Observação de 179 relacionamentos em viveiro mostra que periquitos-monge adotam aproximações graduais, com etapas de cautela, compartilhamento progressivo de espaço e interações cooperativas, reduzindo conflitos e permitindo a formação de laços sociais estáveis, segundo estudo publicado em revista científica em novembro de 2025
Periquitos-monge apresentados a aves desconhecidas adotam aproximações graduais antes de aceitar novos parceiros, passando por etapas cautelosas que reduzem riscos de agressão e antecedem interações cooperativas, segundo pesquisa conduzida por cientistas da Universidade de Cincinnati e publicada em 12 de novembro de 2025.
Etapas iniciais e comportamento cauteloso
Ao encontrar estranhos, os periquitos-monge não se aproximam de forma imediata. O estudo descreve que as aves testam o terreno aos poucos, permitindo proximidade progressiva até se sentirem confortáveis para interações mais próximas.
Esse comportamento inicial evita conflitos diretos. Segundo os pesquisadores, aproximar-se rapidamente poderia aumentar a chance de agressões e ferimentos, especialmente quando uma ave não deseja a atenção de um recém-chegado.
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A estratégia observada envolve compartilhar espaço gradualmente. Apenas depois desse período de adaptação os indivíduos avançam para comportamentos considerados mais arriscados, como contato físico prolongado ou cuidado mútuo das penas.
Benefícios dos laços sociais entre papagaios
Os pesquisadores destacam que muitas espécies de papagaios desenvolvem conexões profundas com um ou dois parceiros de confiança. Esses laços podem incluir longos períodos juntos, higiene mútua e parcerias reprodutivas estáveis.
De acordo com a autora principal do estudo, Claire O’Connell, manter vínculos fortes está associado à redução do estresse e a maior sucesso reprodutivo. No entanto, essas amizades precisam começar em algum ponto.
O estudo indica que o processo gradual observado nos periquitos-monge cria condições para que esses benefícios sejam alcançados sem expor os indivíduos a riscos desnecessários durante os primeiros contatos sociais.
Metodologia e observação em viveiro
Para investigar como novos relacionamentos se formam, a equipe reuniu grupos de periquitos-monge selvagens em um viveiro espaçoso. Algumas aves não tinham nenhum relacionamento prévio entre si.
Os pesquisadores acompanharam a proximidade permitida entre os indivíduos e registraram quais pares passaram a se acariciar ou a demonstrar outros comportamentos amigáveis ao longo do tempo.
Marcadores de tinta foram usados para identificar cada ave, permitindo o acompanhamento detalhado das interações sociais. Esse método possibilitou observar desde os primeiros contatos até a consolidação de laços mais fortes.
Análise de 179 relacionamentos
A equipe analisou mais de 179 relacionamentos utilizando técnicas computacionais e modelos estatísticos. O objetivo era verificar se o padrão observado correspondia à ideia de “testar as águas” descrita em estudos anteriores.
Os resultados mostraram diferenças claras entre aves que já se conheciam e aquelas que eram estranhas entre si. Os estranhos apresentaram comportamento significativamente mais cauteloso nas fases iniciais.
Com o tempo, muitos desses pares passaram a se empoleirar lado a lado, tocar os bicos e limpar as penas uns dos outros. Em alguns casos, o relacionamento evoluiu ainda mais.
Intensificação gradual das interações
À medida que a confiança aumentava, alguns pares avançavam para comportamentos como o compartilhamento de comida ou o acasalamento. Segundo os pesquisadores, esse avanço ocorria apenas após etapas anteriores bem-sucedidas.
O padrão reforça a ideia de que os periquitos avaliam continuamente a aceitação do outro indivíduo. Cada nova interação funciona como um teste adicional antes de um envolvimento mais profundo.
Esse processo reduz a probabilidade de reações agressivas inesperadas. Mesmo assim, os pesquisadores registraram que respostas hostis ainda podem ocorrer quando uma ave rejeita a aproximação.
Comparação com outras espécies sociais
Os achados são consistentes com pesquisas anteriores em outras espécies sociais. O estudo cita um trabalho de 2020 com morcegos-vampiros, no qual recém-chegados também intensificavam gradualmente comportamentos cooperativos.
Nesse caso, os morcegos passavam da limpeza mútua para o compartilhamento de alimento à medida que a confiança se estabelecia. A semelhança sugere um padrão mais amplo entre animais sociais.
Segundo O’Connell, o conceito de “testar as águas” parece intuitivo e recorrente em diferentes contextos biológicos, reforçando a relevância do comportamento observado nos periquitos.
Observação direta dos primeiros contatos
Capturar os momentos iniciais entre estranhos é descrito como um desafio em estudos de comportamento animal. Os pesquisadores destacaram que o experimento permitiu observar esse processo de perto.
Essa proximidade revelou nuances que poderiam passar despercebidas em observações menos controladas. A análise detalhada ajudou a identificar a sequência típica das interações sociais.
Ao longo do estudo, ficou evidente que nem todos os periquitos avançavam no mesmo ritmo. Alguns se adaptavam rapidamente, enquanto outros permaneciam mais reservados, ilustrando variações individuais.
Contexto e publicação científica
O estudo foi publicado na revista Biology Letters em 12 de novembro de 2025. A autoria inclui Claire L. O’Connell, Gerald G. Carter, Annemarie van der Marel e Elizabeth A. Hobson.
A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade de Cincinnati, com colaboração de um professor associado da Universidade de Princeton. O DOI do artigo é 10.1098/rsbl.2025.0399.
As conclusões reforçam a importância de abordagens graduais na formação de vínculos sociais, oferecendo um retrato detalhado de como periquitos-monge constroem confiança ao longo do tempo, mesmo em cenários iniciais de incerteza e cautelra social.
Este artigo foi elaborado com base no estudo “Periquitos-monge ‘testam as águas’ ao formar novos relacionamentos”, de Claire L. O’Connell, Gerald G. Carter, Annemarie van der Marel e Elizabeth A. Hobson, publicado em 12 de novembro de 2025 na revista Biology Letters (DOI: 10.1098/rsbl.2025.0399), a partir de pesquisa conduzida por cientistas da Universidade de Cincinnati e colaboradores da Universidade de Princeton.
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