Desaparecimento em trilha no Parque Estadual Pico Paraná reforça riscos e cuidados em resgates em montanha.
Roberto Farias Tomaz ficou cinco dias sem contato após se perder durante a descida da trilha, sendo encontrado com vida depois de caminhar mais de 20 quilômetros sozinho.
O caso ocorreu durante um passeio turístico, em uma área conhecida pela dificuldade elevada, longas distâncias e alto risco de acidentes
o que reforça os alertas das autoridades ambientais e de segurança.
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Localizado entre os municípios de Antonina e Campina Grande do Sul, o Pico Paraná é o ponto mais alto da região Sul do Brasil, com 1.877 metros de altitude.
Apesar de muito procurado por montanhistas, o local exige preparo físico, planejamento e respeito às orientações oficiais.
Por que a trilha Pico Paraná é considerada de alto risco
A trilha Pico Paraná tem cerca de 15,2 quilômetros de extensão, considerando ida e volta, e pode levar em média 13 horas de caminhada.
De acordo com o Instituto Água e Terra (IAT), o percurso é classificado com risco “muito alto” de acidente, principalmente por conta do terreno íngreme, da vegetação densa e das mudanças rápidas no clima.
Além disso, a trilha apresenta pontos técnicos, como trechos com grampos e áreas onde a sinalização natural pode confundir visitantes menos experientes.
Por isso, o órgão orienta que os trilheiros permaneçam sempre na trilha principal, utilizem equipamentos adequados e avaliem com cuidado suas condições físicas antes da subida.
Parque Estadual Pico Paraná concentra outros picos desafiadores
O Parque Estadual Pico Paraná abriga diversas outras montanhas de grande altitude e dificuldade técnica. Entre elas estão Caratuva (1.852 m), Ibitirati (1.846 m), Itapiroca (1.799 m), Camapuã (1.699 m), Tucum (1.739 m), Ciririca (1.692 m), Cerro Verde (1.652 m) e Pedra Branca (1.392 m).
O parque é aberto à visitação e a entrada é gratuita para quem não pernoita.
No entanto, é obrigatório realizar um cadastro na chegada, medida que auxilia no controle de visitantes e pode ser decisiva em casos de resgate em montanha.
O que aconteceu com Roberto durante a trilha
Ademais, segundo a Polícia Civil do Paraná (PC-PR), Roberto iniciou a trilha no dia 31 de dezembro, acompanhado de uma amiga.
Durante a subida, ele passou mal, o que já indicava sinais de desgaste físico.
Após um período de descanso no cume, onde encontraram outros dois grupos de montanhistas, a dupla iniciou a descida por volta das 6h30.
Em um ponto anterior ao acampamento, Roberto acabou se separando do grupo.
Pouco depois, outro grupo que descia pelo mesmo trecho não conseguiu mais localizá-lo, dando início à preocupação que culminaria no registro do desaparecimento em trilha.
Relato de quem ajudou a acionar o resgate em montanha
O analista jurídico Fabio Sieg Martins, que fazia parte de um dos grupos presentes na trilha, relatou o momento em que percebeu que algo estava errado e decidiu acionar os bombeiros.
«Quando a gente chegou no acampamento A1, venceu o ‘grampos’ e tudo mais, tava a menina na barraca. Aí eu pergunto para ela: ‘Cadê o Roberto?’ e ela não sabia do Roberto.
Aí bateu o desespero, eu falei ‘o guri deve ter se desorientado lá no [acampamento] A2, tá perdido lá em cima. […] Aí nós voltamos.
No primeiro ponto que dá sinal de celular, eu faço uma ligação para o Corpo de Bombeiros e situo o bombeiro da posição e das referências que nós tínhamos ali», contou Martins.
O acionamento rápido foi fundamental para dar início às buscas e orientar as equipes sobre a possível área onde o jovem poderia estar.
Investigação policial e alerta aos visitantes
Assim, no sábado (3), a Polícia Civil passou a investigar oficialmente o caso após a família de Roberto, moradora de Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, registrar um Boletim de Ocorrência.
O delegado Glaison Lima Rodrigues colheu depoimentos da jovem que acompanhava o rapaz, de montanhistas que o encontraram durante o trajeto e de familiares.
Casos como esse reforçam a importância do planejamento prévio, do respeito aos limites físicos e do cumprimento das regras do Parque Estadual Pico Paraná.
Embora seja um destino turístico admirado pela paisagem, o Pico Paraná exige responsabilidade e consciência dos riscos envolvidos
especialmente para evitar novos episódios de desaparecimento em trilha e operações complexas de resgate em montanha.
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