Declarações do presidente da Colômbia reacendem o debate internacional ao apontar o petróleo venezuelano como principal motivação da pressão dos EUA, e não democracia ou combate ao narcotráfico.
O petróleo voltou a dominar o discurso político e diplomático nas Américas. Desta vez, as declarações partem do presidente da Colômbia, Gustavo Petro, que acusa o governo dos Estados Unidos de direcionar sua pressão sobre a Venezuela com foco prioritário nas vastas reservas petrolíferas do país vizinho.
Segundo o líder colombiano, a retórica ligada à democracia e ao combate ao narcotráfico esconde interesses econômicos profundos relacionados à energia.
Em entrevista à CNN, Petro foi direto ao afirmar que o petróleo é o “ponto crucial da questão”, especialmente em um momento de intensificação das tensões entre Washington e Caracas, sob os governos de Donald Trump e Nicolás Maduro.
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Reservas de petróleo colocam a Venezuela no alvo
De acordo com Gustavo Petro, a lógica geopolítica norte-americana está diretamente associada à dimensão das reservas venezuelanas. O país sul-americano concentra algumas das maiores reservas de petróleo do planeta, especialmente de petróleo pesado, recurso estratégico em um cenário global marcado por conflitos e transição energética desigual.
“Acho que essa é a lógica de Trump. Ele não está pensando na democratização da Venezuela, muito menos no narcotráfico”, afirmou Petro, reforçando que o petróleo bruto é o verdadeiro fator de interesse. Em sua avaliação, a narrativa política serviria para justificar pressões econômicas e diplomáticas mais amplas.
Críticas à narrativa do combate ao narcotráfico
Além disso, o presidente colombiano questionou a associação recorrente entre o governo de Nicolás Maduro e o narcotráfico internacional. Segundo Petro, não há evidências que sustentem essa ligação a partir de investigações oficiais conduzidas na Colômbia.
“O problema de Maduro se chama democracia. Eu o reconheço como tal: uma falta de democracia e de diálogo. Nenhuma investigação colombiana – independente do presidente e realizada em anos em que eu não era presidente – mostra qualquer relação entre o narcotráfico colombiano e Maduro”, declarou.
Petro acrescentou que apenas uma pequena parcela do narcotráfico global atravessa a Venezuela, o que, segundo ele, enfraquece ainda mais o argumento utilizado como justificativa para sanções e pressões internacionais.
Paralelos com outros conflitos globais movidos a petróleo
Ao ampliar o debate, o líder colombiano traçou um paralelo direto entre a situação da Venezuela e outros conflitos contemporâneos. Para Petro, o petróleo é um denominador comum em guerras e disputas geopolíticas recentes.
“O que está por trás disso é o mesmo que está por trás da guerra na Ucrânia: petróleo, petróleo”, afirmou. Ele destacou que, assim como a Venezuela, regiões envolvidas em conflitos estratégicos possuem reservas energéticas relevantes, o que reforça o papel central do petróleo nas decisões políticas globais.
Segundo Petro, “todas as guerras deste século tiveram a ver com petróleo”, uma afirmação que reforça a leitura crítica sobre o papel das grandes potências na definição de alianças, sanções e confrontos armados.
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