Presidente da CNC, José Roberto Tadros, afirma que o Bolsa Família desestimula o emprego e defende criação de “porta de saída” para equilibrar assistência social e crescimento econômico.
Durante a abertura do Fórum do Comércio 2025, realizado nesta quinta-feira (30) no Teatro Sesc Casa do Comércio, em Salvador (BA), o presidente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), José Roberto Tadros, fez um alerta sobre a escassez de mão de obra no país.
Segundo ele, empresários de diversos setores têm enfrentado dificuldades crescentes para contratar funcionários, principalmente em atividades de base, e parte desse problema estaria ligada à dependência gerada pelo programa Bolsa Família.
“O empresariado tem reclamado de forma muito frequente que as pessoas não estão procurando emprego porque todas elas estão sob a égide do Bolsa Família”, afirmou Tadros, em coletiva de imprensa.
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Bolsa Família precisa de “porta de saída”, diz Tadros
O presidente da CNC defendeu que o governo federal precisa repensar a estrutura do Bolsa Família, criando uma “porta de saída” para os beneficiários que já atingiram condições de buscar uma ocupação formal.
“Nós estamos propugnando ao governo que encontre uma porta de saída também para o Bolsa Família, não só de entrada. É preciso criar mecanismos econômicos e políticos que permitam que essas pessoas possam evoluir e acessar o mercado de trabalho”, destacou.
Para Tadros, o desafio é equilibrar a função social do programa, garantindo a sobrevivência dos mais vulneráveis, com incentivos reais à reinserção produtiva.
Comércio e serviços sustentam a economia, mas travam na falta de gente
Em seu discurso, o dirigente lembrou que o comércio, os serviços e o turismo respondem por entre 73% e 75% do PIB brasileiro, e que o setor gera mais de 85% dos empregos formais no país.
Mesmo assim, o avanço das empresas tem sido limitado pela dificuldade em encontrar mão de obra disponível e qualificada, especialmente nas regiões onde há forte concentração de famílias beneficiadas por programas sociais.
“A atividade terciária é a que mais emprega no Brasil, mas o empresário não consegue ampliar os negócios porque simplesmente não encontra quem queira trabalhar”, afirmou Tadros.
O dirigente da CNC ressaltou ainda o papel estratégico da Bahia na economia nacional:
“A Bahia é o quarto colégio eleitoral do país e Salvador é uma das cidades mais populosas. Aqui tudo começou, e é aqui também que precisamos mostrar que o Brasil pode crescer com equilíbrio e oportunidades.”
Dependência social x dinamismo econômico
As falas de Tadros refletem uma preocupação crescente entre entidades empresariais quanto ao efeito colateral do assistencialismo prolongado sobre o mercado de trabalho.
Nos bastidores, o setor de comércio e serviços avalia que a combinação de benefícios sociais elevados e informalidade tem afastado parte da população economicamente ativa das vagas formais.
Economistas defendem que o país precisa adotar políticas de transição que conectem programas de renda mínima com qualificação profissional e inserção produtiva, de modo a evitar a perpetuação da dependência estatal.
Fórum do Comércio 2025 discute desafios e inovação no setor
O Fórum do Comércio 2025 reuniu empresários, economistas e representantes do governo para discutir tendências e obstáculos que afetam o setor de comércio e serviços no Brasil.
Entre os temas abordados estão a digitalização dos negócios, o avanço das plataformas de e-commerce, a reforma tributária e o impacto das políticas sociais sobre o emprego formal.
Durante o evento, Tadros enfatizou que a CNC continuará dialogando com o governo federal para buscar soluções que estimulem a formalização do trabalho sem comprometer a rede de proteção social.
Um debate que vai além da Bahia
As declarações do presidente da CNC repercutem em um momento em que o país apresenta baixo índice de desemprego (5,6%), mas convive com uma redução na taxa de participação da força de trabalho, especialmente entre jovens e trabalhadores de baixa renda.
A situação acende o alerta em setores que dependem intensamente de mão de obra, como comércio, hotelaria, construção civil e agricultura. Para analistas, o recado de Tadros vai além da Bahia: trata-se de um chamado à revisão de políticas públicas que, embora bem-intencionadas, podem estar sufocando a produtividade nacional.

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