezas surpreende cientistas ao inflar o corpo, prender a respiração por 4 minutos e revelar adaptação inédita para economizar energia no fundo do oceano

Publicado em 28/01/2026 às 02:41
Coffinfish, um peixe abissal, surpreende cientistas ao inflar o corpo, otimizar a respiração e economizar energia em grandes profundidades.
Coffinfish, um peixe abissal, surpreende cientistas ao inflar o corpo, otimizar a respiração e economizar energia em grandes profundidades. Imagem: NOAA Office of Ocean Exploration and Research, Deepwater Wonders of Wake
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Coffinfish, um peixe abissal, surpreende cientistas ao inflar o corpo, otimizar a respiração e economizar energia em grandes profundidades.

O coffinfish, um peixe que vive nas profundezas do oceano, voltou ao centro das atenções da ciência após pesquisadores identificarem uma adaptação inédita ligada à respiração.

O estudo foi conduzido por cientistas dos Estados Unidos, analisado em laboratório e em imagens submarinas, e divulgado recentemente em revista científica.

A descoberta ocorreu a partir de dissecações e observações em profundidades de até 2,5 quilômetros, revelando como esse animal consegue inflar o corpo e prender a respiração por vários minutos.

O motivo, segundo os especialistas, pode estar ligado à economia de energia em um ambiente onde alimento e oxigênio são escassos.

Logo de início, os pesquisadores explicam que o coffinfish usa câmaras especiais nas guelras para expandir o corpo com água do mar.

Assim, ele aumenta a captação de oxigênio e reduz a necessidade de respirar com frequência. Esse comportamento nunca havia sido documentado em um peixe dessa forma.

Como funciona a respiração inflável do coffinfish?

Diferente de outros peixes, o coffinfish possui câmaras de guelras infláveis que aumentam o volume corporal em até 30%.

Na prática, isso permite que o animal absorva mais oxigênio de uma só vez. Como resultado, ele consegue prender a respiração por até quatro minutos.

De acordo com Stacy Farina, professora assistente de biologia na Universidade Howard, esse mecanismo é único.

Fonte: US DOC/NOAA/OAR/OER

Enquanto isso, ela explica que outros peixes, como o baiacu, inflariam o estômago, e não as guelras. Portanto, trata-se de uma solução evolutiva completamente diferente.

Essa adaptação chama atenção porque respirar exige esforço. Assim, ao reduzir a frequência respiratória, o coffinfish pode conservar energia, algo vital no fundo do mar.

Um peixe feito para andar, não para nadar

O coffinfish pertence à ordem dos Lophiiformes e é encontrado em oceanos de todo o mundo. Ao contrário da maioria dos peixes, ele raramente nada. Em vez disso, “anda” pelo fundo marinho usando nadadeiras adaptadas.

Segundo Nick Long, coautor do estudo, o animal está totalmente ajustado à vida no fundo do oceano. Isso inclui corpo compacto, movimentos lentos e estratégias para sobreviver longos períodos sem alimento.

Existem mais de 20 espécies conhecidas de coffinfish. Todas compartilham esse estilo de vida discreto, quase imóvel, o que reforça a importância de economizar energia e otimizar a respiração.

Como os cientistas fizeram a descoberta

Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores analisaram espécimes em laboratório e imagens de animais vivos.

As dissecações e tomografias foram realizadas no Museu de Zoologia Comparativa da Universidade de Harvard.

Além disso, foram estudadas gravações feitas por drones subaquáticos da embarcação Okeanos Explorer, operada pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica. As imagens mostraram o coffinfish inflando o corpo e permanecendo imóvel por longos períodos.

Os resultados foram publicados no periódico Journal of Fish Biology, reforçando a relevância científica da descoberta.

Prender a respiração: economia de energia ou defesa?

A capacidade de prender a respiração intrigou os pesquisadores. Esse comportamento é comum em animais com pulmões, mas raro em peixes.

Ainda assim, há registros pontuais em espécies como o peixe-gato, geralmente em ambientes com pouco oxigênio.

No caso do coffinfish, a principal hipótese é a economia de energia. Como o alimento nem sempre está disponível, reduzir o esforço respiratório pode ser uma vantagem decisiva para a sobrevivência.

Vídeo do YouTube

Por outro lado, alguns cientistas sugerem que inflar o corpo poderia funcionar como defesa contra predadores, semelhante ao baiacu. No entanto, essa ideia gera debate.

Debate científico sobre o coffinfish

John Caruso, professor emérito da Universidade de Tulane, elogiou o estudo, mas levantou uma ressalva. Segundo ele, o coffinfish pode ter prendido a respiração em resposta às luzes intensas do drone, e não como parte do comportamento normal.

Já Hsuan-Ching Ho, da Universidade Nacional de Dong Hwa, demonstra ceticismo quanto à função defensiva da inflação corporal.

Para ele, como as câmaras de guelras permanecem abertas, a água escaparia facilmente em caso de ataque.

Ainda assim, os cientistas concordam em um ponto: entender o coffinfish ajuda a revelar como a evolução molda a vida em ambientes extremos. Portanto, novas observações em águas profundas serão essenciais para confirmar o papel dessa surpreendente estratégia de respiração.

Com informações da National Geographic.

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Andriely Medeiros de Araújo

Ensino superior em andamento. Escreve sobre Petróleo, Gás, Energia e temas relacionados para o CPG — Click Petróleo e Gás.

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