Produtos brasileiros enfrentam tarifa de 50% nos EUA, mas alguns escaparam: veja quais itens foram protegidos por Trump e por que isso preocupa o agronegócio
Em um movimento que reacende tensões comerciais com o Brasil, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (30) uma ordem executiva que amplia significativamente as tarifas sobre produtos brasileiros. A nova medida eleva para 50% o imposto de importação de diversos itens exportados pelo Brasil, mas alguns produtos estratégicos conseguiram escapar dessa cobrança, preservando setores importantes da economia brasileira.
A assinatura ocorreu no mesmo dia em que a medida foi anunciada oficialmente pela Casa Branca. O aumento tarifário é considerado uma das maiores sanções econômicas impostas ao Brasil nos últimos anos por um governo americano. Até então, as exportações brasileiras estavam sujeitas a uma taxa de 10% — imposta no início de abril — que, agora, foi quadruplicada.
Apesar do impacto generalizado, a ordem traz exceções que chamam atenção. Itens como petróleo, aviões comerciais e suco de laranja foram excluídos do tarifaço. Os três produtos ocupam posições de destaque na balança comercial entre os dois países, sendo fundamentais para os setores de energia, aviação e agroindústria no Brasil.
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Produtos estratégicos foram poupados
As isenções concedidas pelo governo norte-americano não se restringem aos produtos mais simbólicos. O carvão, o aço e seus subprodutos — que representam uma fatia expressiva das exportações brasileiras — também ficaram de fora da nova tarifa. Da mesma forma, castanhas e algumas outras commodities agrícolas foram preservadas, em uma tentativa de mitigar os efeitos negativos sobre os consumidores e empresários americanos que dependem dessas importações.
As decisões, no entanto, não contemplaram toda a pauta exportadora. Produtos como carne bovina, café e frutas tropicais, que também figuram entre os principais itens embarcados para os Estados Unidos, foram deixados de fora da lista de exceções. Isso significa que esses setores passarão a enfrentar um ambiente comercial mais hostil, com impacto direto sobre os produtores brasileiros.
Pressão política e impacto no agronegócio
A medida foi vista por analistas como uma jogada política de Trump para satisfazer parte de sua base eleitoral ligada à indústria americana, ao mesmo tempo em que tenta pressionar países emergentes que, segundo ele, se beneficiam injustamente do comércio global. O Brasil, como um dos maiores exportadores mundiais de produtos agrícolas e minerais, tornou-se alvo direto dessa retórica protecionista.
Entidades do agronegócio já manifestaram preocupação com os possíveis reflexos da medida sobre o volume de exportações. Segundo especialistas do setor, o aumento tarifário pode desestimular negócios, reduzir margens de lucro e provocar a migração de contratos para outros mercados menos hostis.
Do lado do governo brasileiro, ainda não houve pronunciamento oficial sobre a decisão. Fontes diplomáticas afirmam que o Itamaraty deve abrir diálogo com o Departamento de Estado norte-americano nas próximas semanas, buscando negociar alívios ou compensações dentro das regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Enquanto isso, a preservação de alguns produtos-chave, como o petróleo e os aviões, é vista como um alívio parcial. A indústria aeronáutica brasileira, com destaque para a Embraer, depende fortemente do mercado norte-americano, tanto em vendas quanto em parcerias tecnológicas. Já o suco de laranja, símbolo tradicional do agronegócio brasileiro nos Estados Unidos, mantém sua relevância econômica e cultural no país.
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