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Petrobras e Shell financiam estudo Carbon Countdown para mapear estoque de carbono em solos e florestas brasileiras e criar base científica nacional até 2030

Escrito por Hilton Libório
Publicado em 12/01/2026 às 09:13
Atualizado em 12/01/2026 às 09:14
Paisagem brasileira com floresta densa e área de solo exposto representando estudo sobre estoque de carbono em solos e florestas financiado por Petrobras e Shell
Petrobras e Shell financiam estudo Carbon Countdown para mapear estoque de carbono em solos e florestas brasileiras e criar base científica nacional até 2030/ Imagem Ilustrativa
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Estudo científico financiado por Petrobras e Shell vai mapear o estoque de carbono em solos e florestas brasileiras, criando base inédita para créditos de carbono e políticas climáticas até 2030

A Petrobras e a Shell anunciaram, em janeiro de 2026, o financiamento de um estudo científico inédito no Brasil para medir o estoque de carbono presente nos solos e florestas brasileiras, abrangendo todos os estados e biomas do país. Batizado de Carbon Countdown, o projeto prevê investimentos totais de R$ 108 milhões, divididos igualmente entre as duas empresas, com conclusão estimada para 2030. As informações foram divulgadas pela Folha de S.Paulo.

O que é o Carbon Countdown e sua importância para o estoque de carbono no Brasil

O estudo cria uma linha de base nacional enorme em escala e detalhamento sobre carbono armazenado no território brasileiro, considerada estratégica para políticas climáticas, mercado de créditos de carbono, agronegócio e compromissos de descarbonização assumidos pelo país em acordos internacionais.

O Carbon Countdown é um projeto de pesquisa de longo prazo que busca quantificar, de forma científica e padronizada, quanto carbono está armazenado nos solos e florestas brasileiras. A proposta é preencher uma lacuna histórica: a ausência de dados nacionais próprios sobre estoque de carbono, frequentemente calculado com apoio de parâmetros internacionais.

Sem uma linha de base nacional, o Brasil perde precisão, competitividade e poder de negociação no mercado de carbono. O estudo pretende oferecer dados robustos e verificáveis, capazes de sustentar políticas públicas, estratégias empresariais e relatórios ambientais.

A iniciativa será conduzida pelo Centro de Estudos de Carbono em Agricultura Tropical (CCarbon), ligado à reitoria da Universidade de São Paulo (USP), com participação direta de pesquisadores da Esalq-USP, referência internacional em ciência do solo.

Investimentos da Petrobras e da Shell em pesquisa climática

A Petrobras e a Shell investirão R$ 54 milhões cada, totalizando R$ 108 milhões ao longo do projeto. Segundo as empresas, os recursos se enquadram como investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação, conforme cláusulas dos contratos de exploração firmados com a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).

As companhias afirmam que não terão ingerência sobre os resultados científicos, que deverão ser publicados em periódicos acadêmicos revisados por pares. A transparência dos dados é apontada como elemento central para garantir credibilidade ao Carbon Countdown.

Coordenação científica do Carbon Countdown e papel da USP

O coordenador científico do Carbon Countdown é o professor Maurício Cherubin, do Departamento de Ciência do Solo da Esalq-USP. Segundo ele, o formato final do projeto é resultado de um longo processo de negociação com as empresas financiadoras.

A ideia inicial, apresentada pela Shell há cerca de três anos e meio, precisou ser reformulada para se tornar tecnicamente viável. A autonomia científica foi um ponto central do acordo, garantindo que a universidade tivesse liberdade metodológica e controle sobre a execução do estudo.

Por que medir o estoque de carbono nos solos e florestas brasileiras

O estoque de carbono nos solos e florestas brasileiras tem papel fundamental no combate às mudanças climáticas. O dióxido de carbono (CO₂) é o principal gás associado ao aquecimento global, e sua retirada da atmosfera ocorre principalmente por meio da fotossíntese, realizada por florestas, lavouras e pastagens.

Produtores rurais argumentam que parte relevante das emissões da agropecuária é compensada pela captura de carbono nas áreas vegetadas das propriedades. No entanto, sem dados nacionais padronizados, essa compensação é difícil de comprovar em inventários oficiais. O Carbon Countdown pretende estabelecer uma média nacional confiável, permitindo avaliações mais precisas do balanço de emissões do país.

Metodologia científica e abrangência nos solos e florestas brasileiras

O projeto terá uma das maiores estruturas de coleta de dados ambientais já realizadas no Brasil. Estão previstas 6.500 áreas de amostragem, distribuídas entre agricultura, pecuária, plantações de eucalipto, florestas nativas e áreas degradadas.

Em cada ponto, serão feitas nove amostragens, com análises que alcançarão até um metro de profundidade, totalizando mais de 250 mil amostras de solo. Além disso, o estudo analisará 1.000 parcelas florestais, cada uma com 900 metros quadrados.

A estimativa do carbono estocado na vegetação será baseada no número de plantas e no diâmetro médio das árvores. Algumas árvores serão derrubadas para pesagem da biomassa, procedimento que, segundo a coordenação, terá autorização prévia do Ibama.

Relação do Carbon Countdown com o agronegócio e o mercado de carbono

O agronegócio brasileiro é um dos setores mais interessados nos resultados do Carbon Countdown. Atualmente, produtores e entidades questionam o uso de métricas internacionais para calcular o impacto climático da produção nacional.

Segundo Cherubin, cada vez mais a falta dessa linha de base é sentida, destacando que o estudo responde diretamente às demandas do setor produtivo. Com dados próprios sobre estoque de carbono, o Brasil poderá fortalecer o mercado de créditos de carbono, reduzir disputas metodológicas e aumentar a competitividade de cadeias produtivas sustentáveis.

Críticas ao envolvimento da Petrobras e da Shell em estudos climáticos

Apesar da relevância científica, o envolvimento da Petrobras e da Shell gerou críticas. Especialistas do Instituto Internacional Arayara alertaram para possíveis conflitos de interesse.

Em nota conjunta, Hirdan Costa, John Würdig e Juliano Bueno afirmaram que empresas de combustíveis fósseis podem utilizar estudos climáticos para moldar o mercado de carbono conforme seus próprios interesses.

Segundo eles, existe o risco de que dados científicos sejam usados para legitimar a continuidade da exploração de petróleo e gás sob o argumento de compensações ambientais, prática frequentemente associada ao greenwashing.

Defesa das empresas e transparência dos dados do Carbon Countdown

A coordenação do Carbon Countdown rebateu as críticas destacando que os resultados serão públicos e publicados em revistas científicas. Cherubin afirmou que o escrutínio da comunidade acadêmica será fundamental para garantir a integridade do estudo.

Na Petrobras, o acompanhamento será direto. O gestor de meio ambiente do centro de pesquisa da estatal, André Bueno, afirmou que a empresa monitorará todas as etapas do trabalho.

A equipe técnica acompanhará todas as metodologias, resultados e análises, declarou. Segundo ele, o projeto será supervisionado por um comitê técnico e gestor responsável pelo andamento físico e financeiro.

Iniciativa da Shell e Petrobras: uso futuro dos dados e impactos no mercado de carbono

A Petrobras não descarta utilizar os dados do Carbon Countdown para gerar créditos de carbono no futuro. Segundo André Bueno, áreas conservadas e biocombustíveis podem se beneficiar das conclusões do estudo.

Na Shell, o projeto é visto como forma de fortalecer o chamado ativo carbono. Para Alexandre Breda, gerente de tecnologias de baixo carbono da empresa no Brasil, a transição energética precisa ocorrer de forma gradual.

Alexandre afirma que o mundo necessita de segurança energética, desfossilização e descarbonização. Segundo ele, o estudo pode colocar o Brasil em posição de liderança global na mensuração de carbono.

O que o Carbon Countdown representa para o futuro ambiental do Brasil

O Carbon Countdown, financiado por Petrobras e Shell, representa um avanço significativo para a ciência climática nacional. Ao medir com precisão o estoque de carbono nos solos e florestas brasileiras, o projeto cria uma base inédita para políticas públicas, estratégias empresariais e negociações internacionais.

Apesar das críticas e dos alertas sobre conflitos de interesse, a transparência científica será o fator decisivo para a credibilidade dos resultados. Se bem executado, o estudo pode redefinir a forma como o Brasil mede, valoriza e negocia seu carbono até 2030, reforçando seu papel estratégico na agenda global de sustentabilidade.

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Hilton Libório

Hilton Fonseca Liborio é redator, com experiência em produção de conteúdo digital e habilidade em SEO. Atua na criação de textos otimizados para diferentes públicos e plataformas, buscando unir qualidade, relevância e resultados. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras, Energias Renováveis, Mineração e outros temas. Contato e sugestões de pauta: hiltonliborio44@gmail.com

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