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Pesquisadores reconstroem colônia de papagaios após 100 anos sem ninhos usando 954 filhotes e iscas de madeira em ilha isolada; após 8 anos de espera, aves finalmente voltam a nidificar sozinhas

Escrito por Alisson Ficher
Publicado el 01/02/2026 a las 09:15
Projeto no Maine devolveu a nidificação do papagaio-do-mar após décadas, usando filhotes translocados e iscas visuais para atrair a colônia.
Projeto no Maine devolveu a nidificação do papagaio-do-mar após décadas, usando filhotes translocados e iscas visuais para atrair a colônia.
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Estratégia de longo prazo combinou translocação de filhotes, sinais visuais e conhecimento do comportamento animal para devolver a uma ilha do Atlântico Norte uma colônia desaparecida havia décadas, mostrando como intervenções discretas podem reativar processos naturais interrompidos pela ação humana.

Uma equipe de conservação conseguiu fazer o papagaio-do-mar-atlântico voltar a se reproduzir em uma ilha na costa do Maine, nos Estados Unidos, depois de décadas sem registros de nidificação.

A iniciativa reuniu transferência planejada de filhotes, uso de iscas de madeira em tamanho real e acompanhamento contínuo ao longo de vários anos, em um esforço pensado desde o início como intervenção de longo prazo.

Anos após o início do trabalho, os pesquisadores confirmaram a volta da nidificação, com casais estabelecendo tocas e criando filhotes sem apoio humano direto, algo que não ocorria havia gerações naquele trecho da costa.

Ilha do Maine perdeu a espécie após pressão humana histórica

Localizada no litoral do Maine, Eastern Egg Rock é uma pequena ilha rochosa que, no passado, abrigou colônias expressivas de aves marinhas.

No fim do século 19, porém, o papagaio-do-mar desapareceu da área em meio a um contexto de exploração intensa, que incluiu caça e coleta sistemática de ovos em ilhas do Atlântico Norte.

Mesmo permanecendo dentro do habitat natural da espécie, a ilha deixou de funcionar como ponto de reprodução após o colapso da colônia original.

Video de YouTube

Esse histórico ajuda a explicar por que a recolonização não ocorreu de forma espontânea nas décadas seguintes.

Por ser uma ave colonial, o papagaio-do-mar tende a escolher locais de reprodução onde já existam sinais claros da própria espécie.

Diante de um cenário silencioso, sem atividade visível, adultos em voo podem ignorar áreas fisicamente adequadas, seguindo adiante em busca de ambientes socialmente mais atrativos.

Translocação de filhotes explorou fidelidade ao local

Com base nesse comportamento, a equipe iniciou a translocação de filhotes de uma colônia no Canadá para Eastern Egg Rock.

Ao longo de vários anos, 954 filhotes foram levados para a ilha, em uma ação associada ao Project Puffin e voltada à reconstrução de colônias históricas.

A estratégia partiu de um princípio bem documentado em aves marinhas.

Indivíduos jovens tendem a retornar, quando adultos, ao local onde passaram uma fase crítica do desenvolvimento, criando um vínculo duradouro com aquele ponto de origem.

Em vez de criar as aves em cativeiro, o projeto buscou apenas conduzir esse período inicial no novo ambiente.

Projeto no Maine devolveu a nidificação do papagaio-do-mar após décadas, usando filhotes translocados e iscas visuais para atrair a colônia.
Projeto no Maine devolveu a nidificação do papagaio-do-mar após décadas, usando filhotes translocados e iscas visuais para atrair a colônia.

Os filhotes foram acomodados em tocas artificiais, alimentados até o momento de partir para o mar e, em muitos casos, anilhados para permitir identificação futura.

Ciclo de vida da espécie exigiu planejamento de longo prazo

Ainda que a transferência tenha sido bem-sucedida, os resultados não poderiam surgir rapidamente.

O papagaio-do-mar leva anos para atingir a maturidade reprodutiva e passa longos períodos em ambiente marinho antes de tentar nidificar.

Por essa razão, os pesquisadores sabiam que o retorno da colônia dependeria de paciência e monitoramento contínuo.

Somente após vários ciclos no mar os indivíduos transferidos estariam prontos para regressar e tentar se reproduzir na ilha.

Iscas de madeira ativaram mecanismo de atração social

Quando os primeiros adultos começaram a sobrevoar Eastern Egg Rock, surgiu um novo desafio.

Apesar das condições físicas adequadas, a ausência de uma colônia ativa ainda tornava o local pouco convidativo para pouso e reprodução.

Para contornar essa barreira, os pesquisadores instalaram iscas de madeira em tamanho real, posicionadas de modo a simular papagaios-do-mar descansando sobre as rochas.

Esse recurso faz parte da chamada atração social, técnica que explora a dependência da espécie por sinais visuais e coletivos na escolha de habitat.

As iscas não fornecem alimento nem substituem o ambiente natural.

Funcionam, sobretudo, como um sinal de segurança e estabilidade, capaz de reduzir a hesitação de aves que avaliam o local à distância.

Com o passar do tempo, indivíduos reais passaram a reforçar o estímulo inicialmente artificial.

Primeiros ninhos marcaram virada após oito anos

Projeto no Maine devolveu a nidificação do papagaio-do-mar após décadas, usando filhotes translocados e iscas visuais para atrair a colônia.
Projeto no Maine devolveu a nidificação do papagaio-do-mar após décadas, usando filhotes translocados e iscas visuais para atrair a colônia.

O retorno ocorreu de forma gradual e dentro do esperado para uma espécie de ciclo longo.

O primeiro papagaio-do-mar adulto foi registrado na ilha em junho de 1977, alguns anos após o início da translocação.

A nidificação, no entanto, exigiu mais tempo.

Os primeiros casais confirmados se reproduzindo em Eastern Egg Rock apareceram em 1981, oito anos depois do começo do projeto.

A partir desse ponto, a colônia passou a se sustentar biologicamente.

Com tocas ocupadas e filhotes sendo criados, cada novo indivíduo se tornou também um estímulo social para outros.

Condições do habitat foram decisivas para o sucesso

O êxito da iniciativa não se explica apenas pela transferência de filhotes e pelo uso de iscas.

Eastern Egg Rock oferece características compatíveis com o modo de reprodução da espécie.

O papagaio-do-mar escava tocas no solo e utiliza cavidades naturais, o que exige áreas com terra adequada, alguma proteção contra predadores terrestres e baixa perturbação humana durante o período reprodutivo.

Além disso, fatores ambientais fora do controle direto da equipe influenciaram os resultados ao longo dos anos.

Video de YouTube

A sobrevivência no mar e o sucesso reprodutivo variam conforme a disponibilidade de alimento e condições oceanográficas.

Pesquisadores associaram oscilações no número de pares nidificando a mudanças na temperatura da superfície do mar.

Projeto virou referência em restauração de colônias

Com o passar do tempo, a experiência em Eastern Egg Rock passou a ser citada como referência internacional em restauração de colônias de aves marinhas.

A iniciativa mostrou que compreender o comportamento animal pode ser tão importante quanto recuperar o habitat físico.

Em vez de aguardar a recolonização espontânea, a equipe rompeu um ciclo de ausência.

Sem grupo, não havia sinal visível.

Sem sinal, novos indivíduos não se fixavam.

Ao interferir nesse mecanismo, o projeto encurtou um processo que poderia levar muito mais tempo ou nem ocorrer.

Se sinais sociais simples e planejamento de longo prazo foram suficientes para reativar uma colônia desaparecida, até que ponto outras espécies ameaçadas também poderiam se beneficiar de estratégias semelhantes baseadas em entender como escolhem onde viver e se reproduzir?

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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