A PPSA redefiniu o cronograma e transferiu para 2026 a venda spot do óleo da União no Campo de Bacalhau, com quatro cargas previstas. Saiba como o novo leilão reorganiza a oferta e impacta o mercado de petróleo
A PPSA confirmou nesta data o adiamento do leilão spot que ofertará o petróleo da União proveniente do Campo de Bacalhau, originalmente previsto para 10 de dezembro de 2025. A alteração no cronograma estabelece duas novas datas em 2026: 14 de janeiro e 11 de março, com a venda total de 4 milhões de barris distribuídos em quatro cargas.
As informações foram confirmadas em comunicado oficial e detalhadas pela Agência iNFRA em matéria nesta terça-feira (2). Este adiamento reorganiza a agenda de comercialização da União, mas mantém o marco relevante de realizar a primeira venda referente ao Campo de Bacalhau, cuja produção começou em 15 de outubro de 2025.
Nova programação do leilão da PPSA e alterações relevantes
A mudança anunciada pela estatal modifica a expectativa das empresas interessadas, mas preserva a estrutura geral da operação, que continuará seguindo o modelo de venda spot, com propostas vinculadas ao indicador Brent datado. Agora, conforme o novo calendário, a primeira carga será comercializada em 14 de janeiro de 2026, totalizando 1 milhão de barris, enquanto as demais três cargas, cada uma também de 1 milhão de barris, serão disputadas em 11 de março de 2026.
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A PPSA informou que o adiamento ocorreu por ajustes operacionais e pela necessidade de garantir a melhor execução logística para o carregamento. Ainda segundo a instituição, os embarques devem ocorrer entre o fim de fevereiro e o início de março, no caso da primeira carga, e entre maio e setembro de 2026 para as demais. O objetivo é assegurar regularidade, previsibilidade e alinhamento com o cronograma de produção do campo.
Por que a primeira venda do Campo de Bacalhau é estratégica?
A relevância desse certame cresce porque representa a primeira venda da União proveniente do Campo de Bacalhau, localizado na Bacia de Santos. A produção começou em outubro de 2025, por meio do FPSO Almirante Barroso, com capacidade produtiva estimada para atingir 220 mil barris por dia durante sua fase inicial.
A entrada de Bacalhau na carteira da União amplia a diversidade de ativos sob a gestão da PPSA e reforça o papel estratégico do pré-sal brasileiro. Desde 2018, a estatal tem realizado operações de comercialização por meio de contratos de longo prazo e leilões spot, garantindo transparência e competitividade ao mercado.
Dessa forma, a inclusão de Bacalhau no portfólio de vendas representa um passo relevante para consolidar esse novo campo como fonte contínua de receita para os cofres públicos.
Participação no leilão da PPSA e empresas convidadas
A participação será permitida para:
- Empresas que atuam na exploração e produção do pré-sal;
- Empresas de refino instaladas no Brasil;
- Comercializadoras pertencentes a grupos econômicos ligados às categorias acima;
- Consórcios que incluam pelo menos uma empresa brasileira de E&P ou refino.
Entre os convidados, destacam-se a PRIO e a Refinaria de Mataripe, ambas mencionadas pela PPSA como participantes previamente habilitadas em oportunidades semelhantes.
As sessões ocorrerão por meio de plataforma digital (MS Teams), seguindo o padrão adotado nos leilões mais recentes. Todo o processo será público, com abertura de propostas ao vivo e divulgação imediata dos resultados, reforçando a política de transparência da estatal.
Características da comercialização do petróleo da União
A venda utilizará como referência o Brent datado, acompanhando o preço do mercado internacional. Essa metodologia já é tradicional nas operações da PPSA e oferece previsibilidade para compradores, ao mesmo tempo em que garante à União a captura de preços competitivos.
O volume total de 4 milhões de barris, embora estimado, segue parâmetros técnicos estabelecidos pela produção do campo e pode apresentar pequenas variações, conforme alertou a estatal. Entretanto, essas variações são rotineiras e não devem afetar a estrutura do leilão.
Os compradores terão acesso ao cronograma de entrega previamente definido, permitindo planejamento logístico adequado em refinarias ou operações de exportação. Essa previsibilidade é um dos fatores que historicamente aumentam o interesse das empresas nos certames da PPSA.
Importância do Campo de Bacalhau para a oferta nacional
O Campo de Bacalhau possui importância crescente dentro do cenário nacional, pois amplia a fronteira produtiva da Bacia de Santos. Embora ainda em fase inicial, sua capacidade de produção promete reforçar o volume de petróleo comercializado pela União. Além disso, a operação no campo envolve tecnologia avançada, FPSOs modernos e participação de empresas internacionais, o que eleva o padrão técnico da região.
Desde o início do regime de partilha, áreas como Búzios, Mero e Sépia dominam a geração de óleo da União. Portanto, a chegada de Bacalhau diversifica as fontes de receita e reduz a dependência de poucos campos.
Essa ampliação tende a tornar a arrecadação mais estável no médio e longo prazo. Consequentemente, a primeira venda de Bacalhau representa não apenas um marco simbólico, mas um movimento estratégico de diversificação.
Impactos esperados para o mercado e para os cofres públicos
O adiamento para 2026 não altera a relevância do evento. Pelo contrário, pode até aumentar o interesse, já que empresas terão mais tempo para analisar o perfil da produção e avaliar cenários de mercado.
Com a expectativa de comercialização de 4 milhões de barris, a União deve registrar receita considerável, embora o valor final dependa do comportamento do Brent na época da disputa. Mesmo assim, as vendas anteriores da PPSA demonstram que os leilões spot têm gerado resultados robustos, com preços atrativos e forte participação de empresas de grande porte.
Essa estrutura competitiva traz benefícios diretos aos cofres públicos, além de estimular a cadeia produtiva da indústria do petróleo no país. As regras claras do edital e o ambiente de disputa estruturado garantem confiança aos compradores, um fator essencial para manter a credibilidade da estatal.
Expectativas para as próximas etapas do processo da PPSA
Ao longo dos próximos meses, o mercado acompanhará:
- As atualizações sobre a capacidade produtiva de Bacalhau;
- A definição final dos volumes disponíveis para venda em cada carga;
- O comportamento do Brent datado próximo às datas do leilão;
- A oficialização dos participantes habilitados;
- O cronograma logístico detalhado de cada embarque.
Esses elementos ajudarão a compor o cenário para o início da comercialização em 2026. O leilão, portanto, será o primeiro termômetro do interesse das empresas em adquirir volumes de Bacalhau.

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