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Por que quase toda PM do Brasil usa Duster e isso não é coincidência: a conta de licitação, a altura do solo de 237 mm, o porta malas de 475 L, o motor 1.6 que não empolga, e a realidade de buraco, valeta e estrada de terra

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 26/02/2026 às 16:43
Atualizado em 26/02/2026 às 23:36
Duster vira padrão na PM: licitação fecha a conta, altura do solo ajuda em valeta, porta malas leva equipamento e motor 1.6 divide opiniões.
Duster vira padrão na PM: licitação fecha a conta, altura do solo ajuda em valeta, porta malas leva equipamento e motor 1.6 divide opiniões.
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A Duster virou viatura padrão porque patrulhar exige custo previsível, altura do solo de 237 mm para meio fio e valeta, porta malas de 475 L para equipamento e uma cadeia de licitação repetível, mesmo com motor 1.6 criticado por falta de fôlego na rodovia em boa parte do Brasil

A Duster aparece em quase todo estado como viatura comum da Polícia Militar e isso incomoda dois públicos ao mesmo tempo: quem gosta de carro e quem vive a rua. Ela não é a mais rápida, não é a mais potente, e mesmo assim virou padrão, o que joga a discussão para fora do gosto pessoal e para dentro de planilha, edital e uso severo.

A Duster também virou símbolo de um tipo de escolha pública em que o ideal perde para o repetível. Patrulhar não é correr o tempo todo, é passar o dia lidando com meio fio alto, impacto seco de suspensão, paralelepípedo, buraco, valeta e estrada de terra, com equipamento dentro, turno longo e manutenção que precisa caber no orçamento sem parar a frota.

A conta que decide antes da rua decidir

Duster vira padrão na PM: licitação fecha a conta, altura do solo ajuda em valeta, porta malas leva equipamento e motor 1.6 divide opiniões.

A primeira explicação não tem glamour: licitação. A Duster entra forte porque é comprável, implementável e repetível em volume.

Quando a frota é pública, a planilha não é detalhe burocrático, é a diferença entre ter viatura na rua ou ter viatura encostada esperando peça, contrato, aditivo e reposição.

Essa lógica cria um atrito inevitável. O entusiasta e o operador tático torcem o nariz e dizem que falta motor, falta fôlego na rodovia e falta porte. Já a gestão pública se agarra na lógica do custo total, da compra em centenas e da manutenção previsível.

A queda de braço entre performance ideal e realidade orçamentária é o que define a frota, não a fantasia de perseguição constante.

237 mm e 475 L, quando a ficha técnica vira sobrevivência no asfalto ruim

A Duster nasce como SUV compacto de trabalho, feita para uso misto, sem promessa de arrancada ou postura de filme. Isso conversa com um país em que o mapa do asfalto perfeito é pequeno e o mapa do buraco e da estrada de terra é gigante.

A altura do solo de 237 mm vira um argumento prático, porque significa menos raspadas, mais liberdade para encarar valetas, meio fio alto e entradas improvisadas sem ficar preso no primeiro obstáculo.

O porta malas de 475 L entra no mesmo raciocínio. Viatura não carrega só pessoas, carrega equipamento, cones, itens operacionais e o que cada unidade precisa para ficar de pé no turno.

Espaço interno e volume de carga não são conforto de catálogo, são logística real de policiamento ostensivo, com a viatura rodando com peso e exigência diferentes de um carro civil.

Por que o motor 1.6 vira alvo e por que isso nem sempre derruba a escolha

A crítica mais repetida não é misteriosa: motor 1.6 não empolga. Em estrada, especialmente quando a viatura está equipada e pesada, o discurso de falta de fôlego aparece com frequência.

Uma coisa é avaliar a Duster como carro civil, outra é avaliar como viatura carregada, rodando 24 horas por dia em regime severo e em cenários que vão do centro urbano ao trecho de terra.

A discussão também esbarra no comportamento do câmbio CVT citado na base como ponto de incômodo. O CVT tende a priorizar suavidade e economia, mas em saída rápida ou retomada o policial pode sentir que o carro demora a responder.

Só que, de novo, o debate não se resolve apenas dizendo “é ruim” ou “é bom”.

O que muda o resultado é a missão para a qual a viatura foi comprada, e patrulhamento cotidiano tem exigências diferentes de rodovia, choque ou área rural.

Licitações com números na mesa e o que elas mostram sem romantizar

Quando a conversa sai da opinião e entra no registro, aparecem exemplos de compra em escala.

No Ceará, o governo anunciou a compra de 136 viaturas semiblindadas do modelo com investimento acima de R$ 24,9 milhões, e a própria base faz uma conta aproximada de média por unidade, lembrando que se trata de pacote com implementação e configuração operacional.

No Espírito Santo, a base cita a entrega de 214 novas viaturas, sendo 167 Dusters e 47 L200, com investimento total acima de R$ 44,7 milhões, e aponta que a mistura com caminhonetes 4×4 mais caras eleva a média do pacote.

O ponto central desses exemplos não é fixar um preço único, é mostrar o padrão de decisão: o modelo que cabe em volume costuma vencer, porque a frota pública precisa de repetição, entrega rápida, adaptação viável e manutenção que não exploda o orçamento do ano seguinte.

A controvérsia na rua e por que o debate não é unilateral

A base lembra que a discussão não começou agora. Em 2017, no Ceará, uma reportagem do G1 trouxe reclamações internas sobre problemas mecânicos, críticas à potência e questionamentos sobre desempenho no uso diário.

A Associação dos Profissionais de Segurança teria relatado insatisfação, enquanto a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social afirmou que os veículos foram aprovados, passaram por testes e atendiam exigências técnicas do processo de aquisição.

Essa divergência é típica de frota operacional.

Quem está na rua mede o carro pelo impacto do turno, pela resposta em situações tensas, pelo desgaste de suspensão, pelo custo de ficar parado por manutenção e pelo desconforto acumulado. Já a gestão mede por edital, homologação, custo e capacidade de comprar mais.

E existe um detalhe que costuma bagunçar tudo: lote, versão exata, especificação do edital, pneus, fornecedor, pacote de equipamentos e adaptação policial.

Dois carros com o mesmo nome podem se comportar diferente na rua, e qualquer detalhe vira amplificador de desgaste quando a rotina é pesada.

SUV como tendência, mas com uma diferença que o público ignora

Dizer que o mundo migrou para SUV como viatura é uma ideia que aparece na base, com a justificativa de que SUV oferece mais espaço para equipamento, melhor visão do entorno e ergonomia para turnos longos, além de aceitar implementações.

O problema é que muita comparação é feita com um imaginário específico, o policial americano, sem comparar arquitetura de verdade.

A base cita o exemplo dos Estados Unidos, onde o padrão de patrulhamento virou um SUV com pacote policial de fábrica, com motorização muito mais forte e foco explícito em perseguição.

Aqui, a Duster entra como SUV compacto de trabalho, com motor 1.6 aspirado, para uma realidade territorial e orçamentária que exige outra lógica.

O formato até parece, mas a missão nem sempre é a mesma, e é por isso que a frustração nasce quando se cobra de um carro de patrulhamento urbano o desempenho de viatura de rodovia.

Picape, chassi e por que algumas missões pedem outra plataforma

A base também aponta que SUVs com DNA de picape, como modelos baseados em chassi, aparecem como alternativa em alguns estados, mais próximos da ideia de robustez para carga e uso severo.

E lembra que, em rodovias, área rural e regiões de terreno agressivo, a lógica vira direta: se é para sofrer, melhor sofrer com chassi e tração pensados para isso, o que explica a presença de Hilux em batalhões e policiamento rodoviário em diferentes lugares.

Isso não anula a Duster, só coloca cada viatura no lugar.

Se a missão é patrulhamento ostensivo em cidade grande, com ruas esburacadas, meio fio alto, valeta e deslocamento constante, a Duster vira uma escolha pragmática.

Se a missão é terreno duro, carga, rodovia e exigência de força, a picape vira a resposta que muita gente considera mais coerente, mesmo sendo mais cara.

O que a Duster revela sobre gestão e eficiência, sem mito e sem torcida

No fim, a Duster vira padrão não porque é perfeita, mas porque faz um pouco de tudo dentro do que a compra pública consegue repetir.

Ela é o retrato de uma gestão que compra em escala, num país de infraestrutura desigual, onde a viatura precisa sobreviver ao impacto do chão antes de pensar em velocidade máxima.

O debate mais honesto não é “a Duster presta ou não presta” como se fosse escolha de garagem. A pergunta real é que missão cada estado está comprando quando escolhe uma viatura, e que tipo de patrulhamento está priorizando ao fechar a licitação.

Quando a regra é colocar mais viaturas na rua com custo controlado, o carro ideal perde espaço para o carro viável.

A Duster aparece como viatura comum da PM porque a decisão mistura licitação, custo repetível e adaptação operacional, com ficha técnica que conversa com o Brasil real, 237 mm de altura do solo para encarar buraco e valeta, 475 L de porta malas para equipamento, e um motor 1.6 que não empolga, mas entra no pacote que a gestão consegue comprar e manter em escala.

Não é coincidência, é um retrato de estrada ruim e orçamento apertado, e isso explica por que a discussão volta sempre, do portão da base ao comentário na internet.

Agora quero respostas com experiência, não torcida: na sua cidade, o que mais destrói viatura, buraco, valeta, paralelepípedo ou estrada de terra, e qual ponto pesa mais para você nessa escolha, custo da licitação ou desempenho na rua? E se você já viu a Duster de perto em serviço, o que chama mais atenção, a altura do solo, o espaço interno ou as limitações do motor 1.6?

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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