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Por que o yuan cresce, mas ainda não ameaça o dólar: moeda chinesa avança no comércio global, mas enfrenta limites impostos por Pequim

Publicado el 10/11/2025 a las 14:03
Moeda chinesa avança no comércio global; yuan de Pequim cresce, mas ainda não supera o dólar.
Moeda chinesa avança no comércio global; yuan de Pequim cresce, mas ainda não supera o dólar.
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A moeda chinesa passou a circular mais no comércio global e nas operações financeiras ligadas a Pequim, mas o yuan segue submetido a controles que impedem a moeda chinesa de disputar a posição do dólar. Mesmo com maior adesão de parceiros do Sul Global e com o avanço de mecanismos próprios de pagamento, a moeda chinesa ainda opera em um ambiente administrado por Pequim e distante da liquidez oferecida pelo dólar.

De acordo com o portal do G1, a moeda chinesa ganhou espaço nas operações internacionais, passou a ser usada em boa parte do comércio exterior de Pequim e se tornou peça de política econômica voltada ao Sul Global. Mesmo assim, a moeda chinesa ainda esbarra em limites impostos pelo próprio governo chinês e não reúne as condições que fizeram do dólar a principal referência financeira do planeta.

A expansão do uso da moeda chinesa começou como resposta à vulnerabilidade que a China enxergou na dependência do dólar após a crise financeira de 2008 e evoluiu para uma estratégia de longo prazo que combina comércio, crédito, infraestrutura de pagamentos e acordos bilaterais. O objetivo central é reduzir riscos geopolíticos e dar mais autonomia às transações chinesas, não substituir de imediato o dólar em reservas globais ou em finanças internacionais. Essa lógica explica por que o yuan cresce, mas ainda não ameaça a moeda americana.

Como começou a ofensiva da China pela moeda chinesa

O ponto de partida foi uma decisão de política monetária tomada em 2009, quando Pequim autorizou empresas a liquidar comércio exterior em moeda chinesa.

À época, o Banco Popular da China avaliava que depender totalmente do dólar deixava o país exposto aos ciclos de política monetária dos Estados Unidos e à impressão de moeda pelo Federal Reserve. A solução escolhida foi criar um trilho próprio para transações reais, começando pelo comércio de bens.

Ao longo de 16 anos, essa via alternativa se consolidou. Hoje, cerca de um terço das exportações e importações de bens da China já podem ser liquidadas diretamente em moeda chinesa.

Isso reduz custos de conversão, diminui a exposição a sanções e dá ao governo chinês um controle mais fino sobre quem acessa seu mercado e em quais condições. Não é uma abertura irrestrita aos fluxos globais, é uma abertura calibrada.

Comércio e crédito externo como vitrines da moeda chinesa

A expansão da moeda chinesa não ficou restrita às mercadorias. Pequim enxergou que muitos países em desenvolvimento, especialmente na Ásia, na África e na América Latina, têm laços comerciais intensos com a China e precisam de financiamento para infraestrutura, energia e compra de equipamentos.

Ao oferecer crédito em moeda chinesa, a China exporta junto a sua unidade de conta.

Bancos e instituições financeiras chinesas passaram a incluir a moeda chinesa em empréstimos, depósitos e emissão de títulos. Vários países renegociaram dívidas originalmente em dólar e trocaram parte desses compromissos por passivos em moeda chinesa, muitas vezes com juros mais baixos.

Para quem depende de investimento chinês, essa é uma proposta atraente. Para a China, é uma forma de espalhar sua moeda sem abrir mão do controle interno.

Esse movimento se soma ao fato de que empresas estatais chinesas já exigem, em diversas operações de commodities, que uma fatia do contrato seja paga em moeda chinesa. Quando o poder de barganha está com Pequim, o uso da moeda chinesa cresce com mais rapidez.

Arquitetura financeira paralela reforça a moeda chinesa

A China também investiu em infraestrutura para que a moeda chinesa pudesse circular fora do sistema dominado pelo dólar.

Criou um sistema próprio de compensação e liquidação internacional, instalou centros de clearing em praças financeiras estratégicas e testou o yuan digital como forma de acelerar pagamentos sem precisar de bancos ocidentais.

Esse tripé comércio mais crédito mais infraestrutura torna a moeda chinesa uma opção real para países que mantêm relações estreitas com Pequim ou que enfrentam restrições no sistema financeiro tradicional. É uma estratégia de autonomia, não de ruptura imediata.

Ela permite que parceiros como Rússia, Irã ou países com pouca disponibilidade de dólar continuem operando, mesmo sob pressão de sanções.

O limite imposto por Pequim à própria moeda chinesa

O ponto de freio está justamente onde o dólar se firmou como referência global. A moeda chinesa não é plenamente conversível e o governo mantém forte controle sobre entradas e saídas de capital.

Isso protege o sistema bancário chinês de choques externos e de ataques especulativos, mas impede que a moeda chinesa seja usada com a mesma liberdade que o dólar nos mercados financeiros internacionais.

Para se tornar moeda de reserva em larga escala, uma divisa precisa estar disponível em grande quantidade, circular em mercados líquidos e operar em ambiente institucional previsível.

A China, por razões políticas e de modelo econômico, prefere preservar o comando sobre o crédito doméstico e sobre o câmbio. Essa escolha é coerente com o projeto do Partido Comunista Chinês, mas ela mesma limita o alcance internacional da moeda chinesa.

Sem convertibilidade total, investidores, fundos soberanos e bancos centrais têm menos incentivo para manter grandes posições em moeda chinesa. O resultado é que a participação do yuan nas reservas globais cresce de forma gradual, mas permanece distante dos patamares do dólar e até de moedas como o euro.

Por que o dólar ainda domina

O dólar continua no centro do sistema porque combina fatores que a moeda chinesa ainda não oferece ao mundo: profundidade de mercado, confiança institucional, disponibilidade de ativos, segurança jurídica e livre circulação. Os Estados Unidos emitem o ativo que todo mundo quer e, ao mesmo tempo, mantêm mercados abertos e previsíveis.

A China oferece integração comercial e financiamento, mas não entrega o mesmo grau de abertura financeira.

Outro elemento que joga a favor do dólar é o próprio momento da economia chinesa. O país enfrenta desaceleração do consumo interno, setor imobiliário fragilizado e excesso de capacidade industrial. Isso torna a China ainda mais dependente de exportações e de boa vontade dos seus parceiros.

Se Pequim tentar forçar demais o uso da moeda chinesa em contratos internacionais, pode encontrar resistência de países que preferem manter flexibilidade na escolha da moeda.

Em síntese, o crescimento do uso da moeda chinesa é real, planejado e consistente com a ambição de Pequim de reduzir vulnerabilidades externas.

Porém, não se trata de uma ofensiva para derrubar o dólar amanhã, e sim de uma construção gradual de ferramentas para que a China não fique refém de decisões de Washington.

A moeda chinesa já mostrou que pode ocupar mais espaço no comércio e no financiamento internacional, especialmente entre países que dependem da China.

Mas enquanto Pequim priorizar o controle cambial e o comando sobre o crédito doméstico, ela mesma colocará um teto sobre a internacionalização do yuan.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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