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Petrobras e Shell levam áreas no pré-sal por R$ 8,8 bi; arrecadação frustra governo em leilão histórico

Escrito por Sara Aquino
Publicado em 05/12/2025 às 10:21
Leilão do pré-sal termina com frustração fiscal: Petrobras e Shell levam áreas por R$ 8,8 bi, abaixo da estimativa da União.
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Leilão do pré-sal termina com frustração fiscal: Petrobras e Shell levam áreas por R$ 8,8 bi, abaixo da estimativa da União.

O governo federal arrecadou R$ 8,8 bilhões nesta quarta-feira (4), no Rio de Janeiro, após o consórcio formado por Petrobras e Shell arrematar duas áreas estratégicas do pré-sal em um leilão inédito de participações da União em campos já em produção.

O resultado, no entanto, frustrou expectativas porque não houve lances pela fatia da União em Tupi, reduzindo a receita prevista para 2025 e reacendendo discussões sobre o apetite do mercado por ativos maduros. 

O certame, conduzido pela PPSA, marcou a primeira venda desse tipo realizada no país, reunindo empresas interessadas em ampliar seus portfólios no pré-sal.

Ainda assim, o montante arrecadado ficou R$ 1,4 bilhão abaixo da última estimativa oficial, refletindo um cenário de maior cautela dos investidores. 

Petrobras e Shell levam áreas no pré-sal por R$ 8,8 bi em Mero e Atapu 

A principal vitória do consórcio veio no campo de Mero, onde Petrobras e Shell ofertaram R$ 7,79 bilhões pela participação de 3,5% pertencente à União em uma jazida compartilhada.

O valor superou o mínimo exigido no edital, que era de R$ 7,65 bilhões, e reforçou o peso estratégico do campo, considerado uma das joias do pré-sal. 

Em seguida, o grupo também levou a participação de 0,95% em Atapu, desembolsando cerca de R$ 1 bilhão igualmente acima do valor mínimo, de R$ 863,32 milhões.

As duas empresas já operam juntas nessas áreas e ampliam, assim, sua influência em operações de alta produtividade. 

Tupi não recebe lances e derruba arrecadação esperada 

Apesar do interesse em Mero e Atapu, a ausência de propostas pela fatia de 0,833% em Tupi surpreendeu o governo.

O lance mínimo era de R$ 1,69 bilhão, mas nenhuma empresa se habilitou a disputar a área. 

Segundo o presidente da PPSA, Luis Fernando Paroli, a decisão reflete uma divergência de avaliação entre os compradores e o governo. 

“Possivelmente a visão dos compradores foi um pouco pior do que a visão que a gente tinha”, afirmou. 

Mesmo assim, Paroli destacou que a União não perde nada, já que continuará recebendo e comercializando o petróleo proveniente da sua participação no campo. 

Expectativa inicial era bem maior para o leilão 

Quando a proposta de venda das três áreas foi apresentada, o governo projetava arrecadar R$ 15 bilhões, considerando um ágio maior e a possibilidade de venda integral das três participações.

A frustração decorre, portanto, do desempenho abaixo do previsto e da retirada de Tupi do pacote final. 

Ainda assim, Paroli avaliou positivamente o resultado e afirmou que “tenho certeza que fizeram um grande negócio, referindo-se às empresas vencedoras. 

Impacto fiscal é reduzido, mas arrecadação frustra governo 

Fontes do Ministério da Fazenda admitem que houve decepção com a frustração de R$ 1,4 bilhão.

Isso ocorre porque, ao longo dos anos, o governo costuma deixar de executar parte das despesas autorizadas no Orçamento, fenômeno conhecido como empoçamento de recursos. 

Segundo o Tesouro, eles estão compensando perdas de arrecadação como a registrada no leilão em que Petrobras e Shell levam áreas por R$ 8,8 bi. 

O que esperar após o leilão e seus desdobramentos 

Com as áreas de Mero e Atapu arrematadas, o governo garante reforço financeiro para o orçamento de 2025.

A falta de interesse por Tupi, por outro lado, abre espaço para novas avaliações sobre o modelo e o momento de mercado. 

O leilão deixa claro que, embora o pré-sal continue sendo uma das maiores fronteiras petrolíferas do mundo. 

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Sara Aquino

Farmacêutica e Redatora. Escrevo sobre Empregos, Geopolítica, Economia, Ciência, Tecnologia e Energia.

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