O petróleo consolida a liderança na pauta de exportações do Brasil, supera a soja pelo segundo ano seguido e deve alcançar novo recorde em 2026, impulsionado pelo pré-sal e novas plataformas.
O petróleo voltou a ocupar o topo da balança comercial brasileira e reforçou, em 2025, uma mudança estrutural na pauta de exportações do país. Mesmo com a queda expressiva do preço internacional do barril, o produto superou novamente a soja e se consolidou como o principal item exportado pelo Brasil. Para 2026, a expectativa do setor é de um novo recorde, sustentado pela expansão da produção e pela entrada em operação de grandes plataformas offshore.
Segundo dados oficiais do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o Brasil exportou US$ 44,6 bilhões em óleos brutos de petróleo em 2025. O valor representou uma leve retração de 0,7% em relação a 2024, reflexo direto da desvalorização do barril do tipo Brent, que caiu quase 10% no período. Ainda assim, o crescimento do volume embarcado garantiu a liderança do petróleo no ranking nacional de exportações.
Produção cresce e compensa queda do preço internacional
A resiliência do petróleo brasileiro ficou evidente ao longo do último ano. Enquanto o preço internacional sofreu forte pressão devido ao excesso de oferta global, a produção nacional seguiu em trajetória ascendente. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) indicam que a extração cresceu 8,6% nos 12 meses encerrados em novembro de 2025.
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Paralelamente, o volume exportado avançou cerca de 10% no acumulado do ano. Esse desempenho foi suficiente para compensar a desvalorização do barril e manter o petróleo à frente de commodities tradicionais, como a soja e o minério de ferro.
Para o Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), o resultado confirma o papel estratégico do setor. “Este valor ratifica a resiliência desta indústria, que segue superando complexos como o da soja e o do minério de ferro”, avalia a entidade, ao destacar o protagonismo do petróleo na economia brasileira.
Soja cresce, mas perde liderança nas exportações
O desempenho do petróleo ganha ainda mais relevância quando comparado ao da soja, que liderou as exportações brasileiras entre 2016 e 2023. Em 2025, a produção do grão cresceu 16%, impulsionada por uma safra recorde. No entanto, as vendas externas avançaram 9,5% em volume e totalizaram US$ 43,5 bilhões, ficando abaixo do resultado do petróleo.
Mesmo com projeções otimistas para a safra 2025/2026, estimada em 177,1 milhões de toneladas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o cenário de preços internacionais baixos limita o potencial de receita do complexo soja.
Além disso, tanto o petróleo quanto a soja enfrentaram um ciclo semelhante de desvalorização nos últimos anos. Entre 2022 e 2025, o barril de petróleo perdeu cerca de 33% do valor, enquanto o bushel da soja acumulou queda próxima de 34%, pressionado pelo excesso de oferta global.
Novas plataformas impulsionam o pré-sal
O avanço da produção de petróleo no Brasil está diretamente ligado ao pré-sal e à entrada em operação de plataformas de grande porte. O país consolidou-se como o maior produtor da América Latina e alcançou, em 2025, a sétima posição entre os maiores exportadores globais.
Em novembro do ano passado, a produção atingiu um pico de 4,9 milhões de barris por dia, com média anual próxima de 3,98 milhões. Para 2026, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) projeta crescimento de até 13%, levando o Brasil a um patamar próximo de 4,5 milhões de barris diários.
Entre os principais projetos em operação está a plataforma P-78, que iniciou atividades no fim de dezembro na Bacia de Santos. Com investimento de US$ 2,4 bilhões, a unidade tem capacidade para produzir até 180 mil barris por dia. Já a P-79, também localizada em Santos, deve começar a operar no primeiro semestre, adicionando mais 100 mil barris diários à produção nacional.
Outras plataformas reforçaram o desempenho em 2025, como a Almirante Tamandaré, no campo de Búzios, com capacidade de 225 mil barris por dia, e a Alexandre de Gusmão, em Mero, capaz de produzir 180 mil barris diários. Projetos iniciados em 2024, como Maria Quitéria e Marechal Duque de Caxias, também seguem ampliando a oferta.
Governo projeta novo recorde de exportações em 2026
Para o governo federal, os investimentos realizados são suficientes para sustentar o crescimento da produção e das exportações de petróleo ao longo de 2026. O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, destacou recentemente o impacto das novas plataformas.
“Um dos fatores que nos leva a esperar esse aumento são duas plataformas de petróleo que o Brasil importou (…) com a capacidade operacional muito grande”, afirmou, ao comentar a balança comercial.
Alckmin também minimizou riscos externos, como a instabilidade política na Venezuela, ao afirmar que a retomada da produção no país vizinho depende de investimentos de longo prazo. Avaliações de mercado indicam que eventuais impactos sobre os preços globais só devem ser sentidos a partir de 2027.
Petróleo brasileiro ganha espaço em cenário geopolítico volátil
Em meio à volatilidade internacional, o petróleo brasileiro ganha competitividade por características operacionais e ambientais. A produção do pré-sal apresenta menor intensidade de carbono em comparação à média global, fator cada vez mais observado por grandes compradores.
Para o IBP, essa combinação de escala, eficiência e previsibilidade torna o Brasil um fornecedor confiável em um mercado pressionado por tensões geopolíticas e incertezas econômicas. Com novas plataformas, aumento da produção e manutenção do protagonismo exportador, o petróleo segue no centro das estratégias econômicas do país para os próximos anos.
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