Pesquisadores criam acidentalmente «madeira maravilha»: material superpreto que absorve mais de 99% da luz
Imagina descobrir algo totalmente novo quando você estava tentando fazer outra coisa? Foi exatamente isso que aconteceu com pesquisadores da Universidade da Colúmbia Britânica (UBC), no Canadá. Eles estavam trabalhando em uma supermadeira, mas acabaram criando um material superpreto que consegue absorver mais de 99% da luz. E acredite, essa descoberta tem potencial para revolucionar várias indústrias.
Tudo começou em 2016, quando uma empresa britânica chamada Surrey NanoSystems lançou o Vantablack, um material que praticamente engole a luz. Eles usaram nanotubos de carbono tão finos quanto um átomo para criar uma estrutura que absorvia 99,96% da luz. Isso deu início a uma verdadeira corrida para ver quem conseguia criar o preto mais preto.
Pesquisadores da UBC fizeram uma descoberta inesperada
Em 2019, o pessoal do MIT entrou na disputa e lançou um material ainda mais escuro, que absorvia 99,995% da luz. Mas agora, os pesquisadores da UBC fizeram uma descoberta inesperada: uma «madeira maravilha», batizada de Nxylon, que é superpreta e consegue absorver mais de 99% da luz que incide sobre ela.
-
Por mais de 400 anos, marinheiros relataram cruzar um oceano que brilhava no escuro como neve, sem ondas e sem reflexos, apenas um brilho uniforme se estendendo até o horizonte, e em 2019 um satélite registrou o fenômeno cobrindo mais de 100.000 km² por mais de 40 noites seguidas ao sul de Java, mas os cientistas ainda não sabem exatamente o que desencadeia o processo
-
Japão vira referência com processo genial que recicla 100 toneladas de plástico por dia usando técnica que remove contaminantes, sensores ópticos que separam PP e PE em segundos e linhas industriais que transformam toneladas de resíduos em paletes reutilizáveis.
-
China criou máquina ‘impossível’ que muda a agricultura ao combinar drones, tratores autônomos com navegação centimétrica, sensores e inteligência artificial
-
A cidade flutuante movida a 2 reatores nucleares que abandona o vapor, usa campos eletromagnéticos para lançar aeronaves ao céu e inaugura uma nova era dos porta-aviões de guerra
Não um preto comum, um superpreto
O mais incrível é como isso aconteceu. Nos laboratórios da UBC, o professor Philip Evans e seu aluno de doutorado Kenny Cheng estavam tentando criar uma madeira com propriedades hidrofóbicas, ou seja, que repelisse a água. Para isso, os pesquisadores usaram plasma de alta energia. Mas quando aplicaram essa técnica nas pontas cortadas da madeira, a superfície ficou preta, mas não um preto comum, um superpreto. A equipe percebeu que essa madeira absorvia quase toda a luz visível, refletindo menos de 1%. O que parecia ser um erro acabou se revelando uma grande descoberta.
Nxylon é diferente de tudo que já vimos
Confirmado pelo Departamento de Física e Astronomia da Texas A&M University, o Nxylon é diferente de tudo que já vimos. A madeira não só fica preta como carvão, mas permanece superpreta mesmo quando revestida com outros materiais, como ouro. Isso acontece porque a cor não é um pigmento ou uma camada superficial, é a própria madeira que, através do processo com plasma, ganha essa tonalidade ultradensa.
A revolução do Nxylon
Agora, você pode estar se perguntando: “Ok, mas para que isso serve?” Bom, a resposta é que as possibilidades são vastas. Materiais superpretos como o Vantablack já são usados em telescópios para evitar reflexos indesejados e melhorar a observação de exoplanetas. Também já viraram moda no mundo do luxo, com a BMW pintando um modelo X6 de Vantablack, e artistas explorando o superpreto em suas obras.
Muito mais fácil de produzir que o Vantablack

Mas o Nxylon tem um diferencial importante: ele é muito mais fácil de produzir. Enquanto o Vantablack depende de uma estrutura complexa de nanotubos de carbono, o Nxylon pode ser feito «simplesmente» queimando madeira com plasma de alta energia. Isso significa que ele pode ser mais acessível, e a UBC já está planejando formas de ampliar essa produção, inclusive com a criação de um reator de plasma em escala industrial.
Imagine só, essa «madeira maravilha», como o portal IGN apresentou, poderia ser usada em tetos e paredes de ambientes que precisam ser não-reflexivos, em mostradores de relógios que hoje usam a pedra ônix, e claro, em telescópios e outros equipamentos científicos. E o melhor de tudo, segundo o Dr. Philip Evans, é que o Nxylon pode ser feito a partir de materiais sustentáveis e renováveis encontrados na América do Norte e Europa. Isso abre um enorme potencial para a indústria madeireira, especialmente no Canadá, que pode se beneficiar dessa nova aplicação.
A descoberta do Nxylon pelos pesquisadores da UBC é um daqueles momentos raros em que a ciência tropeça em algo incrível. Um material superpreto feito de madeira, capaz de absorver mais de 99% da luz, que pode ser produzido de forma mais acessível e sustentável. É uma inovação que não só promete impactar diversas indústrias, mas também mostra como a ciência pode nos surpreender quando menos esperamos.
Seja o primeiro a reagir!