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Por que quase toda PM usa Duster? Não é coincidência. SUV com 237 mm de altura do solo, porta-malas de 475 L e custo médio de R$ 183 mil por viatura domina licitações policiais e revela como orçamento público molda a frota no Brasil

Escrito por Alisson Ficher
Publicado el 04/03/2026 a las 17:12
Renault Duster virou padrão em viaturas da Polícia Militar no Brasil. Entenda como custo, licitações e uso urbano influenciam a escolha do veículo.
Renault Duster virou padrão em viaturas da Polícia Militar no Brasil. Entenda como custo, licitações e uso urbano influenciam a escolha do veículo.
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Presença repetida da Renault Duster nas frotas da Polícia Militar chama atenção em diferentes estados e revela como critérios de licitação, custos operacionais e características práticas do veículo acabam influenciando decisões públicas que definem quais viaturas chegam às ruas brasileiras.

Em licitações recentes e em entregas oficiais de frota, a Renault Duster aparece como a viatura mais recorrente em diferentes estados, puxada por uma combinação de altura do solo de 237 mm, porta-malas de 475 litros e custo final que, em compras em escala, costuma caber nos limites orçamentários.

Na prática, a adoção repetida do modelo não se explica por velocidade máxima ou por desempenho de perseguição, mas por critérios que pesam mais na contratação pública, como disponibilidade, padronização de manutenção, facilidade de implementação e o custo total de aquisição já com adaptação.

O padrão fica claro no Ceará, onde o governo estadual informou ter adquirido 136 viaturas semiblindadas do modelo Renault Duster, com investimento que ultrapassa R$ 24,9 milhões, dentro de um pacote voltado a ampliar a proteção do policial.

Renault Duster virou padrão em viaturas da Polícia Militar no Brasil. Entenda como custo, licitações e uso urbano influenciam a escolha do veículo.
Renault Duster virou padrão em viaturas da Polícia Militar no Brasil. Entenda como custo, licitações e uso urbano influenciam a escolha do veículo.

Ao dividir o valor anunciado pelo total de veículos, a média fica em torno de R$ 183 mil por unidade, cálculo que serve como referência porque o desembolso engloba características operacionais, como a semiblindagem e a preparação para uso ostensivo.

No Espírito Santo, o governo estadual registrou em fevereiro de 2024 a entrega de 214 novas viaturas para a Polícia Militar, sendo 167 Duster e 47 Mitsubishi L200, com investimento total de R$ 44,73 milhões no conjunto.

A própria comunicação oficial descreveu o objetivo de renovar a frota e reforçar o patrulhamento, e o governador Renato Casagrande afirmou que «segurança pública não se faz de uma hora para outra», ao defender uma sequência de investimentos estruturais e operacionais.

Ficha técnica da Duster e adaptação ao patrulhamento urbano

A Duster foi projetada como SUV compacto de uso misto, e isso costuma conversar com a realidade de patrulhamento em cidades com pavimento irregular, ruas com valetas, lombadas altas e acessos que exigem ângulo de entrada e saída mais generosos.

Na linha mais recente divulgada pela própria fabricante, o modelo mantém a maior altura livre do solo do segmento, com 237 mm, além de porta-malas de 475 litros, combinação que favorece a rotina de subir meio-fio, vencer desníveis e transportar equipamentos.

Além do espaço, gestores costumam olhar para a repetição do mesmo modelo na frota como um fator de eficiência, já que a padronização facilita treinamento, estoque de peças, contratos de oficina e previsibilidade de custos ao longo do ciclo de vida.

Quando a compra é feita em centenas de unidades, também pesa a possibilidade de manter versões próximas no edital, evitando uma frota muito fragmentada, o que encarece manutenção, reduz poder de barganha e aumenta o tempo de viatura parada.

Licitações públicas e a escolha de viaturas policiais

Renault Duster virou padrão em viaturas da Polícia Militar no Brasil. Entenda como custo, licitações e uso urbano influenciam a escolha do veículo.
Renault Duster virou padrão em viaturas da Polícia Militar no Brasil. Entenda como custo, licitações e uso urbano influenciam a escolha do veículo.

Em compras públicas, a decisão raramente se resume a escolher “o melhor carro”, porque o objetivo é colocar o máximo de veículos operacionais nas ruas dentro de regras de contratação, prazos de entrega e teto de gastos definidos em orçamento anual.

Nesse cenário, a Duster tende a ganhar força por ser um produto amplamente distribuído no mercado brasileiro, com cadeia de fornecimento consolidada, histórico de presença em frotas e facilidade de adaptação para rádio, sinalização, compartimentos e itens exigidos em edital.

O exemplo do Ceará ilustra esse caminho ao relacionar a aquisição ao ganho de proteção do policial, com o governador Elmano de Freitas afirmando, na chegada do primeiro lote, que o esforço buscava «garantir a segurança» do profissional que atua no policiamento ostensivo.

No Espírito Santo, o pacote misto com Duster e L200 elevou a média global da compra, mas o desenho indica uma estratégia de frota combinada, com SUVs para parte do patrulhamento e picapes 4×4 para missões e terrenos que pedem chassi mais robusto.

Críticas de policiais e debate sobre desempenho da viatura

A escolha repetida do modelo também alimenta críticas internas e externas, porque a comparação, muitas vezes, é feita com viaturas de rodovia, patrulhamento rural pesado ou atuação tática, onde potência e robustez estrutural viram prioridade em vez de custo.

Relatos associados a lotes anteriores de viaturas no Ceará circularam com queixas sobre potência, consumo e desgaste em uso severo, discussão que costuma aparecer quando o veículo passa a rodar continuamente, com peso adicional de equipamentos e operação em turnos longos.

Na mesma lógica, policiais que defendem viaturas maiores argumentam que a adaptação e o regime de 24 horas mudam o comportamento do carro, já que um veículo que atende bem ao uso civil pode perder fôlego com giro constante e carga elevada.

Parte dessas críticas inclui questionamentos sobre resposta em aceleração quando há transmissão automática do tipo CVT, combinação comum em versões do mercado civil que privilegia suavidade e eficiência, mas pode ser percebida como lenta em saídas rápidas.

SUVs policiais no mundo e diferenças de projeto

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A migração para SUVs como plataforma de patrulhamento não é exclusividade brasileira, embora o tipo de veículo e o nível de preparo variem muito por país, com algumas polícias adotando modelos desenvolvidos desde a origem para uso policial.

Nos Estados Unidos, a linha Ford Police Interceptor Utility é oferecida com motorização 3.0 EcoBoost V6 listada em ficha técnica como 400 hp, e com limitador de velocidade máxima indicado em 148 mph, equivalentes a cerca de 238 km/h.

A diferença central está no pacote, porque ali o projeto nasce com calibração, refrigeração, freios, elétrica e itens de perseguição pensados para o serviço, enquanto no Brasil a realidade mais comum envolve um SUV civil adaptado para as necessidades locais.

Picapes policiais e uso em rodovias e áreas rurais

A presença de picapes em frotas estaduais aparece como resposta direta a policiamento em rodovias, áreas rurais e rotas de difícil acesso, onde tração, altura e capacidade de carga ganham peso, mesmo com custo maior de compra e manutenção.

Em Sergipe, por exemplo, a Polícia Militar informou em agosto de 2025 que o Batalhão de Polícia Rodoviária Estadual recebeu 14 viaturas Toyota Hilux, adquiridas por convênio com o DER, em ação que associou os veículos à ampliação da capacidade operacional.

Ao mesmo tempo, estados seguem reforçando SUVs para patrulhamento urbano e territorial amplo, porque a equação de escala continua determinante: o veículo precisa ser entregue em quantidade, com adaptação rápida e custo previsível, sem travar o orçamento de toda a frota.

Nesse quadro, a Renault Duster se mantém como escolha frequente por atender a um conjunto de requisitos práticos e repetíveis, mesmo sob críticas pontuais, enquanto gestores tentam equilibrar proteção, disponibilidade e renovação da frota com as restrições da contratação pública.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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