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Pequeno mamífero surpreende cientistas ao reduzir o próprio cérebro em até 30% no inverno e fazê-lo crescer novamente na primavera sem perder neurônios

Escrito por Felipe Alves da Silva
Publicado el 25/01/2026 a las 12:56
Musaranho-comum observado em estudo científico sobre redução e regeneração do cérebro.
Musaranho-comum é estudado por cientistas após revelar capacidade rara de reduzir e regenerar o cérebro sazonalmente. Créditos: Imagem ilustrativa criada por IA – uso editorial.
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Como um animal do tamanho da palma da mão desafia a biologia ao encolher e regenerar o cérebro sazonalmente, abrindo caminhos inéditos para o estudo da neurodegeneração humana

Durante a preparação para o inverno, um pequeno mamífero quase imperceptível aos olhos humanos realiza um feito que desafia conceitos fundamentais da biologia moderna. O musaranho-comum (Sorex araneus), um animal de metabolismo acelerado e vida discreta, consegue reduzir o volume do próprio cérebro em cerca de 30% como estratégia para economizar energia nos meses mais frios. No entanto, o mais surpreendente ocorre na primavera, quando esse mesmo cérebro volta a crescer, recuperando sua estrutura original sem perda de neurônios.

A informação foi divulgada pelo site ScienceAlert, com base em um estudo recente publicado na revista científica Molecular Biology and Evolution, que investigou os mecanismos genéticos e evolutivos por trás desse fenômeno raro. Segundo os pesquisadores, trata-se de uma adaptação extrema, refinada ao longo de milhares de anos, que permite ao animal sobreviver à escassez de alimento sem recorrer à hibernação.

Esse processo, embora pareça quase ficção científica, é real, mensurável e documentado. Mais do que isso, ele pode fornecer pistas valiosas para compreender e tratar doenças neurodegenerativas em humanos, como Alzheimer e Parkinson.

O fenômeno de Dehnel e a adaptação extrema ao inverno

Esse comportamento incomum é conhecido como fenômeno de Dehnel, nome dado em homenagem ao zoólogo polonês August Dehnel, que descreveu pela primeira vez essa capacidade extraordinária. Diferentemente de outros mamíferos que enfrentam o inverno reduzindo atividades ou hibernando, o musaranho mantém uma rotina ativa, mesmo quando o alimento se torna escasso.

Justamente por possuir um metabolismo extremamente rápido, o musaranho precisa adotar medidas radicais para reduzir o gasto energético. Além do cérebro, outros órgãos e estruturas corporais também sofrem redução sazonal, mas é o encolhimento cerebral que mais intriga os cientistas.

Embora seja raro, o fenômeno de Dehnel não ocorre apenas em musaranhos. Espécies como a toupeira-europeia (Talpa europaea), a doninha (Mustela nivalis) e o arminho (Mustela erminea) também apresentam redução do tamanho do cérebro conforme as estações do ano. Todos esses animais compartilham características importantes: metabolismo elevado, ausência de hibernação e alta demanda energética contínua.

Dessa forma, a redução cerebral surge como uma solução evolutiva extrema, mas altamente eficiente, para sobreviver em ambientes hostis.

Genes, água e sobrevivência celular: o que acontece dentro do cérebro

Video de YouTube

Para entender como esse processo ocorre sem causar danos irreversíveis, uma equipe liderada pelo ecólogo William Thomas, da Stony Brook University, nos Estados Unidos, realizou o mapeamento completo do genoma do musaranho-comum. O estudo comparou esse genoma com o de outros mamíferos que também exibem o fenômeno de Dehnel.

Além disso, os pesquisadores analisaram alterações sazonais na expressão genética em duas regiões específicas do cérebro do animal. O objetivo era identificar quais genes se tornavam mais ativos durante o período de encolhimento e posterior regeneração cerebral.

Os resultados revelaram que genes associados à criação e manutenção de células cerebrais permanecem ativos, mesmo durante a redução do volume do cérebro. Isso indica que o processo não envolve morte neuronal, mas sim uma reorganização estrutural temporária.

Em 2025, os cientistas descobriram que a diminuição do tamanho do cérebro está ligada principalmente à perda de água, e não à perda de células. Genes relacionados à regulação hídrica foram altamente ativados, reforçando a teoria de que o cérebro do musaranho “desidrata” temporariamente para reduzir volume e consumo energético.

Outro achado relevante foi a alta expressão do gene VEGFA, associado à permeabilidade da barreira hematoencefálica, o que pode melhorar a percepção de nutrientes pelo cérebro em períodos críticos. Além disso, o genoma do musaranho apresentou enriquecimento de genes ligados à reparação do DNA e à longevidade celular, sugerindo um sistema biológico altamente refinado para evitar danos permanentes.

O que esse pequeno animal pode ensinar sobre o cérebro humano

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Segundo os autores do estudo, o conjunto dessas adaptações aponta para “um sistema finamente ajustado que permite aos musaranhos regular de forma reversível o encolhimento cerebral, evitando os efeitos prejudiciais normalmente associados à neurodegeneração”.

A bióloga celular Aurora Ruiz-Herrera, da Universidade Autônoma de Barcelona, destaca que os genes relacionados ao equilíbrio energético e à barreira hematoencefálica podem se tornar biomarcadores importantes no futuro. Esses elementos, segundo ela, podem servir como base para o desenvolvimento de novas terapias para doenças neurodegenerativas, sempre com cautela ao extrapolar resultados de animais para humanos.

Ainda assim, o estudo reforça uma ideia poderosa: a natureza já desenvolveu soluções que a medicina moderna ainda tenta compreender. Ao observar como um animal tão pequeno consegue preservar neurônios, reparar DNA e reverter alterações estruturais no cérebro, a ciência humana ganha um novo horizonte de possibilidades.

O musaranho, muitas vezes ignorado por sua aparência simples, pode se tornar uma das chaves para desvendar os mistérios mais complexos do cérebro humano.

Fonte: ScienceAlert

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Felipe Alves da Silva

Sou Felipe Alves, com experiência na produção de conteúdo sobre segurança nacional, geopolítica, tecnologia e temas estratégicos que impactam diretamente o cenário contemporâneo. Ao longo da minha trajetória, busco oferecer análises claras, confiáveis e atualizadas, voltadas a especialistas, entusiastas e profissionais da área de segurança e geopolítica. Meu compromisso é contribuir para uma compreensão acessível e qualificada dos desafios e transformações no campo estratégico global. Sugestões de pauta, dúvidas ou contato institucional: fa06279@gmail.com

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