Em Lima, autoridades culturais e arqueólogos realizaram escavações intensas a partir de 1981 na pirâmide Huaca Pucllana, estrutura de cerca de 25 metros erguida por volta de 500 d.C., para preservar o local, provocando sua transformação em patrimônio cultural e chamando atenção de turistas do mundo inteiro.
No meio do bairro moderno de Miraflores, em Lima, uma pirâmide de adobe se impõe entre prédios, ruas movimentadas e restaurantes sofisticados. O que muitos visitantes não esperam encontrar na capital peruana é uma estrutura monumental com quase 1.500 anos de história.
A Huaca Pucllana quase desapareceu sob o avanço urbano do século 20. Construções chegaram a ocupar partes do antigo complexo arqueológico, colocando em risco um dos maiores vestígios da cultura pré inca da região.
A mudança começou a partir de 1967, quando o local passou a receber mais atenção. Em 1981, escavações lideradas pela Dra. Isabel Flores Espinoza deram início a um processo que mudaria o destino da pirâmide para sempre.
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Cultura Lima construiu pirâmide por volta de 500 d.C. usando técnica que absorvia terremotos
A Huaca Pucllana foi construída pela cultura Lima, que ocupou a costa central do Peru entre 200 e 700 d.C. A pirâmide principal foi erguida aproximadamente no ano 500 d.C., em uma época em que a região era composta por terras agrícolas férteis irrigadas por canais derivados do rio Surco.
Para levantar a estrutura, os construtores utilizaram a chamada técnica de librero, também conhecida como técnica da biblioteca. Os tijolos de adobe eram colocados na vertical, com pequenos espaços entre eles.
O detalhe que mais chamou atenção foi a solução para os terremotos frequentes da região. Os espaços permitiam que a estrutura absorvesse os tremores, aumentando sua resistência. As paredes também eram trapezoidais, mais largas na base do que no topo, estratégia semelhante à vista em Machu Picchu.

Estrutura já foi palco de rituais, sacrifícios e ocupações entre 800 e 1532
Com cerca de 82 pés de altura, aproximadamente 25 metros, a pirâmide principal é cercada por rampas, pátios e uma praça inferior. Arqueólogos acreditam que o complexo era ainda maior antes de sofrer intervenções urbanas no século passado.
A cultura Lima utilizava o templo para fins cerimoniais. Ali ocorreram banquetes, rituais de quebra de grandes vasos de cerâmica e sacrifícios humanos. A maioria das vítimas eram mulheres jovens, embora restos de homens jovens e meninos também tenham sido encontrados.
Entre 800 e 900 d.C., a cultura Wari, originária da região de Ayacucho, assumiu o controle da área. Evidências indicam que essa expansão ocorreu principalmente por meio de alianças e acordos.
Os Wari utilizaram o topo da pirâmide como local de sepultamento de membros da elite. Os corpos eram enterrados em fardos funerários feitos com tecidos finamente trabalhados, acompanhados de máscaras e objetos pessoais que revelavam suas ocupações.
De cemitério pré inca à conquista espanhola em 1535
Após o período Wari, a cultura Ychsma ocupou a região entre 1000 e 1532. A pirâmide continuou sendo usada como cemitério e espaço de oferendas rituais.
Essa cultura ficou conhecida por oferecer vasos de cerâmica em forma de mulheres, considerados substitutos simbólicos dos sacrifícios humanos. Exemplares desses objetos foram encontrados durante as escavações.
A história do local sofreu nova reviravolta em 1535, quando Francisco Pizarro fundou a cidade de Lima, três anos após derrotar o líder inca Atahualpa. A partir daí, o domínio espanhol redefiniu completamente o cenário político e cultural da região.
Escavações a partir de 1981 transformaram ruína esquecida em patrimônio cultural
Apesar de sua importância histórica, a Huaca Pucllana ficou praticamente esquecida até a segunda metade do século 20. Construções avançavam ao redor e até sobre o sítio arqueológico.
Em 1981, as escavações intensivas começaram com apoio da Prefeitura de Miraflores e do Ministério da Cultura do Peru. O impacto foi imediato. O que parecia condenado ao abandono ganhou nova vida.
Em 1984, o local foi declarado patrimônio cultural. No mesmo ano, foi inaugurada uma sala de exposições com artefatos das culturas Lima, Wari e Ychsma, além de registros fotográficos das escavações.
Hoje, o Museu Huaca Pucllana oferece um circuito pelas ruínas, recriações de rituais antigos e uma área dedicada à flora e fauna locais, incluindo a goiaba e o cuy, tradicional porquinho da índia andino.
Visitação, valores e experiência noturna atraem turistas durante todo o ano
A Huaca Pucllana funciona de quarta a segunda, das 9h às 17h. O ingresso custa 15 soles para adultos e 7,50 soles para crianças menores de 12 anos, estudantes e professores.
Há também visitação noturna de quarta a domingo, das 19h às 22h. Nesses horários, o valor é de 17 soles para adultos e 8,50 soles para crianças menores de 12 anos e idosos.
Peruanos têm entrada gratuita no primeiro domingo de cada mês, o que costuma aumentar o fluxo de visitantes nessas datas.
O ingresso inclui visita guiada em inglês ou espanhol, com duração entre 45 minutos e 1 hora e 15 minutos. Tours privados para grupos de até 20 pessoas custam 30 soles por grupo. Apenas guias certificados pelo museu podem conduzir visitas dentro do sítio.
Ao lado das ruínas, o Restaurante Huaca Pucllana combina sabores clássicos da culinária peruana com ingredientes locais, especialmente frutos do mar e vegetais. À noite, a pirâmide iluminada cria um cenário que surpreende até os moradores da cidade.
A presença de uma pirâmide pré inca de 25 metros no meio da capital peruana mostra que a história do país vai muito além de Machu Picchu e Cusco. A transformação de um sítio quase perdido em patrimônio cultural visitado por milhares de pessoas revela como preservação e arqueologia podem mudar o destino de um tesouro histórico.
Você visitaria uma pirâmide de quase 1.500 anos no meio de uma grande metrópole? Deixe sua opinião nos comentários.

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